Um Limite Entre Nós | Crítica

O ator e diretor Denzel Washington dirige e atua na adaptação de Fences (Um Limite Entre Nós) que conta a história de uma família americana nos anos 50. O roteiro é adaptado da peça de teatro com o mesmo nome e com a mesma dupla formada por Washington, e com a sempre fantástica e muito competente Viola Davis, que voltam a interpretar seus papeis do musical da Broadway, o qual os dois chegaram a ganhar o prêmio Tony.

O principal defeito do filme em si é talvez não ser um filme com cara de filme. Claramente a produção usa a intensidade dos seus atores e a marcação das cenas como se fosse um grande evento de Teatro. É a primeira Cerca que deve se pulada para quem for assistir e acompanhar o filme.

As referências sobre a tal cerca do título também são metafóricas para como vive o personagem de Troy Maxson (Washington), um ex- jogador de baseball que ficou do outro lado da cerca de não conseguir jogar na liga profissional devido ao preconceito racial nos EUA.

Agora vemos o personagem trabalhar como lixeiro de segunda a sexta e chegar em casa para a encontrar a esposa Rose (Davis) e o filho Cory (Jovan Adepo). Assim, Troy vê outra cerca se formar quando vê a segregação no seu trabalho ao tentar se candidatar para uma vaga de motorista.

Foto: Paramount

As atuações dos atores principais é maravilhosa, Washington e Davis se entregam completamente nos papeis de marido e mulher que tem camadas e mais camadas reveladas aos poucos ao longo da um pouco cansativa trama. O filme tem mais de 2h de exibição.

Os monólogos contam um pouco do passado da vida dos dois e revelam mais sobre o caráter de Troy, que sempre anda com uma bebida na mão e conta sobre sua carreira frustada no esporte e como ele tem a responsabilidade de cuidar da família principalmente do irmão Gabriel (Mykelti Williamson) que foi afetado pela guerra e vive vagando pela cidade.

E Rose sobre como ela cresceu com uma família gigante e quis ter uma casa onde ela pudesse cantar, mas sempre parece que está em ponto de estourar num ataque de nervos. Quem assiste consegue entender e sentir o sofrimento dos dois personagens devido a ótima presença de tela dos atores e consegue perceber nas nuances e expressões faciais do casal o que passou durante os 18 anos que foram casados.

Foto: Paramount

Com as feridas sempre aparecendo e sendo cutucadas a todo momento, temos uma virada dramática na trama onde Troy confessa um segredo para a esposa. Esse momento gera uma das melhores cenas do filme onde Viola e Denzel mostram por que ganharam os prêmios na peça de teatro, em um momento doloroso e muito bem dirigido. Cheio de amargura, ressentimento e com uma poderosa atuação, as consequências das atitudes dos personagens geram ramificações para toda a família.

Um Limite Entre Nós é um filme com ótimos diálogos, com forte atuações, principalmente de Viola Davis, e com um excelente desenvolvimento e amadurecimento dos personagens, vindo do roteiro de August Wilson. A produção fala sobre relações humanas e como as barreiras, ou cercas, que aparecem na vida são importantes para lidarmos com nós mesmos e as pessoas que nos cercam.

Nota do Crítico:

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