Um Homem de Família | Crítica

Como lidar com um trabalho que pode acabar prejudicando a vida de muitas pessoas? Essa é a idéia que fica quando os filhos de Dane Jensen perguntam para ele onde e com o que o pai trabalha em uma cena do filme Um Homem de Família (A Family Man, 2017). Com a trama se passando numa época atual e com questões interessantes o filme une bom atores num drama um pouco previsível mas que nos faz embarcar na história durante sua 1 hora e pouco de duração.

Com o elenco encabeçado por Gerard Butler como um recrutador de uma das empresas de RH mais agressivas da cidade, acompanhamos Jensen sendo o funcionário exemplar para seu chefe que só pensa em lucrar em cima dos contratos de trabalho aprovados. O dia-a-dia na empresa vem de indicar e procurar pessoas certas para as vagas em aberto nos clientes e o mix de vendedor com muito papo é no final vender os peixes dos outros para os outros. Algumas situações não são exatamente legais juridicamente mas vemos o personagem fazer de tudo para aumentar seus números.

Quando seu chefe Ed Blackridge (Willem Dafoe) resolve curtir seus milhões que ganhou ao longo da sua vida de trabalho ele anuncia que vai passar a Gerência da firma para o vendedor/recrutador que fechar o maior número de contratos e faturar mais comissões. Assim, Jensen e a super competitiva Lynn (Alison Brie, ótima mesmo num papel pequeno) vão disputar os últimos meses do ano em questão para ver quem contrata mais gente. Mas não pelo simples fato de ajudar as pessoas a se recolocaram no mercado de trabalho que pela causa da crise andou parado mas sim para faturar mais as comissões que outro.

Como o personagem repete ao longo do filme, o primeiro dia do mês é o mais importante afinal o saldo começa do zero e então as prospecções iniciam.

Um Homem de Família
Foto: California Filmes

Butler entrega uma atuação um pouco exagerada em alguns momentos mas o ator mostra uma desenvoltura interessante nos momentos mais dramáticos do filme. Sem contar muito dos acontecimentos logo de cara vamos descobrindo um pouco mais sobre a família do protagonista a medida que a trama evolui e o filho mais velho acaba com uma doença infantil bem séria. O personagem então começa a rever alguns conceitos e atitudes com a família e principalmente com a esposa Elise, a atriz Gretchen Mol que parece não conseguir acompanhar o colega de elenco nas horas mais dramáticas do filme principalmente nos momentos no hospital.

Em Um Homem de Família, os premiados atores Willem Dafoe e Alfred Molina ficam de coadjuvantes como um chefe implacável/executivo capitalista durão de Dane e um engenheiro super qualificado mas desempregado devido ao preconceito com a sua idade. As tramas dos dois não é aprofundada de uma maneira interessante e eles são quase figurantes de luxo. Molina acaba criando e desenvolvendo um rápido arco que serve apenas para ilustrar alguns pontos da trama em relação personagem principal.

O filme lida com questões interessantes e quase filosóficas sobre carma, fazer o bem ao próximo e mostrar como é importante dar valor a certas coisas mas não entrega nada de novo em tramas de crianças doentes que estão perto de morrer e que mudam a vida das pessoas ao seu redor. Os momentos de redenções dos personagens vem a tempo de salvar o filme de se perder ainda mais em suas cenas longas e às vezes cansativas.

Um Homem de Família mostra que às vezes precisamos sair da zona de conforto e tentar mostrar humanizar um cara competitivo e viciado em ganhar. Para quem for assistir o filme é uma boa chance de ver Butler mudar um pouco em relação aos papéis tradicionais. O filme tem uma trama agradável até certo ponto mas nada muito memorável apenas um bom entretenimento com grandes figuras de Hollywood no meio.

Nota do Crítico:

Um Homem de Família chega aos cinemas brasileiro no dia 18 de maio.