Um Homem Chamado Ove | Crítica

O que você faria quando tudo que você mais ama é tirado de você? Essa é a proposta do filme sueco Um Homem Chamado Ove (En man som heter Ove, 2015) filme que concorre na categoria de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar 2017.

Com direção de Hannes Holm, o filme é baseado no livro do escritor Fredrik Backman com o mesmo nome e conta história de Ove (uma belíssima e tocante atuação de Rolf Lassgård) um senhor de quase 60 anos que mora em um condomínio, onde ele fiscaliza tudo que é possível, desde a porta da garagem dos carros até as placas de sinalização, e assim tenta seguir sua vida na mesma maneira todos os dias. O que parece ser mais uma história sobre uma pessoa que tem a vida transformada por novas amizades é um filme cheio de descobertas inesperadas e como o amor e a amizade podem aparecer nas pequenas coisas.

Foto: California Filmes

A vida tranquila e super dento na rotina de Ove muda quando ele perde o emprego onde sempre trabalhou e a esforçada Parvaneh (Bahar Pars) e o marido acomodado Patrik (Tobias Almborg) se mudam para o mesmo condomínio dele, com suas duas filhas que claro perturbam o seu sossego já logo no inicio ao quebrarem a sua caixa do correio. Assim somos transportado para o passado onde conhecemos momentos chaves da vida de Ove, afinal como ele mesmo diz “as vezes nossa vida toda se passa em um flash”.

Então passamos pelo já tradicional recurso de flashbacks e conhecemos o jovem Ove, Viktor Baagoe na sua versão criança e na sua próxima fase já mais adulto interpretado por Filip Berg, e vamos montando o quebra cabeça que revela muito da história do personagem. Assim numa trama moldada como uma grande colcha de retalhos vamos conhecendo informações que fazem nos afeiçoar ao senhor que está em um momento crítico de sua vida. A maioria das nossas perguntas iniciais são respondidas como por exemplo, quando Sonya (interpretada na versão jovem por Ida Engvoll) a esposa dele morreu? E por quê? Por qual motivo a casa dele é meio diferente ? Qual a relação dele com carros, que não devem nunca ser da marca Volvo? E qual a razão de seu ódio por funcionários públicos?

O filme também mostra uma Suécia moderna que tem que lidar com a imigração, a mistura de culturas e de raças a tecnologia invadindo os postos de trabalho e como o morar em comunidade nos ajuda nessa vida corrida e atarefada em que vivemos. Assim Ove percebe que ao perder muita coisa podemos ele pode se reinventar e procurar novas formas de amar que aparecem da onde menos ele e nós os espectadores esperamos, talvez no caso de Ove num desenho de uma criança ou em um animal perdido pela rua e para gente um filme sobre uma história bonito e com uma forte mensagem.

Usando uma fotografia bem interessante durante as várias passagens do filme, Um Homem Chamado Ove é um convite para entrar, sentar e acompanhar de perto da fascinante história cheia de eventos marcantes, alegres e sofridos de um personagem bem humano e real. O destaque claro fica para Lassgård que consegue transmitir bem as mudanças que seu personagem bem calejado tem ao longo do filme.

Nota do Crítico:

Um Homem Chamado Ove estreia nos cinemas brasileiro no dia 16 de fevereiro.

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