Ugly Dolls | Crítica

Talvez o público geral, aquele que não respire cinema 24 horas por dia, tenha uma certa dificuldade em aceitar, e ir ao cinema, para ver animações não-Disney. O sentimento de conforto que o estúdio passa é enorme, e aqui, talvez seja o principal problema de Ugly Dolls (2019). 

Ice-T, Gabriel Iglesias, Wanda Sykes, Leehom Wang, Kelly Clarkson, and Pitbull in UglyDolls (2019)
Ugly Dolls – Crítica | Foto: Diamond Filmes

A animação tinha tudo para dar certo, possui uma história com uma mensagem inspiradora e divertida, um elenco de vozes chamativas e personagens fofos e adoráveis. Não, se engane, Ugly Dolls até oferece isso, mas tudo acaba por ser muito genérico, quase sem sal, e no final, entrega um filme muito básico, tanto em termos de animação quanto de roteiro.

Ugly Dolls, claramente é um longa para um público menor, para crianças bem pequenas, afinal, grande parte do filme temos os personagens de pelúcia, saltando e cantando pela tela, com músicas altas, cenários brilhantes e mais peripécias que podemos contar. A animação parece aquele tipo de filme para passar quando a mãe quer acalmar o bebê no carinho, sabe? É colorida, é chamativa, mas pouco importa o que efetivamente está passando na tela.

Assim, aos trancos e barrancos, Ugly Dolls passa uma mensagem de aceitação interessante, sobre ser você mesmo e abraçar as diferenças entre os outros. E isso é entregue de uma forma nada sutil, é como se fosse uma cartilha com diversos boxes que você precisa cumprir. É a mocinha destemida com um sonho especifico, a boneca Moxy (voz de Aline Sirley na versão dublada) com o grupo de amigos desajustados que chega na Instituto da Perfeição em busca de conhecer um humano para chamar de seu, enquanto tem que lidar com a ameaça de um boneco com cara de bonzinho, mas do mal, o Lou (voz do hilário João Côrtes na versão nacional). Assim, o grupo de bonecos feios, junto com a rebelde Mandy (voz de Paula Lima) precisam antes encarrar uma jornada de auto-descoberta para salvarem a si mesmos, e depois os outros bonecos.

Ugly Dolls, parece beber de várias fontes de outros filmes e animações como as franquias de sucesso Toy Story (olha a Disney de volta) e Uma Aventura Lego, mas em vez de pegar todas essas idéias, partes inspiradoras e montar um filme melhor, é como se os roteiristas acabassem por fazer uma versão chinesa de um brinquedo, que apresenta alguns problemas aqui e ali, mesmo que nada muito grave.

Assim, Ugly Dolls, entrega números musicais divertidos, faz um filme com um visual mega colorido, mas talvez, aqui, isso tudo acabe por não compensar todo o esforço. 

Nota do Crítico:

Ugly Dolls chega nos cinemas em 16 de maio.

Miguel Morales

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