Tully | Crítica

Tully (idem, 2018) é um turbilhão de emoções! Com um roteiro esperto, afiado e delicioso de Diablo Cody, o longa conta os percalços e desafios de ser mulher, mãe e encontrar seu lugar no mundo.

Protagonizado por Charlize Theron, em uma das melhores atuações do ano, o filme acerta ao trabalhar bem o mix de emoções e consegue transmitir com doses de comédia e de drama uma trama desafiadora e envolvente. Tully acompanha Marlo (Theron), uma mãe com dois filhos que está grávida de um terceiro que em meio a sua vida mega atarefada se vê numa rotina exaustiva, afinal, cuidar de três filhos é uma tarefa difícil.

Foto: Diamond Films

Após o nascimento do bebê, seu irmão Craig (Mark Duplass) oferece para pagar uma babá noturna, ou seja, essa pessoa só viria cuidar da criança no período da noite, no momento que Marlo e o marido Drew (Ron Livingston) estiverem dormindo, tentando manter o relacionamento entre os dois ativo e claro cuidando dos outros filho, principalmente do mais velho que sofre de ansiedade.

Mesmo não achando que é a melhor das opções, ela aceita e ao esperar uma babá em uma versão de Mary Poppins ela acaba se surpreendendo com a jovem e descolada moça chamada Tully (a sensacional Mackenzie Davis). Assim, as duas criam uma relação complexa que é trabalhada ao longo do filme e faz quem assiste querer uma “Tully” para si próprio (até certo ponto, assim digamos).

Tully é um filme de sutilezas, detalhes e Diablo Cody (do filme Juno e da série United States of Tara) trabalha o roteiro de uma forma única, ousada e fantástica onde somos jogados para dentro da trama de um jeito bastante desafiador. Cody acerta em criar famílias disfuncionais como ninguém e aqui apoiado em ótimas atuações tem a chance de entregar um filme realmente incrível.

Foto: Diamond Films

Avisamos que Tully é um filme para se prestar atenção em todos os pequenos momentos afinal temos uma história crescente que nos leva para um clímax inteligente e que lida de uma forma bem humorada (não escrachada mas de um jeito ácido e cínico) sobre eventos como perda, amor, companheirismo e auto-conhecimento.

O filme mostra a realidade, os desafios da maternidade e uma Charlize Theron completamente desprendida de toda a vaidade para contar uma história instigante e completamente viciante. O contraste entre as personalidades de Marlo e Tully são o ápice do longa onde as cenas das duas personagens juntas mostram a excelente química entre Theron e Davis fazendo de Tully com sua trama inesperada, um dos filmes mais estranho e emotivo do ano.

Uma verdadeira surpresa na temporada marcada por blockbusters e filmes de super-heróis.

Nota do Crítico:

Tully já se encontra em cartaz nos cinemas.

Miguel Morales

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