Tudo Por Um Pop Star | Crítica

E chega novamente aos cinemas mais uma adaptação de um livro da autora Thalita Rebouças.

E a vez agora, é de Tudo Por Um Pop Star (2018), uma comédia musical que acerta em conseguir transportar para as telas o sentimento de ser jovem, “amar” enlouquecidamente alguma coisa (ou alguém) e acaba por ser uma produção agradável e cheia de pequenos bons momentos.

O maior destaque fica com o trio de protagonistas, formado por atrizes que cresceram nos holofotes da mídia nacional, que conseguem passar um ar leve e descontraído para o filme, onde o roteiro da produção acerta em desenvolver, por diversos ângulos, o que é ser adolescente, suas expectativas e os anseios daquela época marcada por jogar tudo para o alto sem muito pensar nas consequências.

Foto: Downtown Filmes

Tudo Por Um Pop Star, como o nome já diz, conta a história de três amigas, Manu (super madura Klara Castanho), Gabi (Maisa Silva, sempre uma figura) e Ritinha (a talentosa Mel Maia) que recebem a notícia de que seus ídolos, a banda teen Slava Body Disco Disco Boys, virão em turnê ao Rio de Janeiro. Assim, como o título do livro (e agora longa) diz, as três, claro, irão fazer de tudo para conhecer os rapazes.

O filme então acaba por contar uma história de amizade e companheirismo bem bacana com algumas passagens engraçadas, outras mais dramáticas, onde as figuras das três amigas são bem trabalhadas mesmo que o roteiro não se preocupe em criar nada muito complexo.

A palavra em Tudo Por Um Pop Star é ser simples, suas protagonistas até que se desenvolvem ao longo da trama, tem suas personalidades bem trabalhadas e não chegam a ser superficiais iguais os outros personagens secundários como a prima maluca, Babete (Giovanna Lancellotti), o trio de garotas malvadas do colégio e até mesmo os membros da adorada e idolatrada banda teen. Já o youtuber Felipe Neto como o Youtuber Billy Bold, que trabalha na cobertura on-line da tour da banda, faz um personagem excêntrico, espalhafatoso e muito mais interessante que a figura real de quem o representa.

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Foto: Downtown Filmes

Thalita Rebouças autora do livro, aqui também escreve o roteiro, e além de conseguir mostrar bem as facetas das personagens principais, acerta em mostrar o quão diferentes são as personalidades das meninas e também, o quão parecidas entre si elas acabam sendo, o que é peça fundamental para o desenrolar dessa grande amizade entre elas onde o filme acerta também ao mostrar as garotas lidando com suas diferenças juntamente com suas semelhanças.

O trio de amigas acaba por serem garotas boas mas que não são sonsas ou bobinhas e que fogem um pouco daquele padrão adolescente tradicional e global. Em Tudo Por Um Pop Star, elas fazem altas coisas erradas como, por exemplo, pular de um andar para o outro do Hotel enroladas em lençóis, usar chantagem para descolarem credenciais VIP, mentir para os pais e entrarem de penetra no almejado show mas também mostram uma maturidade quando ficam em apuros, principalmente, depois que são pegas pelos seguranças da casa noturna e vêem todo o plano delas irem por água abaixo.

O roteiro, claro, tem seu momento de redenção para as protagonistas onde, antes do esperado e previsível final feliz, elas precisam perceber os erros que cometeram e refletirem suas atitudes. Em Tudo Por um Pop Star você tem que embarcar na trama (surreal e bem conveniente em vários momentos) para se divertir com o que é apresentado em tela. Alguns dos efeitos visuais deixam a desejar em muitas passagens, assim como, a facilidade da resolução de certas tramas, afinal, como diz a personagem de Maia “deu tudo errado então não era para ser” mas as peripécias mostradas deixam o filme com um ar bem leve e quase infantil.

No final, as consequências da viagem das garotas é bem mais importante do que o show em si e o filme deixa isso bem claro entre sua trilha sonora repetitiva e que gruda no seu cérebro de uma forma impressionante.

Tudo por Um Pop Star é uma aposta interessante para o seu público alvo jovem e nada mais que isso. O longa faz uma comédia que não tenta ser mais o que parece e isso já é um acerto gigantesco, tanto pela parte dos produtores, quanto pelo próprio roteiro de Thalita Rebouças que parece entender a mente adolescente como ninguém.

Nota do Crítico:

Tudo Por Um Pop Star chega nos cinemas em 11 de Outubro.

Miguel Morales

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