Transformers: O Último Cavaleiro | Crítica

Com a franquia Transformers caminhando para seu quinto filme o diretor Michael Bay afirmou que Transformers: O Último Cavaleiro (Trasnformers: The Last Knight, 2017) seria seu último longa atrás das câmeras. Em vez dele aproveitar e tentar sair da franquia com um diferencial, Bay e sua equipe fazem mais do mesmo, afinal, em time que está ganhando (rios de dinheiro) não se mexe não é mesmo?

Foto: Paramount Pictures

Mas doce ilusão, estamos falando de Transformers, então vamos lá, eles são robôs que chegam do espaço e se “transformam” em carros estilosos onde temos corridas, perseguições e muita explosões mas poxa, a produção poderia dar uma melhorada nas tramas que acontecem entre tudo isso não é? Não vamos mentir, os primeiros trinta-quarenta minutos são até interessantes com a mitologia dos robôs que estão no mundo desde da época dos cavaleiros da Tábula redonda, temos o Rei Arthur, Lancelot e batalhas com cavalos e um clima de mistério para descobrir tudo.

Mas o grande problema do filme é que os plots são apresentados (e não são poucos!) e a trama muda radicalmente várias vezes e você só acaba voltando para elas depois de horas e nem se lembra mais do que tinha acontecido, ou o motivo de por que o personagem x está fazendo coisa y. São cenas que são desenvolvidas para depois ficarmos de 15 em 15 minutos vendo as explosões, lutas e robôs feitos pelo computador.

A realidade é, mesmo com ótimos efeitos especiais, com boas tomadas e com um visual de tirar um fôlego que são caprichados nos detalhes desde das menores partes dos personagens robôs quando dos flashbacks da época medieval que tem um Merlin bêbado (um irreconhecível Stanley Tucci), dragões (você quer Game of Thrones?) e lutas épicas com os cavaleiros passando pelo 3D empunhando suas espadas com seus cavalos é uma pena que tanto tempo tenha sido investido nisso e não em dar um tapa mais bem dado no purê de idéias que é a trama de Transformers.

O lado bom que você perdeu ou pulou qualquer filme da franquia você consegue assistir esse filme tranquilamente. Os humanos e os Transformers ainda estão em guerra e Optimus Prime deixa a Terra para procurar seu criador. Cade Yeager (Mark Wahlberg) ainda tem uma relação conflituosa com os robôs e continua escondido daqueles que caçam e consideram os “invasores” uma ameaça. Como falamos, o filme (tenta) nos explicar e conectar suas diversas tramas mas acaba fazendo isso de forma bem confusa e com uma iminente invasão ao nosso planeta o personagem de Cade precisa da ajuda de Vivian Wembley (a robótica Laura Haddock), uma professora de Oxford, para encontrar um artefato que consiga impedir essa ameaça. Mas claro primeiro ela precisa acreditar nisso tudo e para isso existe o personagem de Anthony Hoopiks,  Sir Edmund Burton, um lorde inglês com um robô mordomo bem temperamental.

Wahlberg parece estar bem confortável no papel e meio que embarca nas aventuras que o roteiro te manda fazer, ou seja nada de novo por aqui. Quem se destaca claro é a novata Isabela Moner, ela é faz de sua pequena participação uma atuação para se lembrar, atrevida, independente e cheia de atitude sua personagem é a mais desperdiçada, ela é a apresentada, desaparece durante uma boa parte do filme que você fica “puxa cade aquela menina boa que apareceu 10 lutas e explosões atrás” a medida que o filme passa sua 30a cena cheia de efeitos especiais iguais as outras que você já viu nesse mesmo filme.

Foto: Paramount Pictures

O engraçado Tony Hale tem uma pequena participação no filme e para quem é fã do ator vale muito a pena ver o ver em uma grande produção mesmo com um papel não muito importante. Anthony Hoopiks está igual seu personagem na série de Tv, Westworld e acho que é bem isso que os produtores pensaram, misterioso com um ar sábio e que viveu e conhece muita coisa, seu papel poderia ser escalado por qualquer ator com esse tipo desde Morgan Freeman quanto Michael Caine, ele movimenta a trama em certo ponto mas depois de certo ponto também ignorado pelo roteiro. Acho que até o Hoopiks uma certa linha deve ser traçada.

Transformers: O Último Cavaleiro é um bom filme ação para quem é fã da franquia, mesmo com mais de 2 horas de um roteiro que tem mais voltas que uma corrida de fórmula 1, o longa tem uma grande qualidade de produção com cenas filmadas todas com câmeras em IMAX com grandes cenários feitos no computador.

O filme falha em colocar um monte de subtramas e introduzir tantos novos personagens que você acaba por sair meio anestesiado da sessão com explosões, tiros a cada 15 minutos para compensar a falta de um roteiro um pouco mais palpável. Com a cena final interminável e sendo até meio previsível Transformers é aquele filme que poderia ter sido tido uns bons 40 minutos a menos para ser disfarçado de um bom blockbuster. Vale a pena? Até vale, se você for muuuuuito fã da franquia pois esse filme precisa ser visto em IMAX para valer seu ingresso.

Nota do Crítico:

Transformers: O Último Cavaleiro chega aos cinemas brasileiro em 20 de julho.