Todo o Dinheiro do Mundo | Crítica

Talvez Todo o Dinheiro do Mundo (All The Money in the World, 2017) seja o filme mais polêmico da temporada, não pelo fato da trama ser mirabolante ou cheia de mensagens ocultas mas sim por seus problemas de bastidores. Não se engane a história da família Getty é um prato cheio e recheada de reviravoltas mas no final os atores que participaram da produção acabaram por eclipsar a história do chocante sequestro do garoto, deixando as polêmicas fora do filme serem maiores que o próprio filme em si.

Foto: Diamond Filmes/Sony Pictures Int.

Claro, Michelle Williams que carrega o filme nas costas, atua de uma forma fantástica consegue brilhar e ser a melhor coisa de Todo o Dinheiro do Mundo, mas seu colega Christopher Plummer que foi escalado aos 45 do segundo tempo acabou sendo indicado para o Oscar 2018, mesmo estando bem no papel não pareceu estar tão convincente como a atriz mas justifica sua indicação para a premiação. Uma pena, Williams realmente merecia um destaque maior na temporada de premiações.

O roteiro assinado por David Scarpa, talvez seja um dos maiores tropeços do filme, indo em zig-zag na história e mudando de um país para outro e sem muitas explicações a trama se embola um pouco para narrar o causos do sequestro de John Paul Getty III (o esforçado Charlie Plummer). O garoto é neto do magnata americano do petróleo John Paul Getty (Plummer) foi sequestrado em 1973 e o avô se negou a pagar seu regaste deixando nas mãos dos seqüestradores durante muito tempo.

Assim, a roteiro tenta passar e fazer um giro 360 graus em todos os aspectos que levaram a família Getty para esse evento trágico. O filme mostra as relações de JP Getty com o dinheiro e como ele construiu a sua fortuna, sua relações com os filhos, depois com os netos e nesse meio tempo vemos Gail (a exuberante Michelle Williams) desesperada tentando juntar dinheiro para pagar o resgate do filho, e como ela diz “lutando contra um império”. 

Foto: Diamond Films/Sony Pictures Int.

Todo o Dinheiro do Mundo acaba sendo um filme cansativo, com uma densidade enorme ao tentar mostrar as figuras chaves dessa histórias com seus motivos complexos, num grande jogo de xadrez onde o JP Getty se move na tela com a imponência de um Rei e Gail como uma Rainha que vai aos poucos descobrindo sua força, numa partida acirrada. Para completar, o ator Mark Wahlberg que também está no filme, aparece aqui numa tentativa de mostrar uma versatilidade e sair da sua zona de conforto e acaba por entregar uma atuação bem abaixo de seus colegas, o que aqui no final não acaba sendo uma surpresa assim, afinal nem todo dinheiro do mundo (pedido nas refilmagens) ia deixar o personagem empolgante.

O que não podemos deixar de pontuar é a capacidade e a habilidade do diretor Ridley Scott em dirigir as cenas extras depois da troca de Kevin Spacey por Christopher Plummer mesmo que talvez a produção precisasse de mais um tempo para deixar o filme com um ar um pouco mais finalizado e menos bruto. E talvez pelo fato dessa mudança a edição do filme tenha sido prejudicado o que deixa ele um pouco picotado demais e com uma falta de ritmo muito grande passando de cenas em cenas sem uma conexão maior entre elas apenas com cortes bruscos e desnecessários.

Com um tom puxado para o verde (lembrando uma nota de dólar) e com uma tonalidade escurecida Todo o Dinheiro do Mundo navega pelo sentimentos humanos de orgulho, poder e vingança de uma forma interessante mas acaba tendo uma execução errada. O filme consegue apresentar todos os pontos de vista de seus personagens mesmo que de uma forma um pouco atrapalhada mas tem seus momentos emocionantes que fazem refletir sobre as questões familiares, de afeto e claro de poder. No final das contas, Todo o Dinheiro do Mundo é como o dia de pagamento com boletos para se pagar, alegria que dura pouco.

Nota do Crítico:

Todo o Dinheiro do Mundo tem previsão de estreia para o dia 1º de fevereiro.

Miguel Morales

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