The Umbrella Academy | Primeiras Impressões

The Umbrella Academy chega pela Netflix como uma das grandes apostas do serviço de streaming nesse primeiro semestre. Adaptada dos quadrinhos de Gerard Way, com ilustrações do brasileiro Gabriel Bá, a série estreia com uma bagagem enorme, que vem desde de um material de apoio gigante, até mesmo uma legião de fãs enormes.

Adam Godley, Ellen Page, Robert Sheehan, Tom Hopper, David Castañeda, Aidan Gallagher, Jordan Claire Robbins, and Emmy Raver-Lampman in The Umbrella Academy (2019)
The Umbrella Academy – Primeiras Impressões | Foto: Netflix

Com um bom elenco, claramente escolhido a dedo, The Umbrella Academy parece, nos seus primeiros 4 episódios, ser uma série definitivamente feita para quem não leu ou acompanhou os quadrinhos. Afinal, ao longo de suas primeiras horas, o drama leva um (grande!) bom tempo para ambientar o espectador na trama, seus os personagens e nas suas complexas relações que eles apresentam ter. Já para quem é fã de longa data, The Umbrella Academy, acaba por ser uma grande homenagem, onde pequenas coisas e situações, são vistas como verdadeiros easter-egg ambulantes.

Viagens no tempo, crianças com super-poderes, assassinatos e conflitos familiares fazem de The Umbrella Academy um prato cheio para aqueles ávidos em maratonar tudo em um final de semana. Com uma história que desperta uma vontade irresistível de assistir o próximo, e o próximo episódio, numa taca só, The Umbrella Academy se beneficia com sua trama instigante e com um tom de mistério que ronda os eventos apresentados logo de cara pela série.

Assim, The Umbrella Academy, parece um grande filme, dividido em pequenas partes. Mas, o ritmo, pelo no começo, parece estar um pouco desajustado, afinal, descobrimos que o apocalipse está à caminho, mas parece que quase ninguém se importa muito com o fato que o mundo vai acabar. O sentimento de urgência, não é sentido nesse primeiro momento e no início, como tudo é novo para quem dá o play no episódio piloto, o seriado não parece mostrar muito para que veio em sua hora inicial, como se fosse um grande prólogo para a história que virá. Ou no caso, que já aconteceu.

O 1×01 serve apenas para dar uma olhada geral nas coisas, com os personagens com mais de 30 anos, reunidos, enfim, para o enterro do patriarca Sir Reginald Hargreeves (Colm Feore). É como, The Umbrella Academy, abrisse a porta de uma grande geladeira cheia de coisas, com alimentos e utensílios, e a fechasse depois de 50 minutos, onde, temos personagens para conhecer, relações e motivações entre todos eles e parecem travar a trama de dar uma engrenada.

The Umbrella Academy – Primeiras Impressões | Foto: Netflix

Mas, claro, que isso não tira todo o mérito daquilo que vimos. Descobrimos, logo no início, detalhes do desaparecimento do Número 5 (Aidan Gallagher, ótimo na pele de um senhor no corpo de uma criança) e seu retorno do futuro depois de anos sumido. Somos introduzidos aos vícios, truques e pequenos golpes de Klaus (Robert Sheehan, a alma da série) e ainda, conhecemos o lado mais sério e sombrio do restante da Umbrella Academy, com o carrancudo Luther (Tom Hopper), a intensa Alison (Emmy Raver-Lampman), o vigilante Diego (David Castañeda) e a melancólica Vanya (Ellen Page, ótima e ideal para o papel). Assim, vemos todos eles juntos, mais uma vez embaixo do mesmo teto, anos após a chamada liga de super-heróis criada pelo Sr. Hargreeves, acabar.

Assim, The Umbrella Academy, tem crianças prodígios com habilidades fora do comum, máscaras e uniformes, super-heróis disfarçados, mas não é uma série típica de super-herói? Exatamente isso. The Umbrella Academy parece, ao seu modo, adicionar mais uma camada para o gênero, e cria uma produção diferente do que tem saído por aí nos últimos tempos e meio que tenta reinventar o lance todo de ser super-herói. Assim, ao longo dos primeiros episódios vemos, de uma forma que une um pouco de drama com comédia, personagens profundos, cheio de problemas e que se apoiam, talvez no maior trunfo da série, em não mostrar seus protagonistas utilizando seus poderes o tempo todo, e sim, em como os personagens lidam com essas habilidades no seu dia-a-dia, como uma grande família disfuncional, cheia de rancores, mágoa e sentimentos não resolvidos.

Com uma estética bem escura que lembra um pouco os filmes do diretor Tim Burton, e com uma trama que atiça a curiosidade do espectador, no final, The Umbrella Academy tem um charme próprio e quase único. Seus personagens cheio de personalidades marcantes tentam dar uma nova cara, bem mais realista, sobre o que é ser super-herói, sem perder aquela aura fantasiosa e cheia de imaginação.

Pelo menos nesse começo, The Umbrella Academy abre mais uma vertente no grande leque de opções sobre o tema e faz uma produção para se abrir o guarda-chuva e se ficar de olho enquanto ela passa.

The Umbrella Academy chega em 15 de fevereiro na Netflix.

Miguel Morales

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