The Good Place | Crítica da 1ª Temporada

The Good Place foi uma das grandes surpresas da temporada passada e finalmente algum canal brasileiro comprou os direitos de exibição por aqui, e, claro, foi a Netflix! Todos os episódios dessa primeira temporada estão disponíveis no serviço e vamos comentar um pouco sobre a série, claro sem spoilers!

Mas sobre o que é The Good Place e por que ela é tão boa?

Foto: NBC/Netflix

No primeiro ano conhecemos Eleanor Shellstrop, papel da engraçadíssima Kristen Bell (Veronica Mars, Perfeita é a Mãe), esta que acabou de falecer. Depois de sua morte ela acaba indo para o “Good Place”, ou o Paraíso, um lugar onde as pessoas que fizeram boas ações vão passar a eternidade. Todos encontram suas almas gêmeas e vivem nessa vila para o todo sempre. Mas o plot twist aqui é que Eleanor não foi uma boa pessoa em vida e foi parar lá por acidente.

Agora ela tem que esconder de todos, principalmente de Michael, personagem do ator Ted Danson, que arquitetou a vizinhança e age como se fosse o prefeito do lugar. A situação se complica quando alguém descobre que ela não deveria estar lá e sim no “Bad Place”, ou Inferno. E assim vamos acompanhando a personagem vivendo uma questão moral de aprender a viver como “uma boa pessoa” ou se arrepender e ir para baixo.

Os grandes destaques da série ficam para as performances de Bell e Danson (que foram super esnobados no último EMMY), mas claro também dos personagens coadjuvantes. Janet (D’Arcy Carden) como a secretaria robô-Siri da Apple que é um prazer sem tamanho quando aparece em tela, e Tahani Al-Jamil (Jameela Jamil), como uma socialite que sempre fez o bem e passa um mix de loucura e obsessão com perfeição.

Em termos de roteiro, The Good Place segue uma fórmula bem padrão, ele mostra a vida dos personagens no Lugar Bom e conta em flashbacks a história de quem é o destaque da semana para depois mostrar como as atitudes em vida influenciam a trama deles após a morte. E todo episódio (tá, a maioria) termina com um grande gancho, o que deixa a série com aquele ar dramático, mas sem perder a veia cômica pelo fato de colocar sempre os personagens num tom mais maluco e surtado.

Todos os personagens tem um passado a ser explorado, e todos tem um segredinho escondido, e isso faz da série ser deliciosa de se assistir. A trama principal acaba ficando com Chidi Anagonye (William Jackson Harper), a figura gêmea de Eleanor, que fica com a missão de ensiná-la a ser uma boa pessoa e permanecer no céu. Tendo vivido como um professor de ética ele vê todo um paradigma filosófico em tentar resolver e ajudar a parceira nesse problema. O episódio piloto, “Everything Is Fine”, dá muito o tom da série e nele que descobrimos a vivência dentro da vila, como tudo funciona e como são os métodos de escolha para viver no Lugar Bom.

Foto: NBC/Netflix

Formada por 13 episódios de 30 minutos, como falamos, os primeiros episódios nos apresentam os personagens da série de forma bem natural e super hilária sempre com muitas referências a cultura pop, destaques ficam com “1×03 – Tahani Al-Jamil”, “1×04 Jason Mendoza”, “1×07 – The Eternal Shriek”, “1×10 – Chidi’s Choice” e “1×12- Mindy St. Claire“.

E quando você acha que a temporada dá aquela barrigada por ficar dando círculo em sua trama, Eleanor causa algum conflito no Lugar Bom, a vila começa a reagir e acontece alguma coisa maluca como, por exemplo lixeiras voadoras e buracos gigantes, a série tem uma virada interessante e nos entrega uma sequência final de episódios que começam em “1×09 – Someone Like Me as a Member” e culminam no excelentíssimo episódio final de temporada, o “1×13 – Michael’s Gambit”.

Assim, The Good Place traz uma comédia leve, interessante com personagens super cativantes, com uma trama super original e bem trabalhada. Kristen Bell literalmente rouba a cena e está em sua melhor fase. Junto com um roteiro esperto e inteligente a série é definitivamente aquela para se colocar na sua lista. What a fork?

The Good Place chega na Netflix em 21 de setembro.

Miguel Morales

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