The End of the Fu***ing World | Crítica da 1ª Temporada

A Netflix trouxe logo no começo deste ano a produção The End of the F***ing World, exibida pela Channel 4 em outubro. A série, uma comédia dramática sobre um rapaz que se acha psicopata que conhece uma garota mais doidinhas que o tira de seu mundo, foi bem recebida pelos assinantes do canal e tudo por sair um pouco da caixinha e entregar um drama adolescente divertido, mas que nos faz refletir.

Quem não tem costume com séries britânicas pode estranhar muito a forma como o roteiro se desenvolve e até mesmo o seu humor mais peculiar.

James (Alex Lawther, O Jogo da Imitação) é praticamente uma versão adolescente de Dexter, um rapaz peculiar, com instinto psicopata, que conta as mortes dos animais que ele matou aé ali e planeja dar cabo de algo maior, um ser humano. Quando ele conhece a espivetada Alyssa (Jessica Barden, Penny Dreadful), que fala o que vem na boca e só se arrepende de algumas coisas depois, sua vida vira do avesso.

Levando o garoto a buscar novas experiências e já entediada da vida onde sua mãe a ignora e seu padrasto sempre tenta fazer agrados demais, falando de seus peitos e passando a mão com insinuação em suas costas, ela resolve sumir e ir até seu pai, que ela acredita ser a solução de seus problemas.

Enquanto isso, James é mostrado como um jovem doido para seguir seus instintos e concluir o plano de matar um ser humano, seu próximo passo, e por isso faz tudo o que Alyssa pede, pois ela seria seu próximo alvo, até se apaixonar e descobrir sentimentos…

O desenvolvimento da série é interessante, pois vai profundamente em cada um de seus personagens, dando camadas mais interessantes a eles, como o fato de James suprir seus sentimentos e tomar certas atitudes por conta de ter visto sua mãe se matar na sua frente. Logo de início temos um pouco de raiva de seu pai mais coômico, mas logo entendemos que ele sempre fez numa tentativa desesperada de se conectar com ele.

Quando James mata Clive (Jonathan Aris, Sherlock) tudo muda para os dois…

Deste ponto em diante a série começa um sistema de perseguição pelos dois com as oficiais Eunice (Gemma Whelan, Game of Thrones) e Teri (Wunmi Mosaku, In the Flesh) buscando pelos dois e tentando resolver um caso de uma noite que tiveram. Aqui reforçam bem o esteriótipo da oficial má e a boa.

No melhor estilo road trip, os adolescentes precisam roubar um posto de gasolina e lidar com os sentimentos conflitantes que acabam surgindo por conta da morte de Clive, e tudo isso com um humor ácido e pontual, além de boas doses de drama. O encontro com o pai dela não é dos melhores.

A fotografia da série é muito simples e bonita, mas o que realmente chama a atenção é sua trilha sonora. Temos “Oh Daddy” de Fleetwood Mac, “At Seventeen” de Janis Ian, “Never” de The Earls, “Superboy & Supergirl” de Tullycraft… Você pode conferir as músicas na rádio disponibilizada no Spotify:

No fim das contas nos resta esperar por novidades sobre uma renovação The End of the F***ink World por parte da Channel 4 e BBC, e que a exibição pela Netflix ajude a acelerar esse processo. A série segue a linha de outras produções com o mesmo tom como My Mad Fat Diary, Skins, In the Flesh, Misfits

Dan Artimos

Sou formado em Sistemas de Informações, e amante de televisão. Trabalho, leio bastante, estudo, vou a cinemas, parques e corro (ultrapassada a meta pessoal dos 21km), e ainda assim vejo séries e escrevo sobre elas. Sim, nem eu sei como consigo fazer a organização de minha agenda no meio de tantas nerdices.