The Crown | Crítica da 3ª Temporada

The Crown retorna para seu novo ano com uma árdua missão, introduzir ao espectador a figura da Rainha e outros membros da Casa Real novamente, em versões mais adultas, e fazer o mesmo trabalho do teve lá nas primeiras temporadas.

E mesmo assim, o seriado continua impecável, com uma produção extremamente bem feita, seja pelas locações, pelos figurinos… Em The Crown tudo é encantadoramente sedutor e que nos inunda com uma qualidade técnica e visual incrível, coisa que já virou a marca registrada da série. 

Olivia Colman in The Crown (2016)
The Crown | Crítica da 3ª Temporada | Foto: Netflix

O maior desafio aqui, talvez, seja condensar alguns anos mais tumultuados da história da Inglaterra, com eventos que marcaram profundamente tanto o país quanto a família real, e pré-moldaram e foram cruciais para os acontecimentos no futuro, que veremos nas próximas temporadas.

Aqui, temos o país enfrentando crises econômicas fortes, com déficit orçamentário, e a desvalorização da libra em relação as outras moedas. Alguns episódios ainda mostram o forte sentimento de separatismo (3×06 – Tywysog Cymru) que a Grã-Bretanha sempre sofreu dos outros países que compõe o conglomerado com País de Gales e Irlanda do Norte e Escócia que vira e mexe propõe para se desligarem do bloco.

E novamente The Crown mostra o peso da coroa interfere em diversos assuntos, como no caso no episódio 3 – Aberfan (o melhor da temporada) em que um barranco desaba numa vila inglesa soterrando crianças e a população e a Rainha (agora brilhantemente interpretada por Olivia Colman) demora para ter uma reação apropriada por conta das tradições que a casa real tinha com esses acontecimentos.

E assim, The Crown neste terceiro ano, navega entre as tramas públicas e os conflitos privados dos membros da família real com louvor. O novo ano peca um formato um pouco mais procedural, e pelo menos nos primeiros episódios dá destaque para alguém contar sua história, é o caso do 3×02 – Margaretology, focado na Princesa Margaret onde temos a ótima Helena Bonham Carter, e ainda a dupla de episódios 3×04 – Bubbikins e 3×07 – Moondust focados em Philip, o duque de Edimburgo, onde Tobias Menzies parece ganhar o mesmo destaque que Matt Smith teve nos primeiros anos. 

Josh O'Connor in The Crown (2016)
The Crown | Crítica da 3ª Temporada | Foto: Netflix

Mas junto com Colman que magistralmente acerta o tom como Elizabeth II, The Crown tem lá os fundos a figura do Principe Charles, onde o ator Josh O’Connor consegue humanar do que sempre nos deixou com a impressão de ser uma pessoa mais fechada e carrancuda. Aqui, já somos apresentados para os conflitos que o príncipe tem com a família, e claro, introduzidos à figura Camilla Shand (Emerald Fennell), que no futuro viria ser Camila Parker Bowles.

E O’Connor dá um ar mais parecido com Newt Scamander (da franquia Harry Potter interpretado por Eddie Redmayne) para o príncipe, onde vemos o começo da sua preparação para se tornar o futuro rei da Inglaterra, coisa que em 2019, mais de 50 anos depois, não se concretizou.

Assim, o terceiro ano de The Crown então é marcado por esses momentos isolados, mas como falamos importantíssimos para a história inglesa, que já planta sementes para a próxima temporada, onde teremos a introdução de duas figuras importantes que marcaram a história da família ao seus modos: a primeira ministra Margaret Thatcher (Gillian Anderson) e a Princesa Diana (Emma Corrin).

Você pode ler as críticas dos primeiros anos aqui (1ª temporada) e aqui (2ª temporada).

Miguel Morales

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