The Boys | Crítica da 1ª Temporada

A Marvel Studios completou 10 anos de seu universo cinematográfico, a DC Comics levou os filmes de super-heróis para as categorias de atuação no Oscar, e depois de anos e muitos filmes, séries de TV e produções focadas em diversos personagens, parecia que o tema entraria em um natural desgaste. Mas, não se engane, The Boys vem aí como a continuação do sopro de mudança para o gênero, e faz, sem sobra de dúvidas, o melhor seriado sobre super-heróis no ano.

Chocante, gráfica e extremamente adulta, The Boys estreia baseada nas histórias de Darick Roberton e Garth Ennis e tem a mão de Eric Kripke e Seth Rogen em sua produção. São apenas 8 episódios, o que comprova o bom ano que Prime Video vem tendo, ao apostar em qualidade versus quantidade, quando se trata de suas produções originais.

Dominique McElligott and Antony Starr in The Boys (2019)
The Boys – Crítica da 1ª Temporada | Foto: Jan Thijs/Prime Video

The Boys acerta, e muito, ao mostrar os já tradicionais super-heróis de uma forma satírica, divertida, e extremamente cativante. É o universo dos quadrinhos transportado para a tv de um jeito que o Arrowverse está anos de distância. É tudo que The Umbrella Academy quis fazer e não conseguiu. É o que a união de um bom roteiro, e um bom planejamento faz em seu melhor. The Boys é o primo zueiro e mais velho de Titãs, onde você irá amar o primeiro, se gostou do segundo.

The Boys mostra logo nos seus primeiros episódios (1×01 – The Name of the Game e 1×02 – Cherry) a normalização da figura do super-herói, onde descobrimos que, nesse mundo apresentado, ser um herói é um trabalho como outro qualquer. Assim, acompanhamos um grupo chamado de The Seven, ah lá Liga da Justiça, que são tratados como reais celebridades. Talvez, o maior triunfo de The Boys seja que a série não precisa apresentar para o público nenhum personagem visto nos quadrinhos que seja novo nas telas, os roteiristas pegam todos os arquétipos de heróis conhecidos e os readapta para figuras mais sombrias e realistas, seja o líder Homelander (Antony Starr, ótimo) uma versão loira do Superman, o velocista A-Train (Jessie T. Usher), um Flash que é causa de todos os problemas, The Deep (Chace Crawford, que mostra uma evolução dos seus tempos de Gossip Girl), uma versão mais jovem do Aquaman, e ainda, Queen Maeve (Dominique McElligott) claramente inspirada na Mulher-Maravilha.

Assim, The Boys se mostra, principalmente nos episódios 1×03 – Get Some e 1×05 – Good for the Soul, ser uma série que coloca os super-heróis nesse mundo de uma forma super interessante, num olhar afiado, minucioso e extremamente bem feito e pensado. O texto usa as figuras icônicas na pele desses novos personagens para apresentar uma crítica ferrenha ao mundo do entretenimento cercado por filmes de super-heróis que gera um sistema altamente lucrativo, onde aqui vemos eles agindo como influenciadores digitais, web-celebridades, e que colhem os frutos da fama, sem efetivamente sem se preocupar em “salvar o mundo”.

Karl Urban and Jack Quaid in The Boys (2019)
The Boys – Crítica da 1ª Temporada | Foto: Jan Thijs

A trama começa quando as ações de um super afeta a pacata vida de Hughie Campbell (Jack Quaid, muito bom) que é encontrado pelo mercenário Billy Butcher (Karl Urban, sensacional), e os dois formam, no melhor estilo bom/mau policial, um grupo de rebeldes para começar a lutar contra os heróis e a mega corporação por trás deles, a Vought International.

Assim, somos apresentados a dinâmica dos personagens da série, e para o conglomerado liderado pela toda poderosa executiva Madelyn Stillwell (Elisabeth Shue) que comanda The Seven com punho de ferro, e tem um batalhão de pessoas que precisam ainda cuidar da imagem dos heróis, criar operações de social media com fotos, aparições publicas e patrocinadas, e claro, realizar um serviço sujo aqui e ali.

Num mix de Os Incríveis (2004) com Brightburn – O Filho das Trevas (2019), The Boys faz uma das séries mais únicas, diferentes e ousadas do ano, que se destaca pela excelente escolha da trilha da sonora, e pela qualidade dos efeitos especiais que acabam por serem bastante cinematográficos, mas apresentados para a TV, aqui no caso o streaming.

Elisabeth Shue, Chace Crawford, and Erin Moriarty in The Boys (2019)
The Boys – Crítica da 1ª Temporada| Foto: Jan Thijs

Ao falar sobre a influência de mega corporações, o poder da percepção do público com os personagens, e ainda tratar sobre questões atuais como movimento Me Too, a polarização política e religiosa, The Boys faz tudo isso com um humor certeiro e completamente ácido e desbocado.

Como afirma um dos personagens logo no começo da temporada “Pessoas precisam de super-heróis”, onde aqui, apenas concordamos, e muito. Precisamos, sim, de mais produções originais, e que não tenham medo de ousar, entregar algo diferente, e que fogem um pouco da fórmula encontrada, mesmo que bastante lucrativa. Já renovada para um segundo ano, para compensar o gancho do ótimo final de temporada, o 1×08 – You Found Me, deixamos você, caro leitor, com duas mensagem aqui: assistam The Boys, se juntem no coro e falem com a gente “F*da-se os Sete!”.

The Boys chega na Amazon Prime Video em 26 de julho.

Miguel Morales

Sempre posso ser visto lá no Twitter falando sobre o que acontece na TV aberta, nas séries, no cinema e claro outras besteiras. Uso chapéu branco e grito It's Handled! Me segue lá: twitter.com/mpmorales