Tempestade: Planeta em Fúria | Crítica

Teve uma época que Hollywood era alucinada por filmes de desastre. Talvez tenha culminado com a popularização do cinema 3D mesmo que para mim sempre tenha sido uma coisa incômoda. Foi uma moda passageira com 2012 (2009) e O Dia Depois de Amanhã (2004), ai chegaram os super-heróis e dominaram as idéias e claro o bolso dos estúdios, mas o gênero sempre esteve ali e Tempestade: Planeta em Fúria (Geostorm, 2017) não foge muito do arroz com feijão do gênero de grandes destruições, eventos gigantescos acontecendo em escala global e no caso aqui a produção ainda consegue emplacar uma trama de conspiração e um drama familiar. Com ótimos efeitos especiais, o filme ainda acerta em ter um elenco bem escalado e que no final fez toda a diferença.

Com uma trama plausível, que poderia ser a realidade para daqui alguns anos, vemos o mundo mergulhado em uma série de mudanças climáticas. O começo do filme é um pouco técnico demais e corre com a história para deixar quem assiste ambientado para já partir para o que importa que aqui no caso são onda gigantes, lavas saindo do chão e furações. Claro que temos isso, afinal Tempestade: Planeta em Fúria é típico um longa de desastre mas a parte da trama que se passa em Terra e claro no espaço dentro do sistema de satélites chamado Dutch Boy é muito mais interessante e bacana de se acompanhar do que ver a destruição pura.

Foto: Warner Bros

Basicamente esse grande satélite controla e captura informações sobre o clima do mundo e consegue mensurar o que precisa cada parte do globo em termos de ajuda climática. E assim, somos apresentados para o cientista-engenheiro Jake (Gerard Butler) que desenvolveu o projeto mas foi demitido pelo Governo americano por questões políticas. Quem assume em seu lugar, é seu irmão Max (Jim Sturgess) e anos depois quando o Presidente dos EUA (Andy Garcia) precisa entregar a comando do satélite para uma organização internacional problemas começam a acontecer causando a morte de várias pessoas em diversas partes do globo.

Então o filme começa a ganhar fôlego e a parte de investigação tanto do problema com o satélite quando das causas que levaram isso tudo acontecer deixam o filme mais empolgante e com um ritmo bacana. Jake é chamado para ajudar e ele e seu irmão vão ter trabalhar juntos para resolver o problema do satélite e de suas questões pessoais. Viu? Grandes desastres, teorias da conspiração e dramas familiar, um bom combo e você achando que só veria a terra tremendo e soltando leva quente nos personagens de apoio. O filme tem umas piadas boas para aliviar a tensão como por exemplo “Case com ela!” e ainda tem personagens coadjuvantes muito bons e que fazem completamente a diferença na trama como o astronauta Al Hernandez (Eugenio Derbez) e a analista Dana (a excelente Zazie Beetz).

No meio disso tudo o drama familiar fica bem em terceiro plano, a filha de Jake, Hannah (Talitha Bateman) apenas aparece para dar aquela puxada para a realidade para o personagem e a Agente do Serviço Secreto, Sarah (Abbie Cornish) tem uma boa química com Sturgess mas sua presença acabe ficando mais dependente do personagem do namorado mesmo que o roteiro tente criar algo mais para sua personagem. São muitas tramas e algumas delas não são muito bem desenvolvidas e claro isso faz com que alguns dialogos cheguem a serem bem forçados, até um pouco manjados e a conspiração fica logo na cara quem é a mente responsável no minuto que o personagem aparece mas pelo fato da produção não focar em explodir metade do planeta e fazer cenas com efeitos especiais que confundem quem assiste ele consegue criar uma trama por fora da trama principal mesmo no final eles mesmos criaram o problema.

Gerard Butler e Ed Harris estão lá para fazer cara de maus e não tem um impacto muito grande mas também não atrapalham, o que já ajuda. Butler como aquele figurão que não segue as regras continua igual ao seu personagem dos filmes de ação Invasão à Casa Branca (2013) e Invasão à Londres (2016) e talvez isso que deixe Tempestade: Planeta em Fúria com um ar diferente. Outro destaque para a produção fica com a edição ágil e com uns cortes bacanas, então não espere nada de tsunamis de meia hora de duração e nem sequências de abraços de analistas comemorando que a onda não atingiu o Cristo Redentor, pelo contrário, tudo é meio rápido e junto com as imagens geradas digitalmente acaba ficando num tom aceitável.

Tempestade: Planeta em Fúria tem ótimos efeitos, uma trama convencível e Gerald Butler faz o papel de sempre, o que acaba não sendo tão ruim. A diversão fica em curtir o filme e ir acompanhando a trama com o desenvolvimento da história de conspiração e curtir as destruições de cidades pelo mundo à fora. Afinal, para parar o satélite você tem que descobrir quem é o responsável pelo plano de destruição, então é sentar e assistir sem fazer tempestade em um copo d’água.

Nota do Crítico:

Tempestade: Planeta em Fúria estreia em 19 de Outubro nos cinemas.

Miguel Morales

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