Suburbicon – Bem-vindos ao Paraíso | Crítica

Os irmãos Coen são conhecidos por seus roteiros afiados, por seu humor negro e claro por desenvolverem suas trama de uma forma bastante interessante com bastante viradas. Em Suburbicon – Bem-vindos ao Paraíso (Suburbicon, 2017) até se encontra essas qualidades mas ainda falta alguma coisa, tipo um chacoalhão, uma faísca ou alguma coisa marcante que faça o filme ser mais memorável.

Com um elenco conhecido do grande público, o longa dirigido por George Clooney é uma daquelas desventuras e um comédia cheia más escolhas, onde cada erro faz a trama se desenrolar de uma maneira intrigante e que te força a seguir com ela para saber o que acontece de uma forma até que interessante mas aqui não tão interessante assim, pois no final tudo acaba sendo meio óbvio demais. Suburbicon tem todos os ingredientes para ser um ótimo filme mas acaba por criar uma produção apenas ok o que não é tão ruim mas com os envolvidos sabemos que poderia ser muito mais, no final o filme é como a sua trama nem tudo é o que parece.

Foto: Diamond Films

Na história conhecemos a família Logde que vivem suas vidas num remoto bairro isolado chamado Suburbicon mas a tranquilidade do local esconde certas coisas que ao longo do filme são reveladas e desenroladas bem demoradamente. Como falamos, nem tudo é o que parece ser e ao sermos apresentados aos membros da pacata cidade isso vai ficando cada mais claro. O humor do filme tem um estilo bem peculiar, como ele te falasse “você vai dar risada, você sabe que é errado”.

Assim, começamos a conhecer mais sobre os personagens e depois que trabalhador Gardner Lodge (Matt Damon), a esposa Rose e sua irmã gêmea Maggie (as ambas Julianne Moore) e o filho Nicky (Noah Jupe) sofrem com uma invasão em sua casa é que o filme tenta ganhar fôlego. Com a morte de Rose, sua irmã acaba por se mudar para a casa e assim a polêmica do acontecimento faz com que os vizinhos, a mídia local e os membros de Suburbicon fiquem assustados com a tamanha violência e começam a colocar a culpa no casal que acabou de se mudar para a casa do lado, Os Mayers (Karimah Westbrook e Leith M. Burke) a primeira família de negros a se mudar para esse bairro predominante branco. Assim eles começam a sofrer uma série de preconceitos silenciosos que ao longo do filme começam a ser ameaças mais diretas mostrando a verdadeira realidade dos moradores de Suburbicon e talvez é ai que Suburbicon, o filme falhe.

O roteiro dos irmãos Coen tenta a todo momento deixar a trama dos Mayer paralela a dos Lodge, mostrando que os vizinhos perturbam uma famíla sem motivo enquanto a outra vive com segredos, traições e mentiras. Com um estilo muito parecido com dos outros filmes da dupla como Fargo e Queime Depois de Ler a trama dos Lodge acaba se desenvolvendo das maneiras mais malucas e estranhas possíveis e a trama dos Mayer fica mais como plano de fundo passando paralelamente. O foco do filme então fica em descobrir mais sobre o que aconteceu e como as consequências do assalto afetam a rotina da família Lodge. Tudo isso acaba por deixar a roteiro fluido mas ao mesmo tempo acaba por passar um sentimento de incomodo e aflição muito grande afinal os personagens agem de uma forma estranha como se estivessem vivendo numa realidade fora do normal por mais fantasioso que o filme tenta ser.

Unidos por eventos que vão se desenrolando de forma bem avulsa, a cada problema vamos conhecendo mais do mistério e a cada novo personagem vemos o castelo de cartas perfeito de Suburbicon (tanto o bairro quanto o filme) desmoronar. Matt Damon acaba entregando uma atuação dentro do esperado mesmo que claramente seu personagem poderia ter sido interpretado por Clooney que assumiu a direção, Julianne Moore ganha bastante destaque ao fazer dois personagens e sua dona de casa dos anos 50 está fantástica e muito bem acertada tanto no tom, quando sentimento angelical misturado com um tom de ameaça.

Foto: Diamond Filmes

O menino Noah também consegue captar bem seu personagem e até rouba a cena e vários momentos. Mas o destaque fica mesmo com Oscar Issac que faz um papel pequeno de um corretor de seguros completamente empolgante e que se une a trama de uma forma bastante interessante e que move e avança o filme para seus momento de virada, afinal graças a ele puxamos a cortina que cobre Suburbicon (o bairro) e seus personagens revelam suas verdadeiras faces.

Para alguns Suburbicon, o filme pode parecer previsível e pensando na trama de uma forma geral acaba sendo mas talvez pelo fato de se esperar muito da dupla em termos de roteiro quem é fã acabe por se decepcionar. O longa tem uma caracterização de época muito boa, desde do figurino até as casas do condomínio e a direção de Clooney não é ruim, apenas que o filme tenta muito inteligente quando não é ou passar aquela sensação de que você precisa rir das situações por mais estranhas que ela seja.

A produção tenta criticar diversas coisas: o racismo, o estilo de vida americano, o papel da mulher dentro de casa e acaba por não focar e falar em nada. Em Suburbicon, A é B e B é C mas isso não faz do filme ser ruim apenas que não tem a mesma sagacidade de outras produções e deixa uma sensação que alguma coisa está faltando e não mostra sua verdadeira face mesmo quando todos os personagens acabam fazendo de uma forma outra.

Nota do Crítico:

Suburbicon – Bem-Vindos ao Paraíso chega aos cinemas brasileiros em 21 de dezembro.

Miguel Morales

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