Sol da Meia-Noite | Crítica

Sol da Meia-Noite (Midnight Sun, 2018) acaba fazendo um filme teen bonito e emotivo onde nos entrega uma trama batida, carregado naquele romance meloso e nada diferente do que estamos acostumados em longas do gênero.

Nesse drama, o espectador já deve entrar na sala do cinema suspeitando do que irá acontecer, mas o diferencial de Sol da Meia-Noite para os outros filmes no estilo Nicholas Sparks é seja talvez a interação de seus personagens principais, dinâmica que acaba sendo uma das coisas mais interessantes do filme.

Foto: Diamond Films

Em poucas palavras, o romance é o famoso e conhecidíssimo garota-conhece garoto onde os filmes vem contando histórias de casais desde de sempre. Mas aqui, temos Katie (Bella Thorne que parece ter destravado e faz uma atuação mais solta do que seus últimos e difíceis longas), uma garota de 17 anos que passou grande parte de sua vida dentro de seu quarto por conta de uma doença rara chamada XP (xeroderma pigmentosum) que não permite que ela entre em contato com a luz do Sol.

O filme engrena e ganha seus ares de romance quando ela encontra com Charlie (Patrick Schwarzenegger numa atuação sofrida) um rapaz que ela sempre acompanhou da janela de seu quarto mas nunca teve a oportunidade de falar pessoalmente. O melhor do filme fica com as cenas entre os dois, sempre à noite, devido a doença que ela não conta para ele logo de cara.

Com as jogadas de câmera bem interessantes, o filme pula de passagens e passagens dos dois indo em festas, visitando parques de diversões e sorveterias onde as cenas são embaladas com muita música tiradas de uma rádio jovem (ou de uma playlist online) e declarações melosas de amor deixam o filme com um ar leve e despretensioso mas que acabam com as chances de um incluir um drama um pouco mais necessário no filme.

As tramas paralelas são apresentadas e logo descartadas como tudo envolvendo o pai (Rob Riggle) e a melhor amiga (a engraçada Quinn Shephard) que apenas estão lá para orbitar na personagem principal. A possibilidade do filme também colocar um pouco de drama para o personagem de Schwarzenegger também é completamente descartada talvez pelo fato da produção não ter tempo para desenvolver tudo aquilo ou até mesmo pelas condições do ator em questão, deixamos essa reflexão para vocês.

Foto: Diamond Films

Em Sol da Meia Noite até mesmo quando os segredos são revelados ao longo da trama, a falta de preocupação em como nos apresentar eles na história acabam deixando o longa bastante previsível, como se os produtores abusassem da boa vontade de quem assiste e falham em tentarem construir as coisas de uma forma natural e erram em deixar as coisas acontecerem de uma forma forçada só para rolar aquela emoção. Você até se emociona em algumas momentos que acabam sendo bonitos como, por exemplo, as cenas no hospital ou até mesmo em uma noite no pier da cidade, mas em outros tudo acaba ficando meio off, meio desconectado e até mesmo embaraçoso.

O filme acaba banhado em kilos de açúcar que deixam a trama meio cafona e em Sol da Meia Noite é como se estivéssemos em um clipe daqueles coloridos e cheio de doces da cantora pop Katy Perry mas com uma música triste de relacionamento cantada pela outra cantora pop Taylor Swift, que até citada no filme. No final, você se sente mal por ter caído no truque melodramático do roteiro e nas escolhas da direção.

Com uma trama bem parecida com os filmes Um Amor para Recordar (2002) e Tudo e Todas as Coisas (2017), aqui Bella Thorne não chega a ter o mesmo carisma em tela que Mandy Moore tem ou o frescor de Amandla Stenberg mas acaba surpreendendo ao fazer um personagem um pouco fora de seus padrões “bitchy” e entre uma música e outra até que a atriz fica bem.

Nota do Crítico:

Sol da Meia-Noite estreia nos cinemas brasileiros em 14 de junho.

 

 

Miguel Morales

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