Silêncio | Crítica

Unindo um dos melhores diretores de Hollywood, um elenco encabeçado por dois dos mais excelentes atores da nova geração e um tema polêmico como religião, o drama Silêncio consegue fazer nisso tudo um filme bem interessante. Com a excelente fotografia, a produção foi indicada a essa categoria nesse ano, depois de ser esnobada em outras, e com atuações muito impactantes que provam que uma boa história e direção ajudam e muito.

Foto: ImagemFilmes

A história pode parecer simples de imediato, dois padres portugueses Sebastião Rodrigues (um excelente e numa atuação cuidadosa e bem minuciosa de Andrew Garfield) e Francisco Garpe (um irreconhecível e muito talentoso Adam Driver) partem para o Japão em meados de 1640 para ir atrás de um outro colega (Liam Neeson) que sumiu após a religião católica ser proibida oficialmente no país. Com muitas cenas visuais muito bem escolhidas por Rodrigo Prieto (de O Lobo de Wall Street)  e atuações bem impactantes o longa nos mostra uma reflexão importante sobre os ensinamentos católicos e como o desconhecido ainda gerava um receio da parte daquela população que era mais pobre e acabou por se agarrar na fé proibida que lhes foi tirada. Acompanhamos bastante a jornada do Padre Rodrigues e claro na sua missão de fé, em que ele além de provar a si teve que provar aos outros em momentos de crise onde, segundo ele, o silêncio entre o próprio e Deus era gritante.

O ator Andrew Garfield, entregou uma atuação bem tocante, com uma inocência mas também com bastante certeza nas convicções do personagem mesmo quando os momentos eram dos piores e sua própria fé era colocada em xeque. Vindo de uma franquia mal sucedida de super-herói e vindo para um dos seus principais filmes um pouco mais sérios o ator entregou mais do que foi pedido pelo papel sendo um desperdício o filme não ter sido indicado a mais nada nas principais premiações. Adam Drive já vinha mostrando sua desenvoltura no seriado Girls mas por ser um único papel o ator tinha ficado um pouco marcado até vermos sua atuação no novo filme da saga Star Wars. Diferente de Garfield o personagem dele era complexo e bem trabalhado o que em Silêncio foi ainda mais atenuado. Em virtude também pela transformação gigantesca que o ator teve que passar (ele perdeu mais de 20 kg para o filme).

Martin Scorsese usa o debate religioso como o pano de fundo da história somos mostrados aos dois lados. Um lado os únicos padres do Japão que celebram as missas escondidos e fazem contrabando de imagens e objetos religiosos e do outro como a guarda do inquisidor do governo japonês (Issei Ogata) faz a repressão da cultura. A renegação das crenças católicas não já basta para eles e sim a humilhação tanto física quando psicológica fazem um trabalho de introdução a cultura e costumes do pais.

Fotos: ImagemFilmes

Assim Silêncio nos mostra além de tudo ser um filme para questiona os valores religiosos e claro serve também para gerar perguntas e dúvidas sobre a jornada que os personagens passam e o quão a religião é importante e as vezes a única coisa que as pessoas podem ter quanto se tem pouco ou quase nada. O peso do silêncio as vezes é maior que a fé em si.

Nota do Crítico:

Silêncio estréia nos cinemas em 09 de Março.