Sicário: Dia Do Soldado | Crítica

Sicario: Dia Do Soldado (Sicario: Day Of The Soldado, 2018) até faz um filme de guerra impactante e extremamente violento mas o roteiro demora para engrenar e chega a ser um pouco confuso em diversos momentos, onde o longa sofre com muita coisa acontecendo em muito curto espaço de tempo.

Mas as atuações, principalmente de Josh Brolin, estão dentro do tom e do esperado para uma produção do gênero e desse porte. Benicio Del Toro também retorna com seu personagem do primeiro filme, entrega uma atuação cometida e se destaca por fazer uma das cenas mais grotescas do ano.

Stefano Sollima comanda a direção dessa sequência do longa de 2015, Sicario: Terra de Ninguém e nesse segundo filme, não retornam nem a atriz Emily Blunt e nem o diretor Dennis Villeneuve o que deixa a produção parecer ter um brilho a menos.

Foto: Sony Pictures

Em Sicario: Dia do Soldado, acompanhamos novamente o governo dos EUA que monitora a fronteira do país com México, um tema que anda bastante presente na cobertura internacional dos jornais devido as políticas da Administração Trump em relação a imigração.

Nesse filme não temos a definição de quem está no comando mas sim que o alto escalão do exército junto com o Secretário de Defesa (Matthew Modine da série Stranger Things) quer bolar um plano para diminuir a presença dos cartéis de droga sem prejudicar a relação entre os dois países. Assim, a responsável pela operação (Catherine Keener) precisa de pessoas que topem fazer o trabalho numa missão secreta e por baixo do radar.

O filme apresenta uma atualização em como os cartéis tem agido para garantir o lucro na fronteira mostrando que se antes o que era vantajoso era transportar cocaína e outras drogas agora o foco é o trafico de pessoas que querem imigrar para os EUA.

Sicario 2 é apoiado numa realidade gigante e fala sobre um tema super atual, o problema é o filme se prende em diversas pequenas tramas que a princípio não se conectam em momento nenhum para depois lá na frente, depois de quase 1 hora e pouco de história se juntarem de uma forma bem conveniente tanto para o roteiro quanto para os personagens.

Foto: Sony Pictures

O filmetem em sua trama, uma missão confusa comandada por Matt Graver (Brolin, ótimo) de sequestrar a filha de chefão do tráfico (Isabela Moner, conquistando Hollywood uma participação de cada vez) e culpar uma outra família que domina outra região do tráfico. Mas isso tudo ao dar errado acaba por explodir diretamente na cara de que executou o plano o que deixa o filme cansativo e jogado a própria sorte como os imigrantes que tentam passar pela fronteira com os coiotes.

Nem mesmo as politicagens e as traições criadas no final, para dar uma explicação aquilo tudo que aconteceu, acabam sendo satisfatórias para a audiência. Afinal, acompanhamos toda a missão “impossível” dos personagens de Brolin e Del Toro para tudo dar errado sempre e quando dá certo é bem difícil de se comprar. Aliás Del Toro, como falamos, faz uma das cenas mais grotescas e gráficas do ano com seu personagem Alejandro penando no deserto depois que o plano dá muito errado para ele.

No final, Sicario: Dia do Soldado até faz um bom filme de guerra e usa suas partes violentas para criar uma contextualização mesmo que desnecessária para quem assiste e que talvez seja mais puxada para chocar o público ao mostrar um filme um pouco diferente dos outros de ação e fazer um longa que não seja um drama psicológico de guerra como foi o primeiro filme.

Nota do Crítico:

Sicario 2: Dia do Soldado chega em 28 de junho.

Miguel Morales

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