Shurato: e a pressa que é inimiga da perfeição

Quem lembra da coqueluche que foi Pokemon no fim da década de 90 sabe que, depois do sucesso dos monstrinhos de bolso, várias series explorando a tradicional “rinha de galos” se apoderaram da temática. Daí vieram coisas boas, como Digimon (a primeira temporada) e outras nem tanto (alguém se lembra de Monster Rancher?). Contudo, até hoje, vira e mexe, produções do gênero pipocam nas TVs mundiais pelo simples fato da formula ainda vender – e muito.

Quando Os Cavaleiros do Zodíaco surgiu e fez sucesso (leia aqui), era de se esperar que outras empresas bebessem da mesma fonte e lançassem seus guerreiros com armaduras. Contudo, uma produção em particular chamou a atenção de maneira negativa: estou me referindo a Shurato (Tenkū Senki Shurato, 1989).

Shurato

Sei que o Rei Shura tem sua base de fãs no Brasil e não quero tirar o mérito da história, que usa como base a filosofia hindu. O problema de Shurato está naquilo que deveria ser seu ponto forte: a animação.

Com 38 episódios e uma série em OVA, a trama que fala sobre um grupo de guerreiros com armaduras celestiais e que protegem uma deusa pacífica (reconheceu o plot?) fez algum barulho no Japão, França e no Brasil.

Mas o que transformou Shurato numa série B, sendo que seguiu de perto os acertos de Saint Seiya? A resposta é única: a pressa na hora de produzir o desenho.

Os primeiros capítulos de Shurato são bem elaborados, com um design que chega a chamar atenção. Alguns planos são bastante atraentes e as lutas bem ensaiadas. Contudo, como o show veio na rebarba de Cavaleiros e queria aproveitar o sucesso dos defensores de Athena, teve pouco tempo para ser elaborado. Assim, a medida que a história avançava era possível ver artes mal finalizadas, animações fracas e até mesmo a falta de coloração de alguns personagens. Isso fica mais evidente na segunda temporada, onde até mesmo o cenário fica faltando em alguns cenas.

Shurato tinha tudo para alcançar um nível que Os Cavaleiros do Zodíaco não chegaram. Personagens que evoluíam com o tempo e uma narrativa mais criativa fizeram-se presente na obra, contudo, a falta de cuidado dos produtores fizeram com que o anime caísse no esquecimento em vários países.

A série ainda possui vários fãs e o anseio por um remake vive no coração de muitos. Quem sabe em breve a história do Mundo Celestial não ganhe justiça e se destaque no mercado de animes atual?

André Ricardo

Fã incondicional de séries e filmes dos anos 80 e 90, mas também dou chances para as produções atuais.