Shazam! | Crítica

Apenas diga a palavra mágica e entre no novo mundo que a DC Comics oferece nos cinemas! Com Shazam! (2019) vemos o trabalho de formiguinha, que começou lá em Mulher-Maravilha (2017) e depois chegou em Aquaman (2018), de mostrar e introduzir novos personagens dos quadrinhos para o grande público, tem dado certo. Por enquanto.

Shazam! tinha uma grande tarefa, apresentar a história do garoto que ganha poderes ao falar a palavra Shazam! para o grande público pela primeira vez. E assim, diferente de seus colegas que já eram até que bem conhecidos, Shazam! precisava ter um roteiro caprichado e bem redondinho para então introduzir o personagem para o público, e além disso, criar uma história única, com começo, meio e fim, como a DC decidiu que seria seu modelo de trabalho após Batman Vs Superman (2016).

Shazam! – Crítica | Foto: Warner Bros Pictures

E isso que o Shazam! de David F. Sandberg faz, um filme com carisma, humor e até mesmo um tom um pouco sombrio, coisa que o diretor já havia trabalhado nos seus projetos anteriores como Quando as Luzes se Apagam (2016) e Annabelle 2: A Criação do Mal (2017).

Assim, Shazam! nos introduz para novos heróis, e também em contra-partida, novos vilões para o mundo da DC nos cinemas. E ao fazer isso, o longa amplia o leque de personagens que o estúdio pode brincar a partir de agora, como deveria ter sido feito, desde do começo, com outros personagens mais conhecidos, como por exemplo, o Flash ou até mesmo o Robin, ou a Batgirl.

Shazam! faz então um filme literalmente de origem, assim como foi Homem de Aço (2103), com uma mitologia super rica, vasta e que dá bases para o espectador conhecer mais do mundo um pouco mais mágico que a DC tem tentado firmar, mesmo que aqui, o filme entregue um realismo gigante. A mão de Samberg para o drama (e suspense) é sentida aqui, onde Shazam! sabe unir a seriedade e a complexa história que envolve o desenvolvimento da figura Dr. Silvana (Mark Strong, ótimo mesmo que canastrão) como um dos grandes vilões do longa, onde o filme trabalha com uma fotografia mais escura, com a leveza do jovem Billy Batson (Asher Angel, um ator mirim para ficar de olho) ao ganhar seus poderes, e assim, descobrir como viver com eles. Nesse segundo momento, Shazam! esbanja cor e luzes, e o filme acaba por ser uma classe básica para como se tornar um super herói, com passagens inspiradas, momentos hilários e super descontraídos, onde os atores Zachary Levi (apenas fantástico!), como a versão adulta de Billy, e Jack Dylan Grazer (talentoso) como o amigo Freddy Freeman, literalmente, roubam todas as cenas!

Zachary Levi and Jack Dylan Grazer in Shazam! (2019)
Shazam! – Crítica | Foto: Warner Bros Pictures

O longa também se beneficia de uma leveza do roteiro escrito por Henry Gayden que trata alguns pontos difíceis ao falar, como crianças abandonadas, sistema de adoção, relacionamentos, e mostra que família, às vezes, são aquelas pessoas que escolhemos, bem mais do que aqueles que biologicamente nos geraram. Assim, a produção, tem uma trama que passa na época de Natal, onde Shazam! entrega toda uma aura familiar dos filmes dos anos 90, como Esqueceram de Mim (1990), e faz, realmente, um daqueles longas para se assistir e assistir várias vezes.

As conexões com o mundo da DC nos cinemas é um delírio a parte para os fãs observarem. Aqui, Shazam! tem inúmeros easter egg que o deixam ainda mais divertido de se acompanhar, de se encontrar e que vão desde desde de menções ao Aquaman, até para o Batman. E isso tudo, compensa, um pouco, o ritmo meio truncado do filme que parece ser episódico demais, onde vemos que o longa começa e finaliza alguns arcos de uma forma bem rápida, dando pouco espaço para um eventual respiro. Mas, na mesma velocidade que vemos Billy Batson gritar Shazam! e se transformar num super herói adulto, esses pequenos momentos de incômodo, acabam por passar voando.

Shazam! parece ser a realização do sonho de todo jovem garoto que é obcecado por super-heróis, e acerta e muito, ao entregar boas atuações com um texto bem cuidado e polido numa história divertida. O elenco bem escalado, liderados por Levi, e cheio de química entre si, o deixam parecer que tudo faz parte uma boa e grande família com baita coração.

Absurdamente engraçado e absolutamente divertido, Shazam!, no final, entrega uma daquelas histórias que você entra, se diverte e sai com a certeza que valeu a pena o ingresso.

Ps: O filme tem 2 cenas pós-créditos!

Nota do Crítico:

Shazam! chega nos cinemas em 4 de abril.

Miguel Morales

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