Robin Hood – A Origem | Crítica

Taron Egerton (…) é capaz de abraçar o personagem de uma forma interessante.

Em mais uma adaptação para os cinemas, Robin Hood – A Origem (Robin Hood, 2018) chega em sua versão 2018 com a promessa de entregar uma visão diferente sobre o famoso arqueiro que roubava dos ricos para dar aos pobres.

Talvez, na pretensão de querer fazer uma trama um pouco mais séria e com um tom um pouco mais realista, a produção se confunda um pouco, afinal, não dá muito para mudar uma história que vem durante anos sendo contada e adaptada.

Mas, sim, esse novo longa focado na história de Robin Hood, não é uma total tragédia, o filme tem vários problemas e faz uma produção que segue a mesma fórmula de sempre mesmo que também consiga encontrar, com dificuldade, um meio termo. E pelo lado positivo, Robin Hood – A Origem conta com algumas sequências, tanto de ação, quanto de lutas, bem bacanas e que no final, que ajudam a criar uma certa atmosfera para o filme.

Robin Hood movie review robin hood crítica
Robin Hood – A Origem | Foto: Paris Filmes/Lionsgate

O grande destaque aqui, fica com Taron Egerton, que caminha para ser um dos novos queridinhos de Hollywood, e que convence bem como o personagem, tanto na parte física quando nos momentos um pouco mais dramáticos, onde o ator é capaz de abraçar o personagem de uma forma interessante. E por mais que Robin Hood seja, bem o destaque, afinal, o filme leva seu nome, talvez Robin Hood – A Origem acerte ainda mais em escalar bem seus coadjuvantes que deixam a história um pouco mais floreada, divertida e também um pouco mais robusta.

O roteiro da dupla Ben Chandler e David James Kelly, como falamos, tenta ser um pouco mais sério do que o filme deveria ser, onde no longa, Robin de Loxley (Egerton) é um nobre de Nottingham que volta para casa após lutar nas Cruzadas e se depara com uma cidade completamente diferente de como ele deixou, marcada por um governo autoritário onde a corrupção se instala.

Assim, vemos uma trama extremamente política com conspirações e tramóias governamentais tomar conta do filme em vez de efetivamente colocar a ação na frente. É como se o Robin Hood de Egerton fosse nada mais que uma versão medieval de Bruce Wayne e Batman, com as duas persona em briga para ver quem aparecia mais em tela, onde, no final, em Robin Hood – A Origem, os produtores acabam por privilegiar mais a versão do nobre do que do vigilante.

Claro, quando a produção embarca nas cenas de ação, o filme muda totalmente de figura e acaba por ficar ágil e mais dinâmico, mas em grandes momentos e diversas passagens, o que vemos é puramente, o Xerife de Nottingham – um surpreendente bom Ben Mendelsohn – gritando que precisa de mais moedas para sustentar a guerra contra os árabes.

E se tem mais uma coisa que Robin Hood – A Origem acerta é na parceria e na química de Egerton com Jamie Foxx. Foxx faz uma versão vingativa, sangue nos olhos e bastante carismática para Pequeno John e quando em cena, o ator contribui para elevar o longa, principalmente quando ele sofre com algumas barrigadas. Já o ator Tim Minchin, como o Frei Tuck, acaba por ser o alivio cômico, tem boas tiradas e acaba por ser um personagem bem utilizado na trama.

robin hood movie review
Robin Hood – A Origem | Foto: Paris Filmes/Lionsgate

Num filme marcado por poucas mulheres, a atriz Eve Hewson, faz uma versão destemida e independente de Lady Marian, o que acaba por ser nada mais justo para um papel de destaque feminino, principalmente nos dias de hoje. Jamie Dorman, como Will, passa mais da metade do longa como um figurante de luxo, mas lá para final, o roteiro consegue dar para o ator um destaque até que merecido, onde o longa flerta com uma sequência que parece depender apenas de números de bilheteria.

Robin Hood – A Origem, no final, é uma produção que compensa uma coisa quando outra falha, as locações utilizadas deixam o filme com um realismo de época bem bacana mesmo que em algumas passagens fica claro o uso excessivo de efeitos de computação gráfica. O filme tenta ser grandioso e ter lutas épicas como Game Of Thrones mas acaba por errar seu alvo, onde poucas coisas salvam a produção que chega a ser apenas um passatempo divertido mas pouco memorável e pouco impactante.

Nota do Crítico:

Robin Hood – A Origem chega nos cinemas dia 29 de Novembro de 2018.

Miguel Morales

Sempre posso ser visto lá no Twitter falando sobre o que acontece na TV aberta, nas séries, no cinema e claro outras besteiras. Uso chapéu branco e grito It's Handled! Me segue lá: twitter.com/mpmorales