Rei Arthur: A Lenda da Espada | Crítica

Em uma narrativa já contata e recontada de diversas formas ao longo do tempo, personagens marcantes e que são figuras chave e super importantes para a trama, a grande pergunta que fica é como juntar tudo isso num novo filme sem ficar repetitivo, dar uma roupagem moderna e contar uma nova boa história?

A resposta pode até não ser simples, mas em Rei Arthur: A Lenda da Espada (King Arhur: Legend of the Sword, 2017) conseguimos ver quase todos esses questionamentos respondidos. Com direção de Guy Ritchie, dos filmes O Agente da U.N.C.L.E. (2015) e Snatch ‑ Porcos e Diamantes (2000), a produção transforma a clássica história de um Rei e sua espada em uma trama de ação cheia de aventuras, traições e claro uma pitada de fantasia.

charlie hunnam
Foto: Warner Bros

Com um elenco grandioso e liderado pelo talentoso Charlie Hunnam, da série de TV Sons of Anarchy e do inédito no pais Z: A Cidade Perdida, no papel de Arthur acompanhamos a trajetória de um rapaz que cresceu nas ruas liderar uma revolução e assumir seu lugar de direito no trono de uma Inglaterra que nem existia ainda. Nesse filme com roteiro do trio Joby Harold (Awake – A Vida por um Fio) do próprio Guy Ritchie e Lionel Wigram (Sherlock Holmes) começamos com dois irmãos Uther Pendragon (Erica Bana com pouco tempo de tela mas totalmente bem no papel) e Vortigern (um possuído e numa excelente atuação Jude Law) que tem visões diferentes de como o reino deve ser conduzido. Ao misturar e criar uma mitologia própria para explicar como magia e os magos se enquadram na história vemos que Vortigern tem contato com as forças do mal e acaba por usurpar a coroa das mãos do irmão e assim ele deixa seu jovem sobrinho entregue a sorte.

Como um filme de origem, Rei Arthur não consegue fugir muito da obviedade nesse começo, essa trama já foi vista em até nos populares Rei Leão e Harry Potter mas assim que o personagem cresce o filme ganha corpo e se destaca por sua edição e montagem rápida, ágil e dinâmica. Hunnam faz um Arthur adulto, desbocado mas confiante e com bastante presença de tela que é forçado a aceitar e descobrir seu legado a medida que enfrenta as tropas do Rei, até então seu tio desconhecido. Vortigern reina através da imposição do medo e não dá sossego para os moradores e súditos e planeja conquistar mais poderes.

Com uma fotografia excelente, belas paisagens montanhosas, tomadas aéreas grandiosas e com visuais de tirar o fôlego a produção conta com uma ótima e frenética trilha sonora aliada com efeitos especiais bem trabalhados. O filme mostra que o orçamento foi bem gasto principalmente quando a Maga (interpretada pela atriz Astrid Bergès-Frisbe) está em ação usando seus poderes ao conjurar animais gigantes ou controlar o tempo. O filme agora só precisa ir bem nas bilheterias.

Falando nos personagens isso claramente é um dos destaques positivos da produção, o de não é se apoiar aos arquétipos da lenda, como por exemplo o Mago Merlin que é citado mas não aparece. Com a promessa da criação de uma franquia com mais de 5 filmes fica claro a não utilização de outros nomes como Lancelot, Guinevere e Morgana para esse filme. É compreensível, afinal Rei Arthur: A Lenda da Espada como falamos é um filme de origem do personagem e assim sendo Arthur é o grande protagonista. Os coadjuvantes, com destaque para Bedivere (Djimon Hounsou) e Bill (Aidan Gillen) estão lá para ajudar a contar a história e montar a gangue do futuro Rei que lidera a rebelião. No final, não importa se as cenas com a maioria deles não é desenvolvida de maneira satisfatória pois tudo faz parte para moldar e encaminhar a trama até o último ato.

Foto: Warner Bros

Talvez o ritmo frenético do diretor acaba por deixar o desenvolvimento um pouco corrido mas as justificativas são apresentadas de maneira que não afeta a trama de forma nenhuma. Pelo ao contrário, o filme usa parte do seu tempo para explicar seus aspectos mais sobrenaturais de forma bem simples, coesa e sem aquela velha e boa desculpa “Ah é mágica e ponto”. A presença de forças maiores como a Dama do Lago e da própria Excalibur ajuda o espectador a navegar dentro do filme sem se perder dentro da trama.

Com uma ótima montagem e transição de cenas Rei Arhtur: A Lenda da Espada usa suas mais de duas horas para contar uma história épica, mística e com bastante humor sobre a jornada de um cara criado nas ruas até se tornar um Rei e principalmente um líder. Os trabalhos que Hunnam e Law apresentam personagens carismáticos e um pouco complexos dentro de uma trama medieval com muita ação e que é um prato cheio para os fãs de produção como as séries de TV, VikingsGame of Thrones. E claro para quem acompanha a carreira do diretor e seu estilo peculiar o filme é um evento que não pode ser perdido.

Nota do Crítico:

Rei Arthur: A Lenda da Espada estreia nos cinemas em 18 de maio.