Real – O Plano por Trás da História | Crítica

A história do País sempre é deve ser contada para se manter na mente do povo. Assim, o filme Real – O Plano por Trás da História (2017) tenta recriar a criação do plano Real que marcou um dos mais históricos momentos no Brasil independente da posição política de cada um. Com uma ótima ambientação tanto na caracterização dos personagens quanto nas informações apresentadas para relembrar o espectador da época o filme ganha força graças a excelente atuação de Emílio Orciollo Neto.

Foto: Paris Filmes

O nacional se passa em um Brasil que vivia uma grande crise política e claro, econômica em momentos um pouco parecidos como o que estamos vivendo atualmente. O Presidente tinha acabado de sofrer um impeachment e o povo estava descontente com os acontecimentos no Governo. Juntando tudo isso, o País estava vivendo uma hiperinflação que em bom português, era quando os produtos ficaram mais caros, o país estava em recessão por conta da falta de empregos e a moeda ficou bastante desvalorizada em relação as outras, no caso o dólar que ditava o câmbio.

Assim, o récem Presidente Itamar Franco (um caricato Bemvindo Sequeira) resolve formar uma força-tarefa para criar um novo plano econômico para tentar salvar a economia. O filme então, bem didaticamente, mostra o problema e claro a solução na forma do professor Gustavo Franco (o fora de si e muito bem no papel Orciollo Neto). O ator consegue deixar o personagem interessante e o molda como um Frank Underwood da economia, onde tudo tem seu plano e ele sempre está um passo a frente dos outros e assim acompanhamos a trajetória do personagem que vai de professor universitário, com um complexo de Deus, até Presidente do Banco Central.

Um dos grandes destaques da produção é tentar mostrar que Franco não é o herói que salvou o país mas sim um cara que fez tudo para que o Plano Real saísse do papel e tivesse sucesso. Com um roteiro dinâmico de Mikael de Albuquerque a produção tem seus lados ruins e acaba por falhar ao tentar criar um clima de filme de assalto como Onze Homens e Um Segredo ou super-heróis como o polêmico Esquadrão Suicida ao tentar fazer a equipe formada pelo economista ser descolada, cool e com um propósito de criar uma nova moeda na equipe mas nisso tudo um conseguimos ter uma boa atuação dos participantes da força-tarefa com o destaque para o ator Guilherme Weber que forma como se fosse um contra-ponto ao personagem principal.

Foto: Paris FIlmes

O passo à passo do projeto foi pincelado em momentos rápidos e explicados de maneira simples o que pode deixar o público mais aliviado afinal estamos tratando de um filme focado para um público comum não um documentário econômico. Com cenas rápidas e projeções bem interessantes de Brasilia a direção de Rodrigo Bittencourt não sabe muito bem lidar com algumas interações forçadas entre alguns personagens e alguns palavrões sem necessidade mesmo que para quem acompanha filmes nacionais sabe que isso é comum.

Se passando tanto no presente onde vemos a atuação fantástica de Cássia Kiss como uma jornalista que acaba por entrevistar Gustavo Franco que relembra os fatos em ordem cronológica faz como o espectador até se aproxime do protagonista mesmo sabendo como a história iria terminar (pelo menos os mais velhos).

Real – O Plano por Trás da História é um filme é baseado no livro de Guilherme Fiuza, 3000 Dias no Bunker – Um Plano na Cabeça e um País na Mão que tenta contar de maneira bem simples alguns dos fatos mais importantes da história recente do país. Com um protagonista que sabe segurar as pontas e uma trama que foca mais em uma trajetória individual de uma pessoa ao tentar glamorizar suas atitudes do que em contar propriamente dita um momento complexo o filme tem seus méritos mesmo com apresentando uma visão bem romantizada da situação.

Nota do Crítico:

 

Real – O Plano por Trás da História chegará aos cinemas no dia 25 de Maio.