Rampage: Destruição Total | Crítica

Dwayne Johnson, o The Rock para o cinema daqueles filmes no estilo blockbusters está tipo banana para macaco. É uma garantia de um filme que deve fazer um bom dinheiro e levar um entretenimento descompromissado para quem assiste.

E Rampage: Destruição Total (Rampage, 2018) é nada mais do que isso: uma produção que não se vende como um filme sério que tem um The Rock salvando o mundo sozinho, afinal ele é a estrela, bons efeitos visuais e claro muitas explosões e destruição de prédios, cidades e tudo mais. Ou seja, todos os elementos riscados no manual “Como fazer um filme de Ação por Dwayne Johnson”. 

Foto: Warner Bros

Para os mais antigos Rampage é um jogo de video-game onde os jogadores poderiam escolher qual grande monstro gostariam quer ser, entre um gorila, um crocodilo ou um lobo gigante. Assim, a cada cidade destruída mais pontos a pessoa acumulava e a idéia era sempre fugir do exército e destruir mais cidades. E como foi em Jumanji: Bem-Vindo à Selva (2017), The Rock pega um nome conhecido do grande público e nos entrega um filme com uma nova abordagem e um pouco mais moderna. Mesmo não tendo o mesmo charme do filme baseado no jogo de tabuleiro, Rampage tem em sua adaptação alguns elementos clássicos que remetem ao jogo mesmo que poucos mas que estão lá.

No filme nenhum dos personagens se transforma em monstros, as versões gigantes e ameaçadoras se dão pelo fato de experimentos científicos que foram conduzidos por uma grande empresa lá no espaço e que acabam caindo em pontos diferentes na Terra. E talvez a grande falha de Rampage: Destruição Total seja essa, se os personagens humanos/vilões não estão lá para se transformarem nos monstros qual a motivação deles? Assim, o filme consegue ter no elenco nomes conhecidos mas que deixam o elenco inchado com seus personagens são pouco aproveitados e quem tem pouco tempo de aparição, sendo em muitos casos grandes figurantes de luxo. Em Rampage, não temos um super desenvolvimento de história ou motivações explicadas tanto da parte dos mocinhos como da parte dos vilões, tudo é meio escondido no roteiro que chega a ser apressado em diversos momentos.

Com pouco de tempo de tela, os personagens humanos principalmente os vilões Brett (Jake Lacy) e Claire (Malin Akerman) Wyden são completamente descartáveis e unilaterais. A dupla comanda a organização Energyne, responsáveis pelos experimentos e no filme é apenas descrita com uma companhia cheia de recursos e que vê oportunidades de ganhar dinheiro a todo custo. E como qualquer outra organização mega-evil, quer dominar o mundo e seus diretores fazem acabam fazendo a versão humana da animação Pink e Cérebro, ela mais fria e calculista e ele mais atrapalhado e bobalhão. O que acaba sendo um desperdício total.

A ameaça maior fica com os monstros gigantes que acabam sendo a melhor parte do filme. Eles são muito bem feitos por imagens geradas por computação e passam até um sentimento de ameaça enorme afinal eles destroem tudo que vem pela frente. O roteiro usa o bom e velho truque de fazer cenas dramáticas com pausas engraçadinhas e um The Rock piadista, coisa que funciona em poucas partes mas acaba ficando cansativa depois de um tempo.

Foto: Warner Bros

Em Rampage temos o personagem de Johnson disputando espaço com um Gorila gigante de “bom coração” e um agente do governo misterioso, interpretado pelo sempre na linha entre ser canastrão ou não Jeffrey Dean Morgan que também acaba embarcando nessa de falar com frases de efeito somado com um horrível jeito de policial cowboy do Velho Oeste. A atriz Naomie Harris tem um arco um pouco mais dramático no filme e até rola uma química bacana com The Rock mesmo que no final tudo sobre a personagem e seu plot fique um pouco jogado demais, tanto em seu desenvolvimento de personagem quando de sua presença na história.

Talvez por conta do 3D o filme tem umas cenas feitas para deixar o espectador parecer que está dentro do que acontece do longa, seja na batalha dos monstros ou um avião explodindo e o para-quedas que tem dificuldades  para abrir com os personagens rodopiando no ar. Não vamos negar as cenas de ação são bem bacanas e empolgantes mas Rampage parece ser aquele típico que não irá te marcar na memória, mesmo com um gorila gigante saltando de tempos em tempos em tela. Gorila que aliás rouba as cenas e tem quase todos os melhores ganchos cômicos para eles.

No final, Rampage: Destruição Total é mais um daqueles filmes de ação pipoca de destruição. Tem as cenas de desastres gigantes com a câmera filmando tomadas abertas para mostrar a ameaça dos monstros que são beeeeeem mais interessantes que os vilões humanos. The Rock vem numa quantidade de acertos até impressionantes no ano passado mas Rampage não chega muito a empolgar e acaba sendo apenas ser mais do mesmo, não sendo uma destruição total na carreira do ator e nem um destaque.

Nota do Crítico:

Rampage: Destruição Total chega nos cinemas em 12 de Abril.

Miguel Morales

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