Queer Eye | Crítica da 1ª Temporada

Não se enganem Queer Eye é uma das melhores coisas que a Netflix já fez e você definitivamente deveria assistir! Antes de mais nada, independente de gênero, orientação sexual ou até mesmo gosto televisivo, esse reality show mostra ser um programa que espalha amor, aceitação ao próximo e valoriza as relações humanas em um mundo completamente maluco e cheio de intolerância.

O reality acerta em contar com “casos da semana” super interessantes que vão além da parte da reforma em si ao ter como apresentadores cinco caras completamente alucinados, adoráveis e claro fabulosos (cada um a sua maneira) que comandam as transformações e ajudam os convidados a mudarem as diferentes partes de suas vidas de uma forma completamente empolgante, na medida que eles tem a oportunidade de serem uma melhor versão de si próprios.

Em ordem Bobby Berk, Karamo Brown, Antoni Porowski, Jonathan Van Ness e Tan France. Foto: Netflix.

Para quem caiu de para-quedas aqui, o que você precisa saber sobre Queer Eye é que o programa é um reality show de transformação e tem cinco apresentadores que atuam em diferentes áreas de expertises: Bobby Berk, cuida da parte de design e arquitetura, Antoni Porowski é responsável por comida e bebidas, Jonathan Van Ness de cabelo e cuidados com o corpo, Tan France é responsável por figurinos e moda e o guru de cultura, Karamo Brown completa o quinteto que viaja pelo estado americano da Georgia ajudando homens a mudarem de vida melhorando seus estilos, auto-estima e claro sua aparência.

E o maior destaque de Queer Eye é que além dos rapazes serem super bem humorados e nos entregarem garantias de boas risadas sempre que estão interagindo um com os outros e principalmente com os convidados que em sua grande parte são homens heterossexuais, o programa ainda se preocupa em aprofundar seus episódios com temas polêmicos como questões raciais, de aceitação e que falam também sobre perda de parentes, sexualidade e do sentimento e sensação de participar de uma comunidade, o que gera capítulos super emotivos como “1×01- Feiura Não Tem Conserto, “1×04 – Saindo do Armário e “1×06 – O Renascimento de Remington“.

Foto: Netflix

E o bacana é que cada episódio meio que foca em uma das áreas de expertise dos rapazes, por exemplo no “1×02 – Repaginada Total” temos a história de um programador indiano que tinha uma autoestima super baixa e vivia numa casa antiga com seu cachorro e a medida que ele precisa ser mais social, por conta de um projeto no trabalho, os Fabulosos vão dar uma ajuda para ele mudar seu visual e seu apartamento. E sem muitos spoilers aqui talvez, esse episódio talvez faça a mudança física mais radical em termos de visual.

Já no “1×06 – O Renascimento de Remington” temos um rapaz que morava na casa da avô e que ainda mantinha o visual dos anos 80 com móveis e decoração ainda intactos para preservar a memória dela. Além de ser um episódio super bonito por honrar a importância da família, o episódio foi talvez aquele com uma maior mudança onde transformação no ambiente foi total e no final tudo na casa foi mudado completamente, deixando a casa com um visual jovem.

Por se passar num Estado conservador americano, o interessante dessa nova versão é mostrar a aceitação dos convidados ao participarem do programa que mostra como as diferenças devem ser trabalhadas entre eles e os rapazes. Nos episódios vemos que além dos participantes levaram um tipo de lição para casa, os próprios Fabulosos também mudaram suas visões em algumas coisas como por exemplo suas relações com policiais, ou aprenderam um pouco de novas culturas e acabaram por tirar má impressões sobre religiões e outras coisas que eles trazem com eles mesmos mas vemos mudar ao longo dos episódios.

Queer Eye tem humor, uma dança de salão cheia de bombeiros treinando valsa, tem drama, uma colcha de retalhos que te fará chorar e se emocionar e no final o reality show é a definição de um programa de realismo, altamente viciante e que acerta ao mostrar que um mundo completamente diversificado cada um pode aceitar um pouco da realidade do outro e que podemos aprender uma coisinha ou outra um com os outros.

Queer Eye disponível na Netflix com 8 episódios para sua primeira temporada.

Miguel Morales

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