Punhos de Sangue | Crítica

Normalmente o protagonista da história é realmente a pessoa que ganha um destaque no filme mas em Punhos de Sangue (Chuck, 2016) a vida de Chuck Wepner é finalmente contada e colocada em destaque mesmo com o fato que ele sempre foi quase em tudo: o quase vencedor de um título de boxe, o quase marido perfeito e quase que teve sucesso com um filme baseado nele mesmo. Assim, quase 40 anos depois, um pouco da sua trajetória é mostrada na telona com atuações bastante impressionantes do elenco principal formado por Liev Schreiber e Elizabeth Moss.

Foto: California Filmes

O filme conta a história do vendedor e lutador que inspirou a criação da franquia de Rocky nos anos 70. A produção estrelada e produzida por Sylvester Stallone foi um sucesso de bilheteria ao mostrar a vida de um lutador de boxe que era a aposta menos certa ao vencer o título de campeão. Na vida real Chuck aguentou uma luta por 15 rounds contra o famoso Muhammad Ali. Com uma ótima ambientação dos anos 70, o filme é essencialmente uma história de desenvolvimento de personagem, uma, claro não tão interessante quando Rocky mas assim dramática na medida certa, mostrando os altos e baixos do protagonista e tudo que ele passou ao tentar sair da vida de vendedor de bebidas até conseguir fama no boxe.

Ao sempre desapontar sua esposa Phyllis (a fantástica como sempre Elisabeth Moss), Wepner acaba por entrar numa espiral de ilusão ao conseguir ganhar um pouco de fama mesmo depois de ter perdido a luta. O importante era aguentar alguns rounds, ele aguentou 15. Com um histórico de sangrar muito e o apelido de The Bleeder o lutador conseguiu trazer fama para o bairro e assim começou a tirar uma vantagem dessa situação depois que o filme baseado nele saiu e fez sucesso. Rocky – Um Lutador ganhou o Oscar de Melhor Filme em 1977 mas o cara que serviu de inspiração para o roteiro, não ganhou nada, só uma boa história para ser contada em bares e para pegar mulheres.

No filmes vemos que Chuck não é uma pessoa boa ou o mocinho da história e a produção não faz nada para esconder. Ele tratava mal as mulheres, bebia e usava drogas e no final sempre pensava nele mesmo e isso para quem assiste acaba por ser ótimo pois nos entrega uma ótima atuação de Liev Schreiber que acaba sendo bem física e dramática.

O ator caminha junto com o personagem na sua ascensão e queda e consegue passar com muita realidade muitas das situações que faz o espectador acreditar na veracidade e claro ele é o grande destaque da produção.

Foto: California Filmes

Os personagens coadjuvantes dos atores Ron Perlman como o treinador Al BravermanNaomi Watts como garçonete Linda acabam por ficar a deriva na trama, o primeiro depois que Chuck começa a perder lutas e a segunda ao só aparecer mais no último ato para ser a salvadora do personagem.

Em Punhos de Sangue, vemos uma história sobre um personagem não tão conhecido que acaba por protagonizar um filme não muito grande comercialmente mas que acaba por mostrar que uma boa direção com um roteiro ok pode levar ótimos atores a fazerem um filme interessante. Mesmo a produção acabar por contar uma história de uma história. No final Chuck Wepner fica imortalizado duas vezes (ou 7 vezes se você contar todas sequências de Rocky) mesmo que o filme não tenha tanto sucesso como o original.

Nota do Crítico:

 

Punhos de Sangue chega aos cinemas no dia 25 de maio.