Predadores Assassinos | Crítica

Predadores Assassinos (Crawl, 2019) é um daqueles filmes em que tudo poderia dar errado, e no final, acaba tudo dando certo pelos mesmos motivos. Com um orçamento enxuto, 13 milhões de dólares, Predadores Assassinos se garante no talento de sua protagonista para fazer um filme tenso e desesperador. E todo esse hype em cima da produção, refletiu em sua bilheteira, que ao redor do mundo chegou em quase 100 milhões de dólares, sem ter estreado em muitos mercados importantes como China, Japão, e aqui no Brasil que chega agora no final de setembro.

A produção faz um longa no estilo casa assombrada, mas que não depende de elementos sobrenaturais para causar uma sensação incômoda e claustrofóbica de medo a todo momento. Isso se dá pelo fato de Alexandre Aja, mesmo diretor de Piranha 3D (2010), conseguir trabalhar bem as sequências em locais fechados e pequenos, onde vemos Haley (Kaya Scodelario, muito bem) ficar presa no porão de uma casa cheia de jacarés durante uma tempestade tropical em Miami.

Predadores Assassinos – Crítica | Foto: Paramount Pictures

E a grande sacada de Predadores Assassinos é essa, fazer um filme que deixa o espectador na ponta da cadeira o filme todo, agoniado com o que poderá acontecer com a protagonista e seu pai que estão presos na enchente, o que garante alguns jumpscares bem intencionados. Embaixo da água, numa casa cheia de jacarés famintos, ninguém pode te escutar abafar os gritos, tampar os olhos, e pular de susto.

Predadores Assassinos mostra que mesmo com um roteiro simples, nomes não muito conhecidos em Hollywood, e uma trama que tem poucos atores em tela, ainda dá para fazer um bom filme de gênero com uma boa dose suspense e drama.

E isso se dá ao fato que o roteiro, escrito pela dupla Michael Rasmussen e Shawn Rasmussen, saber apresentar e fazer o espectador se conectar com a história de Haley e o drama familiar que cerca a jovem. Assim, os roteiristas vão contando mais sobre o passado da garota, na medida que ela precisa enfrentar seus medos e sua relação com seu pai Dave (Barry Papper), antes que os dois virem comida para jacarés.

Predadores Assassinos consegue criar uma ambientação que te faz acreditar que os atores estão mesmo cercados num bairro atingindo pelo furação. A produção cria via efeitos visuais, que até poderiam ser melhores feitos não negamos, para a grande tempestade, que destrói o cenário na medida que o evento climático se intensifica. Assim, o grande mérito de Predadores Assassinos é fazer um filme com uma tensão crescente, onde a história a cada momento, e a cada situação, fica mais difícil e inimaginavelmente complicada para os protagonistas de conseguirem sairem vivos da situação.

Predadores Assassinos – Crítica | Foto: Paramount Pictures

O roteiro sabe disso, e chega até mesmo assumir que o espectador irá comprar as habilidades um pouco fora do comum que a dupla tem para superar as adversidades que a tempestade se impõe sobre eles, seja de trazer mais jacarés para a região, ou até mesmo inundar e destruir o local onde eles estão presos.

No final das contas, Predadores Assassinos navega sua trama de uma forma bem interessante, e faz, sem sombra de duvidas uma das grandes surpresas de 2019. Um filme que te faz querer saber o que irá acontecer com os personagens, a qualquer custo, por mais surreal e maluca que toda a situação possa parecer. Bem-vindo a magia que só o cinema pode proporcionar, e avisamos… cuidado com o jacaré.

Nota do Crítico:

Predadores Assassinos chega em 26 de setembro nos cinemas.

Miguel Morales

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