Power Rangers | Crítica

Quando a noticia que Power Rangers iria voltar numa nova sequência as reações foram das mais variáveis, principalmente daqueles que acompanharam a série original Mighty Morphin Power Rangers. Alguns falaram “ah besteira melhor nem mexer nisso” e outros “oba aceito”. O filme não estava sendo levado muito a sério devido ao fato da escalação dos principais personagens serem atores desconhecidos do grande público. Até que meio de surpresa a Lionsgate liberou que a atriz Elizabeth Banks, conhecida por seus papéis em comédias românticas e a cinessérie Jogos Vorazes, seria a vilã Rita Repulsa.

O filme além de ganhar alguns pontos positivos, fez as pessoas começarem a ficar curiosas sobre a produção até que Bryan Cranston, o premiado ator da série Breaking Bad entrou no elenco como Zordon. Aí a história mudou e tudo que saía sobre o filme era envolvido com muita expectativa e bastante barulho nas redes sociais. Assim, ao ser liberado as primeiras cenas, o filme tinha duas grandes preocupações: ter uma boa história e claro os efeitos especiais serem bons.

Foto: Lionsgate/Paris Filmes

Em Saban’s Power Rangers (2017) acompanhamos a história de um grupo de adolescentes comuns que devem se tornar extraordinários guerreiros  quando descobrem que sua cidade, a Alameda dos Anjos, bem como o resto do mundo, estão prestes a serem destruídos por uma ameaça alienígena. Um ótimo resumo para uma famosa história de origem aliado com a saga do herói. Mas o que faz esse filme ser diferente dos outros?

Primeiramente o elenco quase desconhecido escolhido: Naomi Scott como Kimberly (a queridinha Ranger Rosa) representa a menina moderna e descolada, independente, mas como todo adolescente tem suas dúvidas. A atriz tem seus momentos e realmente se mostra bem quando o roteiro, que já não é muito complexo, exige um pouco mais dela. Becky G como Trini (a sempre meio apagada Ranger Amarela) aparece pouco comparado com seus colegas, mas em duas cenas em que tem destaque ela consegue entregar uma performance bem interessante ao levantar situações importantes para moldar futuras meninas por ai com um tema um pouco mais polêmico, mas super importante de ser discutido.

O elenco masculino o destaque fica para o hilário personagem de RJ Cyler como Billy (Ranger Azul). O nerd/geek também mostra o caminho da diversidade ao explorar um personagem diferente do tradicional que foi representado nos primeiros anos da série original e é o grande alivio cômico, com piadas e situações engraçadas que claro foram desenvolvidos em torno da habilidade e timing do ator para comédia. Os atores Ludi Lin como Zack (Ranger Preto) e Dacre Montgomery como Jason (Ranger Vermelho) tem seus dramas mostrados e desenvolvidos no filme, mas não oferecem muito além do pedido, sendo que Montgomery aparece bem apático em muitas cenas.

A apresentação dos personagens principais é bem interessante e consome bastante tempo do filme durante sua primeira hora. A produção também se apoia em filmes do gênero adolescente na escola e não foge muito do que foi apresentado em séries de TV, como por exemplo da emissora The CW ou do filme cult O Clube dos Cinco.

Falando ainda de elenco, temos Cranston que aparece como voz em uma parede a lá Mágico de Oz e usa sua principal ferramenta no melhor estilo. Ele impõe medo e respeito e junto com os efeitos especiais suas cenas ficam bem fluidas e interessantes de acompanhar. A produção do filme escalou o ator justamente pelo tom mais sério que ele passa e claro acertou 100% nesse quesito. Outro acerto foi a personagem Rita Repulsa, Elizabeth Banks rouba as cenas, a atriz, uma das últimas opções para esse papel, fez um excelente trabalho ao usar a linguagem corporal para dar um toque meio fetichista meio lagarto para a vilã. O visual da atriz muito bem trabalhado durante vários momentos do longa mostrou sua evolução e sempre mostrando seu lado cômico meio psicótico afinal ela é a personificação do mal puro.

Foto: Lionsgate/Paris Filmes

Assim Power Rangers une um bom, mas simples roteiro de origem com todos os personagens principais ganhando histórias e camadas interessantes e tendo que resolver seus próprios problemas (seja ele problemas com os pais, com a justiça ou em até mesmo a própria sexualidade) antes de entrar de cabeça no maior problema que é salvar o mundo de Rita Repulsa, que está atrás de um cristal que pode destruir todo o planeta. O longa tem piadas dentro do tom e nos momentos certos, uma grande nostalgia embaladas com a música tema Go Go Power Rangers e com um trilha sonora bem empolgante e contextualizada. O filme não nega que é a parte 1 de várias sequências e sabe qual é seu público.

Dica do Arroba Nerd: o filme tem cenas pós-créditos.

Nota do Crítico:

Separamos 4 Coisas que gostamos no trailer de Saban’s Power Rangers tem estreia marcada para 23 de março de 2017 e os ingressos já estão disponíveis no site do filme horademorfar.com.br.