Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar | Crítica

Quem ou melhor qual estúdio em Hollywood não segue fórmulas não é mesmo ? Afinal, quando um filme pode gerar mais de milhões de dólares em retorno e dar uma continuidade numa franquia que já fez bastante sucesso e continua ainda sendo lembrada pelo carisma de seu ator principal a máxima de não se mexe em time que está ganhando é melhor das práticas. Então, o Estúdio Disney, com os olhos mirando um futuro lucrativo retoma a saga do pirata bêbado e que entorta as pernas com um novo filme de Piratas do Caribe, dessa vez com o subtítulo A Vingança de Salazar (Pirates of the Caribbean: Dead Men Tell No Tales, 2017).

Se ainda o principal problema do estúdio fosse o comportamento de Johnny Depp (não vamos entrar no mérito nesse texto) mas não, o filme teve outras complicações até estrear nos cinemas: uma campanha de marketing e divulgação tardia, uma sequência de eventos envolvendo piratas da vida real querendo roubar o longa e distribuir ele na internet e os boatos de problemas na produção. Tudo isso só mostra que a vida pirata, não é fácil.

Mas talvez os dois maiores problemas com a franquia em si é que primeiro ela vinha sofrendo com a imagem muito desgastada desde do terceiro longa (talvez o mais fraco de todos No Fim do Mundo, 2007) e em segundo pela famosa fórmula pronta: o mundo em perigo, além precisa da ajuda do pirata bêbado que só pensa nele mas no final acaba ajudando todos entre um gole de rum e uma cantada malandra.

Foto: ©Disney Enterprises, Inc.

Já no caso de A Vingança de Salazar (como o filme foi lançado nos outros países fora dos EUA), a trama principal segue um caminho parecido do que já vimos: Com uma atuação mais do mesmo mas que acaba sempre sendo interessante em assistir, Deep retorna como Sparrow para esse quinto filme e fica com as melhores sacadas e piadas do roteiro

O Pirata acaba cruzando com algumas pessoas do seu passado entre eles o Capitão Salazar (um ótimo e bem perturbado Javier Bardem), um espanhol que lidera um exército de homens fantasmas assassinos e está disposto a matar todos os piratas existentes na face da Terra e claro se vingar de Sparrow por conta de uma desavença no passado entre os dois. Junto com essa rixa entre a dupla, a trama gira em torno da busca do Tridente de Poseidon um artefato mitológico que faz quem o possuir ter o poder de controlar o mar e se livrar de toda e qualquer maldição.

Fórmula pronta? Prontíssima!

Mas aos trancos e barrancos e com algumas piadas aqui e ali o filme funciona, dentro do esperado. Claro, ele fica dentro da fórmula afinal, não podemos mudar muito os componentes senão o resultado que sai acaba sendo completamente diferente do esperado. A inclusão de dois novos protagonistas, Henry Turner (um esforçado Brenton Thwaites) e Carina Smyth (uma grata surpresa Kaya Scodelario) movimentam a trama, mesmo que os dois tenham o mesmo propósito e o motivo apresentado no filme seja bem justificável e bem apresentado, quem acaba dando liga nos plots apresentados e é o denominador comum entre todos é personagem de Depp.

A mocinha inteligente e destemida de Smyth lembra o frescor e inocência mas sempre independente de Elizabeth Swan (Keira Knightley) que dá o seu olá novamente. O ator Geoffrey Rush retorna mais carismático do que nunca no papel de Capitão Hector Barbossa e consegue até roubar umas cenas.

Uma das partes positivas do filme é que tudo é explicado e o roteiro de Jeff Nathanson deixa tudo mastigadinho para quem por ventura pulou um o outro filme da franquia. As tramas que a principio parecem andar separadas da rixa entre Sparrow, Salazar e Barbossa se unem num belo mix, digno da série Once Upon a Time.

A tarefa de juntar todos os plots e tramas talvez deixe o Piratas do Caribe 5 com uma pequena barriga e uma sensação de zig-zag entre as narrativas mas o longa se apoia no que os outros filmes da saga tiveram de melhor como por exemplo na cena de abertura bem na parte onde vemos um roubo a banco. Você percebe que está tudo lá sem mudar muito: os golpes impossíveis, as sequências de lutas no mar, as piadinhas pontuais e Sparrow se fazendo de bêbado mas no final conseguindo se salvar.

Foto: ©Disney Enterprises, Inc.

Com um grande destaque aos efeitos especiais, principalmente na maquiagem dos piratas fantasmas, o trabalho da produção tem seu ponto forte no personagem de Salazar e seu navio amaldiçoado. O quinto filme em resumo é isso, ele não revoluciona a franquia, não supera os dois primeiros mas fornece uma volta a atmosfera e ao clima de descontração que sempre foi a marca dos filmes.

Precisávamos de mais um Piratas do Caribe? Não. Mas com A Vingança de Salazar o retorno é acertado na medida certa como se fosse um agrado para os fãs que no final vão agradar a Disney no que ela está interessada, a bilheteria. Como nós falamos, o filme não inova mas também não afunda o barco (ou o Pérola Negra se preferir) ele apenas navega por águas (não) tão misteriosas deixando o baú da curiosidade bater na porta de opções que o espectador tem quando vai escolher um filme para assistir nos cinemas. Não é o Final do Mundo.

Aviso do Arroba Nerd: O filme tem cena pós-crédito!

Nota do Crítico:

Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar chega aos cinemas do Brasil no dia 25 de maio