Perfeita é a Mãe 2 | Crítica

Sendo uma das grandes surpresas de 2016, a comédia Perfeita é a Mãe (Bad Moms, 2016) passou um pouco despercebida no circuito do cinema na época do seu lançamento mas ganhou destaque quando entrou nos serviços de streaming logo em seguida. Mesmo com um elenco de nomes grandes o filme acabou sendo uma ótima sessão pipoca para uma tarde descompromissada Perfeita é a Mãe, veio na onda de Missão Madrinha de Casamento (2011) e conseguiu entrar na lista de boas comédias com tema familia e o que a Netflix chama de “Comédias de final de noite”. Assim, o segundo filme lançado agora em 2017, segue a mesma fórmula do primeiro, mesmo não tendo o mesmo frescor e sentimento de novidade envolvido, a comédia consegue acertar nas piadas e deixar o filme com tom ainda mais ácido, mais sexual e claro faz com que as mães fiquem ainda mais boca suja.

Foto: Diamond Films/STXfilms

A trama de Perfeita é a Mãe 2 (A Bad Moms Christmas, 2017) é basicamente a mesma que do primeiro filme, o trio de mães acaba se revoltando com os afazeres domésticos e resolvem ter um momento delas. Dessa vez troca-se o ambiente escolar para as festas de final de ano e quando Amy (a sempre ótima Mila Kunis) resolve ter um Natal mais tranquilo com o novo namorado e os filhos, uma bomba cai em sua cabeça: ela descobre que sua mãe Ruth (Christine Baranski) vem passar as festas com ela e com a sua visita trazendo a pressão de fazer uma festa perfeita.

Agora com mais mães na jogada a comédia parece depender mais dos momentos sem noção que deu certo no primeiro filme. Os momentos malucos com a câmera lenta, marca registrada do longa, estão de volta mas claro que não tem a mesma intensidade que o primeiro passou. Em Perfeita é Mãe 2, a recriação da cena do mercado acontece com a cena no shopping, onde as mães depois de algumas cervejas resolvem tocar o terror nas lojas e na fila para tirar foto com o Papai Noel. A sequência é super bem feita, engraçada e bem dirigida mas lá no fundo acaba passando a sensação que os produtores deixaram ela um tom acima e que ela as cenas ficaram um pouco mais forçado que deveria de propósito. É como se os roteiristas estivessem preenchendo uma check-list de coisas que deram certo no primeiro filme.

Com uma dose excessiva de palavrões que a versão brasileira tenta dar uma amenizada, como “sua vaca” vira “sua bruxa” e etc, Perfeita é a Mãe 2 tem muito mais momentos picantes (envolvendo depilações e strip-tease de Papai Noel com tanquinhos) e piadas de cunho sexual envolvidas. A personagem de Kathryn Hahn, a desbocada Carla, acha uma parceira à altura nas mãos de Susan Sarandon, que interpreta sua mãe porra louca, Isis (isso mesmo, igual a organização terrorista) no final as duas acabam tendo uma trama um pouco mais isolada das demais e completamente batida. Por outro lado, a sempre competente e hilária Kristen Bell carrega nas costas a parte com sua mãe Cindy, uma apagada Cheryl Hines que acaba por depender muito de objetos físicos para fazer seu humor acontecer e no final sua trama é uma piada esticada ao longo do filme.

Foto: Diamond Films/STXfilms

Mesmo assim o roteiro da dupla Jon Lucas e Scott Moore, que também dirigem o longa, se garante com algumas piadas mesmo que no final acabe repetindo muitas delas, o tom e timing acabam sendo certo para o contexto do filme. As piadas de Perfeita é a Mãe 2, não são tão politicamente correto e normalmente vem junto da personagem de Baranski como a super controladora e elitista, Ruth. A personagem acaba sendo uma metralhadora de insultos, alguns diretos outros disfarçados de elogio e as piadas envolvendo a origem hispânica de Jessie (Jay Hernandez) são a cereja do bolo. Baranski rouba todas as cenas e realmente é a melhor coisa dessa comédia, seja arrastando uma árvore de natal caída pela casa ou até mesmo mostrando uma relação afetuosa com os netos.

O grande é acerto de Perfeita é A Mãe 2 é que o roteiro sabe que não é lá grandes coisas e mesmo com a doideira envolvendo o trio principal, as melhores cenas ficam quando as três atrizes tem cenas juntas e conseguem interagir entre elas e Hahn, Kunis e Bell sem dúvida tem uma ótima química. No final, o trio é tão bom assim para segurarem um novo filme? Talvez não, mas é interessante verem as três de volta, mesmo que com sentimento que o estúdio apressou a execução da sequência e que as piadas foram feitas nas coxas em alguns momentos, principalmente envolvendo alguns dos personagens secundários. O roteiro consegue pontuar bem a parte um pouco mais dramática que acaba entrando em cena nos momentos finais e meio que se sobrepondo no ritmo frenético que o filme passa mas acaba gerando mais trocas entre as atrizes que tem talento suficiente para desviarem  dessas falhas.

Debochado, com um humor bem peculiar, Perfeita é Mãe 2 não chega a ser melhor que o primeiro filme mas entrega uma comédia de Natal com piadas ácidas e que garantem rápidas risadas. Com um elenco muito bem escalado e desbocado, todas as mães e suas mães acabam tendo suas histórias desenvolvidas, Baranski e Kunis destacam e formam uma dupla e tanto.

Perfeita é a Mãe 2 é uma continuação mais gritante, histérica e cheia de palavrões e que deixa o Natal mais engraçado mesmo que não consiga oferecer nada muito de novo, no fundo são as mesmas mães, com muito mais piadas.

Nota do Crítico:

Perfeita é a Mãe 2 chega nos cinemas em 7 de Dezembro.

Miguel Morales

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