Pé Pequeno | Crítica

Sabe aqueles filmes que quando o material de divulgação sai, você se empolga, deixa gravado na memória as informações sobre ele, mas depois acaba por deixar de lado em meio de tanto outras produções tanto no cinema quanto na TV? Então… esse é o caso de Pé Pequeno (Smallfoot, 2018).

A animação teve seus primeiros vídeos divulgados lá no ano passado e ficou marcada como a animação da Warner Bros sobre o Pé Grande que ia chegar em 2018.  Então o tempo passou, as novidades vieram depois de um bom tempo e você acaba por lembrar dele de novo, logo depois a lista de dubladores originais é divulgada (e só gente boa no elenco) mas mesmo assim é vida corrida que segue e o filme parece que nunca ia estrear.

Mas ai, Setembro está para terminar, o momento da produção estrear chegou e olha só, Pé Pequeno de pequeno só tem o nome, pois, no final, o filme é uma grande e baita surpresa e faz uma animação divertida, leve, com personagens carismáticos e o mais importante, que acerta ao passar uma mensagem super bacana de amizade, respeito e sobre escolher seu lugar no mundo.

Pé Pequeno entrega um filme super infantil e focado para o público bem mais jovem onde, mesmo assim, não deixa de ser uma animação encantadoramente adorável, com um roteiro inteligente e cheio de questões mais sérias e que ajudam a contar sua história de uma forma bem interessante.

No final das contas, PéPequeno é um grande acerto em termos de filmes do gênero e eleva ainda mais o patamar de 2018 marcado por boas animações como Os Incríveis 2 e Hotel Transilvânia 3. 

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Foto: Warner Bros Pictures

Na trama, conhecemos Migo (voz no original de Channing Tatum) que vive em comunidade com os outros Yeti, numa montanha cheia de regras ditadas por pedras milenares e que acaba por encontrar com um humano, um personagem de folclore local chamado de Pé Pequeno, uma daquelas coisas que ninguém do vilarejo achava que existia de verdade. Mesmo desacreditado pelo outros moradores e pelo Chefe Protetor das Pedras (voz no original de Common), Migo parte para provar que os humanos são reais de verdade mesmo que ele tenha que desrespeitar as regras do seu povoado e suas próprias crenças.

Assim, ele encontra com o humano Percy (voz no original de James Corden), um apresentador de TV que vê na oportunidade uma forma de alavancar sua carreira, e a dupla vai tentar mostrar para a vila que humanos e Yetis podem viver em harmonia. O roteiro de Karey Kirkpatrick e Clare Sera aborda temas um pouco difíceis para crianças compreenderem como, por exemplo, acreditar em rígidas e antigas regras (literalmente cravadas em pedra), grandes instituições e histórias que impõe um certo padrão de vida (numa clara alusão para religiões) mas acerta em deixar a história leve onde a complexidade desses assuntos fica diluída por conta dos personagens secundários fofos e encantadores e claro entre uma canção e outra.

PéPequeno tem uma trama bem feita, cheia de pequenos momentos engraçados e, como falamos, uma trilha sonora com várias canções chicletes, mas bem inseridas durante a trama, e acaba por fazer tudo que faz uma boa animação. Os destaques ficam para a versão de Under Pressure que foi adaptada e traduzida de uma forma bem bacana para a história e é cantada por James Corden no original. E ainda sobre a trilha sonora, não duvide também se a música Wonderful Life, cantada por Zendaya no original (e por Julie na versão nacional) aparecer nas próximas premiações na categoria de Melhor Canção Original.

Assim, a animação tem um tom bem cartunesco, com traços e efeitos de computadores que não chegam a estar no mesmo nível da Disney-Pixar mas que fazem um bom papel no vasto branco das montanhas onde o filme se passa.  As situações e os personagens de  PéPequeno também acabam por se apoiar em situações bem caricatas como quedas, queimaduras e tombos e que acabam por dar o tom mais cômico para o longa o que no final chega a ser super aceitável para uma produção do gênero.

PéPequeno acaba por ser uma boa e (gelada) deliciosa supresa. No final das contas o filme é mais do que uma simples animação e consegue transmitir sua mensagem de tolerância e aceitação ao próximo de uma forma bem agradável.

Nota do Crítico:

PéPequeno em 27 de setembro nos cinemas.

Miguel Morales

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