Paixão Obsessiva | Crítica

Paixão Obsessiva (Unforgettable, 2017) estréia em tempos em que a mulher pode ser e escolher o que quiser podendo passar por uma super-amazona lutando e buscando justiça numa Liga formada só por homens, a ser Presidente de Empresa e até uma dona de casa. Então, ter um filme dirigido, escrito e produzido por mulheres é uma grande chamada para atrair um público não só feminino aos cinemas ainda mais com duas atrizes conhecidas no mercado como Katherine Heigl, conhecida por seu trabalho na série de TV, Grey’s Anatomy e Rosário Dawson também com um papel de mais destaque na TV como a enfermeira Claire nas séries da Marvel/Netflix.

Assim teríamos mais um grande avanço pela igualdade de gêneros, liderados por campanhas de atrizes que querem receber o mesmo valor de salário que seus colegas homens e claro pela evolução de mulheres no cinema e em Hollywood, certo?

Errado. Pelo menos no caso de Paixão Obsessiva

Temos aqui um filme que tem produção de Di Novi, Alison Greenspan e Ravi Mehta e roteiro Christina Hodson e nele acompanhamos a história de Julia Banks (Dawson) que acaba por ficar noiva de David (Geoff Stults) e vai de mudança de Nova York onde trabalhava numa revista para California morar com o companheiro e com a filha Lily (Isabella Rice) que ele tem com a ex-esposa Tessa (Heigl).

Foto: Warner Bros

Rosario Dawson faz um mega trabalho para desenvolver profundidade a sua personagem e sabe mostrar humanidade e uma sensibilidade ao demostrar em tela todo o sofrimento e angustia de Julia, que passou por problemas com um ex-namorado que a agredia constantemente. Então, vemos que ele acaba sendo preso e uma ordem de restrição ser imposta contra o cara. Assim, depois de ter arrumado sua vida com a ajuda de amigos, ela vê em David uma nova chance de ser feliz, mas esbarra com uma poderosa ameaça, a ex-esposa dele. Logo após o noivado ser anunciado ela começa a sofrer as ameaças anônimas, do mesmo modo que nós espectadores sofremos ao assistir o filme, que resumidamente é um jogo de gato e rato atrás do queijo e mostra duas mulheres brigando por um homem.

O suspense dramático chega de certo ponto até a ser tragicamente engraçado pelo fato das armações de Tessa para cima da noiva do seu ex-marido serem tão surreais como o caso do celular e da aliança perdida. Mas algumas cenas no longa chegam a ser completamente plausíveis e possíveis em alguns momentos, como por exemplo a criação de um perfil falso nas redes sociais. O filme tenta e não consegue incluir um mistério e um suspense pelo fato que a ordem de restrição contra o ex agressor ter expirado vemos Julia ficar cada vez mais refém dentro da sua nova casa. A medida que a produção se desenvolve vemos também o quão isso acaba por afetando a filha criança afinal as ameaças começam a atingir a menina. O jogo de disse me disse acaba por agravar algumas situações criadas por Tessa.

Foto: WARNER BROS PICTURES

Aliás, Heigl está roboticamente assustadora como a personagem, sua atuação é fria, calculista e tudo pensado nos mínimos detalhes fazendo a gente esquecer aquelas outras moças engraçadinhas de comédias românticas que impulsionaram a carreira da atriz até certo ponto.

Se a idéia do filme era tentar servir de alerta para as pessoas verem como há a possibilidade de pessoas ficarem dependentes de uma outra para serem feliz, ele falha miseravelmente. Paixão Obsessiva é uma série de eventos exagerados e cafonas, com cenas surreais de ruins e até com uma trilha sonora má executada que não chega aos pés do que as atrizes principais merecem para mostrar seu talento. Nem o já batidão recurso de flackback utilizado no começo do filme serve para alimentar a curiosidade pelo desenvolvimento da trama. E as poucas sacadas e plotwists são precariamente colocados no filme que deixa uma sensação de cansaço e interrogação estampada na cara ao sair da sessão.

Nota do Crítico:

Paixão Obsessiva estréia dia 20 de abril aqui no Brasil.