Os Meninos que Enganavam Nazistas | Crítica

Em Os Meninos que Enganavam Nazistas (Un Sac de Billes, 2017) conhecemos uma história que une momentos simpáticos e emocionantes sobre dois meninos judeus que tentam escapar dos horrores da Segunda Guerra Mundial e precisam se reencontrar com sua família. O melhor do filme fica por acompanharmos e vermos as interações dos dois que são jogados no mundo ao tentarem ter uma chance durante o caótico momento que a Europa vive e também continuarem a manter a inocência de criança.

Muitos filmes contam a história do Holocausto mas poucos fazem como essa produção que foca em aventuras de crianças perdidas no meio da guerra e conta os acontecimentos do ponto de vida deles e não dos adultos. Não sendo tão dramático quanto O Menino do Pijama Listrado (2008) o filme usa seus personagens para contar a jornada dos irmãos Joseph (Dorian Le Clech) e Maurice (Batyste Fleurial) até a zona para refugiados depois que seus pais resolvem escapar da França no meio da guerra.

Os dois atores mirins estão relativamente bem e conseguem demostrar doçura junto com um atrevimento e uma sagacidade sem tamanho. As personalidades deles são diferente e uma faz um contra-ponto com a outra, enquanto Joseph o mais velho é um pouco mais vivido, mais alarmado e um pouco mais esperto, Maurice acaba por ser mais aventureiro e mais inocente e vive tentando acreditar no melhor das pessoas.

Foto: Paris Filmes

A trama começa mostrando o cotidiano da família em Paris onde os pais viviam em comunidade e os garotos na escola mas muda bem drasticamente quando os pais decidem ir para o Sul encontrar com os outros irmãos mais velhos e decidem mandar as crianças sozinhas para despistar os soldados. O filme então ganha ares novos onde o mundo é grande e inexplorado e o roteiro faz dos meninos uma espécie de desbravadores conhecendo novos territórios e terras diferentes fora daquilo que eles conheciam na cidade. As paisagens francesas são espectaculares, muito bonitas e casam com o sentimento de alegria, espontaneidade e liberdade, a direção soube aproveitar bem os planos abertos de forma bem interessantes. Mas claro que não são tudo flores afinal, a guerra está acontecendo e o sentimento de que eles vão ser capturados pelo soldados alemães fica presente o filme todo, mesmo que às vezes, num tom mais adormecido.

A medida que o longa, baseado em uma história real, desenvolve sua trama vemos de fato como os presos de guerra eram tratados nos campos militares. Ao precisarem mentir sobre suas origens, o filme faz um grande paralelo de amadurecimento tanto em relação a história contada, eles não são mais crianças brincando no campo e estão presos prestes a serem jogados para um campo de concentração alemão quanto com o desenvolvimento dos personagens principais.

As cenas de reencontro com os familiares são tocantes e mostram bastante como as esperanças e medos poderiam tomar conta da vida das pessoas. Mesmo com uma repetição um pouco desnecessária nesse movimento de separa a família, reune a família, o filme meio que se alonga um pouco demais mas o sentimento que acaba passando ao final é bem positivo. Talvez, por conta do ritmo, o longa acaba por dar soluções um pouco fáceis e até romantizadas mas isso não impede, claro, dele ser bastante emocionante várias passagens.

Os Meninos que Enganavam Nazistas é um filme interessante e que sabe bem mesclar momentos engraçados e agradáveis mesmo usando um pano de fundo de guerra, o que sempre uma receita para o drama com situações emocionantes e bastante tristes. Com destaque para o elenco de atores mirins o filme se aproveita de contar a história do ponto de vista das crianças para criar um trama com um ar mais simples e que consegue explicar bem uma parte da nossa história que precisa ser lembrada para não se repetir.

Nota do Crítico:

Os Meninos que Enganavam Nazistas chega aos cinemas no dia 3 de agosto.