Os Incríveis 2 | Crítica

Lá em 2014 quando o CEO da Disney, Bob Iger anunciou oficialmente que a sequência de Os Incríveis (2004) iria sair do papel, muitos ficaram felizes e empolgados pelo retorno da Família Pêra depois de tanto tempo. O primeiro filme, foi um dos mais bacanas da Era 2000 da parceria Disney e Pixar e juntamente com Monstros S.A. (2001) e Carros (2006) essas produções marcaram época por entregarem animações fora do padrão contos de fadas quase sempre prioridades nos desenhos do estúdio.

E depois de tanto tempo, Os Incríveis 2 (The Incredibles 2, 2018) retorna aos cinemas com a mesma sagacidade do primeiro, com os mesmos personagens empolgantes e um humor delicioso de se acompanhar. O diretor Brad Bird que é novamente responsável pelo roteiro, entrega uma história divertida e faz novamente um filme inspirador e carismático numa sequência realmente ainda mais incrível.

Foto: Pixar – © 2018 Disney/Pixar

Parece que os Pêra nunca estiveram longe por tanto tempo, o que acaba sendo um grande acerto, o que faz do filme, sem dúvidas, ser uma das melhores animações do ano (até agora). Logo nos primeiros minutos, o espectador já é jogado naquela atmosfera meio retrô que o filme apresentou lá em 2004 e ao som da música tema o tãntãtãn, Os Incríveis 2 te transporta numa velocidade gigante (Oi, Flecha) para o universo animado onde os super-heróis ainda continuam ilegais no mundo mesmo que ainda existam super-vilões querendo destruir as cidades por aí.

O maior diferencial aqui, é que o filme não se preocupa em apresentar nada, nem ninguém e já parte para contar sua história de onde o primeiro parou. Garantimos que o longa continua com aquele humor leve marca característica da franquia e que nesse filme isso é explorado de uma forma muito mais constante devido a presença de adorável Zezé. Em Os Incríveis 2 começamos a descobrir junto com o personagem seus poderes que vão de combustão, até olhos de raio-x, realmente toda a dinâmica do bebê incrível com o restante da família faz de Zezé ser uma das melhores coisas do filme. Violeta com a sua eterna paixão pelo colega Toninho, continua com sua trama completamente adolescente e Flecha com seu comportamento agitado e sua curiosidade sem tamanha também fazem bons e hilários momentos.

Se a parte mais intensa do humor fica com as crianças em diversas situações, é com os adultos que a trama fica mais séria, como foi no primeiro filme. Na trama, Roberto e Helena continuam com aquele dilema sobre trabalharem como super-heróis e também criarem a família, mas em Os Incríveis 2, vemos que a Sra. Pêra continua com a aquele brilho nos olhos e pega carona nessa onda girl power para trazer os holofotes para si, numa decisão acertada dos produtores. E fica claro que, no final, o filme é basicamente dela, sem sombra de dúvidas.

Então, na sequência vemos a Sra. Incrível indo trabalhar fora de casa e o Sr. Incrível ficar em casa para cuidar das crianças, e o filme acerta em nos mostrar uma inversão dos papéis fantástica e que geram as melhores partes do longa. Toda a interação entre Roberto e as crianças com as tarefas do dia-a-dia, desde das aulas de matemática até alimentação saudável são uma ótima quebrada na ação que rola solta enquanto Helena, se estica (literalmente) no batente combatendo o crime e na luta para fazer com que os super-heróis voltem à ativa.

Foto: Pixar – © 2018 Disney/Pixar

Os Incríveis 2 em termos de narrativa se assemelha bastante ao primeiro filme, temos a família tentando conciliar o dia-a-dia “normal” com seus poderes e claro a presença de um vilão misterioso que só dá as caras lá para metade do filme apenas para dar dor de cabeça para os protagonistas. Mesmo que para os mais velhos, a virada no filme possa não ser tão impressionante e que as revelações para tanto as motivações do mascarado tecnológico quando para o que leva os personagens até a grande batalha lá nos momentos finais possa talvez não chegar a surpreender, uma coisa é fato, em Os Incríveis 2, a jornada acaba sendo mais satisfatória que o final em si, até mesmo quando as coisas acabam sendo resolvidas de uma forma bem cômoda.

A sequência ainda marca o retorno dos carismáticos personagens como o super-herói Gelado e dela, a inigualável e incomparável, Edna Mode que realmente captura todas as atenções para si quando aparece. Falando neles, na sequência ainda temos a entrada de novos e importantes personagens  como Winston (voz no nacional do apresentador global Otaviano Costa), o Presidente de uma grande empresa de telecomunicação e Evelyn (voz no nacional da atriz global Flavia Alessandra), sua irmã e gênia tecnológica ah lá Steve Jobs, que acabam sendo personagens à altura para Roberto e Helena e mostram um nível gigante de preocupação dos produtores com detalhes para o desenrolar da trama.

A entrada da dupla acaba por agregar e muito para uma certa complexidade para história que acaba por flertar com temas como espionagem, numa vibe meio da série americana Mr. Robot, invasão de privacidade, puxando um gancho para a série da HBO, Westworld e claro a percepção do público com as notícias falsas, como tudo que anda rolando na imprensa nos dias de hoje.

Enfim, Os Incríveis 2 faz um filme de super-herói engraçado, cheio de ação e visualmente impactante. O retorno dos Pêra entrega, um longa agradável e que vem com uma nova trama que amplia a história já contada dentro desse universo. O filme acerta em cheio no sentimento de nostalgia, onde temos novas aventuras com os mesmos personagens que nos fizeram vibrar e se apaixonar há tantos anos.

O maior triunfo é que a sequência acaba por ser incrivelmente fantástica e trazer de volta Os Incríveis como se o primeiro filme tivesse sido lançado há pouco tempo. Mesmo depois de tantos anos, a franquia volta com o mesmo frescor de antes isso é um feito e tanto e uma coisa não imaginaríamos ver novamente.

Nota do Crítico:

Os Incríveis 2 estreia no Brasil em 28 de Junho de 2018.

 

Miguel Morales

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