Os Guardiões | Crítica

A idéia de juntar um time de super-heróis não é inédita, nem muito criativa depois que já temos inúmeras produções da Marvel e da DC sobre esse assunto. E aqui nessa produção russa eles até fazem uma trama esforçada, mas o filme tem muitos problemas que deixam a trama de Os Guardiões (Guardians ou Zashchitniki no original russo, 2017) um pouco confusa.

A premissa do filme é até simples, uma agência russa realizou um projeto experimental que testava os limites humanos pelas mãos de um cientista. Depois que a força-tarefa é fechada, cada uma das cobaias segue seu caminho, precisa esconder suas habilidades do resto do mundo e viver o mais normal possível. Até que uma ameaça, os fazem sair das sombras e se encontraram para salvar a cidade de Moscou e também o mundo.

Foto: Paris Filmes

O filme tem até seus lados positivos como por exemplo os poderes dos personagens que são interessantes a medida que cada um tem uma habilidade diferente que ajuda a contar a história e mostrar um pouco da personalidade individual do grupo. Arsus (Anton Pampushnyy) talvez tenha ficado com a dom mais legal e interessante. Interessante para a gente que assiste e não para o personagem deixamos claro. Ele se transforma em um grande urso que tem uma força e tamanho descomunal, diferente do Coisa de Quarteto Fantástico, ele tem o poder se se transformar em humano novamente. 

Ler (Sebastien Sisak) se desta por ser o melhor dos atores em termos de atuação e seus poderes ficam melhores usados quando ele ganha seu chicote de pedras. Khan (Sanjar Madi) domina as artes marciais e seu personagem até tenta flertar com uma complexidade em termos de roteiro mas que somente citada bem rapidamente em alguns diálogos e deixada um pouco de lado. Ksenia (Alina Lanina), a única mulher do grupo, é uma mistura de Mulher-Invisivel só que movida a água e seu poder visualmente é um dos mais bonitos mas muito limitado, o que o roteiro acaba percebendo e consertando ao longo da trama. A trama romântica que os roteiristas enfiaram no desenvolvimento dela com outro personagem é chega a ser bem sem graça e super previsível. 

Os Guardiões tenta ser complexo com o cientista tentando criar novas raças de super-heróis e falha em não garantir um plot twist ao mostrar o famoso mal contra o bem e deixa muito a desejar por conta muito das atuações principalmente dos atores principais e os de apoio. Talvez, a dublagem em inglês sobre o áudio em russo deixe o filme ainda pior, parece que acompanhamos uma daquelas novelas Mexicanas no SBT onde os movimentos da boca não se conectam com as falas dos personagens e isso acaba incomodando e muito a sensação do filme.

Foto: Paris Filmes

As frases de efeito que a personagem da Major Larina (Valeriya Shkirando) usa para falar com a tela ficam cafonas e nem chegam a aos pés do envolvimento que Frank Underwood e Claire usam em House of Cards (Netflix) para quebrar a “parede”. A história não avança e demora muito para a gangue começar a lutar contra a ameaça que é sempre postergada.

Os efeitos especiais são bem interessantes e por incrível que pareça, a transformação do personagem em urso é bem legal toda vez que ele aparece. Muitos das CGI são super bonitos de se ver e às vezes nem parecem efeitos de computador. Já as cenas de lutas nos deixa com saudades das péssimas coreografias de Punho de Ferro (Netflix).

Ainda melhor que o filme Quarteto Fantástico da FOX, o novo claro, Os Guardiões são como se fosse os primos pobres de Guardiões da Galáxia e nem fazem cócegas nos parentes ricos que são Os Vingadores. Com uma trama simples mas nada empolgante o filme faz um longa totalmente Sessão da Tarde que claramente valeria a pena esperar passar na TV.

Nota do Crítico:

Os Guardiões chega aos cinemas em 31 de agosto.