Orange is the New Black | Crítica da 5ª Temporada

Orange is the New Black nunca se definiu muito bem como uma série só de comédia ou só de drama e inclusive durante a temporada de premiações, o programa sempre pendeu para uma classificação ou outra para tentar garantir indicações de seu elenco e para a série. Por exemplo, no Emmy de 2014 a série foi classificada como comédia e acabou sendo indicada na categoria de Melhor Série de Comédia, assim como as atrizes Natasha Lyonne (Melhor Atriz Convidada em Série de Comédia), Kate Mulgrew (Melhor Atriz Coadjuvante em Série de Comédia) e Taylor Schilling (Melhor Atriz em Comédia) e claro a vencedora Uzo Aduba que levou para casa a estatueta de Melhor Atriz Convidada em Série de Comédia naquele ano.

Mas já em 2015, com as mudanças nas regras da Academia, a série foi indicada na categoria de Melhor Drama, e a atriz Uzo Aduba foi indicada novamente pela série mesmo numa categoria completamente diferente. No final ela venceu pelo mesmo papel em Melhor Atriz Coadjuvante em Drama com o ator Pablo Schreiber foi indicado também mas em Melhor Ator Convidado em Drama.

E é talvez aí que seja o grande trunfo da série e claro dessa nova temporada: conseguir ter no mesmo episódio, diferentes personagens que caminham por diferentes tramas mas sem perder seu foco, contar histórias de mulheres numa prisão.

ALERTA DE SPOILER: Este artigo contém informações sobre alguns dos principais acontecimentos da temporada. Continue a ler por sua conta e risco.

Foto:JoJo Whilden/ Netflix

Convenhamos, OITNB sempre foi um drama com pitadas de situações cômicas e pronto. Em alguns anos, a série teve mais momentos engraçados (como na temporada 1) e outros menos (como na temporada 4) mas aqui o que importa é que ano após ano a série se destacou de outras produções pois soube mesclar assuntos sérios como abuso de poder, bullying, relacionamentos do mesmo sexo, indiferenças tanto de raça quanto de religião com momentos leves, bonitos, bem malucos e às vezes muito engraçados. E nesse ano tivemos tudo isso multiplicado por 10. Obrigado, Jenji Kohan. 

Durante a 5ª temporada, os nervos estavam a flor da pele de todas as detentas. Começando pela ala das negras, lideradas pelas personagens Taystee, Cindy, Janae e Alison Abdullah que estavam reivindicando questões importantes e logo assumiram um papel de liderança na revolução mesmo depois de tudo que aconteceu no final do quarto ano com a colega Poussey e claro com todos os acontecimentos ocorridos nos primeiros minutos do novo ano.

Outra personagem que no começo da temporada ficou um pouco avulsa da trama principal com uma história um pouco mais focada em si própria, foi Crazy Eyes que também sofreu muito com a rebelião das detentas. Isso fica claro para quem assiste a medida que a falta de uma rotina na prisão acaba por deixar a personagem novamente ganhar um arco mais dramático. E não vamos mentir aqui, isso foi muito bom para a gente, afinal, nessa temporada Uzo Aduba nos entrega novamente uma performance forte, marcante e claro muito boa de assistir por mais triste que no final acabou sendo.

Mas a personagem que talvez mais tenha evoluído e ganhado destaque aqui foi Taystee. A atriz Danielle Brooks mostrou para que veio ganhando uma posição de protagonista onde ela conseguiu extrair tudo da sua personagem: emoção, aflição e decepção. O seu episódio de flashback o 5×06 – Flaming Hot Cheetos, Literally é um dos melhores do ano 5 e assim conseguimos entender muito o que é a sua personagem na série: alguém que queria uma família mais que tudo e que no final perdeu isso depois que a amiga que foi morta brutalmente.

Isso fica bem mais definitivo nessa quinta temporada e junto com a já icônica cena da fogueira de salgadinhos marca o ápice da personagem que acaba por não aceitar nada menos para honrar a morte da amiga. Mesmo com as negociações com Caputo e Figueroa (sempre hilários quando juntos) indo para o espaço no final da temporada e a gente sem saber (até o próximo ano) o que aconteceu com as exigências e como o próprio grupo de detentas que acabou por se separar, toda a trajetória da personagem foi muito boa. 

As coisas também não foram fáceis para o núcleo latino, Dayanara começou a temporada como a nova rainha do pedaço mas o verdadeiro carácter da personagem e suas atitudes só acabam por ficar claro durante o episódio 5×08 – Tied to the Track. A Netflix conseguiu realizar o melhor flashback em termos de escalação de personagens com a também atriz e filha de Dascha PolancoDasany Kristal Gonzalez como a personagem da mãe com 14 anos. Junto com Daya quem também fez a trama girar foi a personagem de Gloria, com todo o drama do filho que ganhou mais força no final da temporada onde as coisas começam lá no 5×08 e chegam a explodir no fantástico episódio 5×11 – Breaking the Fiberboard Ceiling.

O destaque cômico do núcleo do lado de fora fica para a personagem da manicure Aleida que sofreu bastante para conseguir um trabalho e mesmo fora da prisão pareceu não mudar nada. As cenas dela dando entrevista no programa de TV sobre sua passagem na prisão são hilárias e são dignas de serem re-assistidas sempre e não esqueça de “filmar meu lado bom” e claro “sem palavrões ao vivo” .

Foto: JoJo Whilden/ Netflix

Os outros alívios cômicos foram colocados bem pontualmente e serviram como um ótimo contra-postos com a parte mais dramática e tudo nessa temporada funcionou melhor em duplas: começando por Maritza e Flaca virando estrelas do YouTube. As cenas delas se maquiando com temperos e depois realizando um make over geral na prisão foram as melhores coisas da dupla que merecia um spin-off baseado nessa vida louca que elas andaram vivendo.

As duas drogadas tapadas Angie e Leanne, também tiveram seus momentos durante toda a temporada mas foi no episódio 5×04 – Litchfield’s Got Talent que vimos o quão o ferrado está o cérebro delas para pensaram as coisas mais absurdas mas hilárias como o show de talentos, ou abaixar as calças das outras detentas. Mesmo engraçadas as duas acabaram sendo irritantes o tempo todo quando apareciam.

Algumas duplas também tiveram o que fazer nesse ano, como as novas “enfermeiras”,  Morello e Nicky que tiveram seus altos e baixos também mas sempre é muito bom ver elas em ação talvez pelo motivo que loucura atrai loucura não é mesmo? Red e Blanca como parceiras no crime e aliadas na guerra movimentaram bastante também a trama, principalmente, quando elas resolvem tomar certos remédios e descobrir tudo que poderiam sobre o guarda “do mal” Piscatella que finalmente teve seu episódio contando sua história no pesado episódio 5×10 -The Reverse Midas Touch.

Tivemos ainda um bom destaque para Frieda e seu bunker que também teve sua história contada no 5×02 -Fuck, Marry, Frieda e claro para todos os guardas da prisão que ficaram de reféns o tempo todo até serem liberados. E para finalizar, não poderia ter faltado a dupla boring, Alex e Piper. O casal parece que sempre ficam nas mesmas tramas com os assuntos sempre indo e voltando na mesma estaca. Para a dupla os flashbacks foram os mais tediosos desse novo ano onde acompanhamos elas durante o episódio 5×12 – Tattoo You que contou também com a rápida volta do ex-marido da personagem, Larry).

Foto: JoJo Whilden/ Netflix

Falando em flashbacks, nesse quinto ano de Orange Is The New Black, eles que tiveram sempre posição importante para definir como os episódios iam se encaminhar ficaram desinteressantes. Talvez pelo fato de toda a trama da temporada no presente ser mais bacana para se querer se acompanhar. Afinal com tudo acontecendo no ritmo de três dias corridos ficou muito mais interessante ver as cenas da rebelião do que saber o motivo pelo quais as detentas estiveram lá e olha que ainda que nesse ano não ficamos sabemos os motivos de muitas delas estarem presas.

Mas pelo lado positivo, OITNB faz uma ótimo temporada e usa a sua quantidade de personagens bons com histórias marcantes para misturar fortemente drama e comédia e assim dar uma agitada nessa temporada que voltou ainda mais afiada nas críticas sociais e expondo muita coisa de errada no sistema carcerário. Os novos episódios também nos trouxeram ótimas atuações e claro mais ganchos para a próxima temporada, afinal se no final do quarto ano a a gente queria saber se a Daya tinha atirado no cara agora o jogo virou e queremos saber quem levou o tiro que a guarda de choque soltou?

E para vocês quem que estava no bunker (Alex, Piper, Taystee, Nicky, Red, Black Cindy, Frieda, Suzanne, Blanca, e Gloria) não volta para o próximo ano?

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