Okja | Crítica

Ao criar novas e interessantes histórias o cinema só se beneficia e se reafirma como uma forma de arte. Independente onde o filme é/foi exibido, se no cinema, direto para DVD ou para as plataformas de streaming, só importa a qualidade da produção, um bom roteiro e história contada e claro o quão memorável (ou não) as atuações de seus atores. E Okja (Okja, 2017) tem tudo isso. Envolvido em polêmicas ao ser lançado no Festival de Cannes desse ano, primeiro pelo debate sobre a produção não ser lançada no cinema exclusivamente e claro problemas na exibição só fizeram o filme ter um destaque maior nas chamadas dos sites especializados.

No final, o longa do diretor Bong Joon-ho foi aplaudido em sua exibição e a crítica que viu o filme no festival gostou bastante, nada mais justo, afinal Okja é um filme bonito, com uma mensagem forte e com ótimas atuações.

Okja crítica
Foto: Miranda Gauthier/ Netflix

A criativa trama do filme conta a história do conglomerado multinacional Mirando Corporation que agora é comandado pela alegre e efusiva Lucy Mirando (Tilda Swinton) que está obcecada em mudar a imagem negativa da empresa familiar depois que seu pai e sua irmã estiveram no comando. Assim, ela resolve criar um audacioso plano para revolucionar o problema de fome população mundial. Ela cria um animal geneticamente modificado gigante vindo do Chile e espalha seus filhotes por todos os cantos do planeta por 10 anos e cria um concurso para o “Melhor Super-Porco”. Depois desse período, a Mirando escolherá o melhor vencedor junto com o apresentador Dr. Johnny Wilcox (Jake Gyllenhaal) que tem um famoso programa sobre animais e é o novo garoto-propaganda da empresa.

Um dos filhotes acabou indo para a Coréia do Sul onde a jovem Mija (Seo-Hyun Ahn) convive desde a infância com Okja, o super porco fêmea criado pelo avô, um dos participante do projeto. A medida que chega a data do concurso, a empresa retorna para pegar o porco de volta e Mija tem que lutar contra Mirando, com uma organização de apoio aos animais e a imprensa para ficar com seu animal.

O que surpreende em Okja, o filme, é que logo no seu começo a produção tem um visual alegre, colorido e uma Tilda Swinton como uma verdadeira showwoman bem afetada, espalhafatosa e elétrica. A atuação da atriz já te mostra o tom do filme que não tem medo de ousar e conseguir criar uma atmosfera de empolgação já de cara. A rapidez com que a personagem conduz sua apresentação no melhor estilo de uma keynote da Apple é de tirar o fôlego até que o filme muda e fica tranquilo, pacato e contemplativo a medida que conhecemos o local onde o super porco Okja mora com a menina Mija.

Os efeitos especiais são fantásticos, e em quase nenhum momento podemos não perceber que o porco (o superporco) não é real. Lembrando a fofura de Babe, O Porquinho Atrapalhado (1995), a interação entre ela e Mija servem para estabelecer e mostrar a importância da amizade entre humano e animal como da baleia Willy em Free Willy (1993). Assim, com a chegada da delegação da Mirando, liderado pelo Dr. Wilcox, vemos o mundo da menina desmoronar mas a trama volta a ganhar aquele senso de urgência de suas cenas de abertura.

Foto: Miranda Gauthier/ Netflix

O grande destaque no filme fica com Jake Gyllenhaal. O ator está completamente, transtornado, caricato de uma forma extremamente positiva, e realmente assustador pela sua loucura num mix de Coringa de Heath Ledger com explorador da selva. Mesmo como coadjuvante Gyllenhaal rouba a cena é o a grande surpresa da produção.

Paul Dano como o líder da organização que quer expor a Mirando Corporation, faz um personagem interessante, complexo e cheio de nuances. A menina Seo-Hyun Ahn, tem carisma e um olhar meigo mais matador que surpreende mesmo com pouca idade. As cenas de ação são um ponto alto para a personagem que faz de tudo para reunir com o animal de estimação. E a medida que vamos descobrindo as reais intenções da corporação o filme mostra uma sensação de perigo alarmante e nos faz torcer cada vez mais por Mija a medida que novos conflitos aparecem.

Assim, Okja é um filme com uma forte mensagem, com pura energia, com uma inovadora história e excelentes atuações. Com um roteiro caprichado e com ótimas reviravoltas a produção tem comédia, cenas de ação e faz uma crítica poderosa contra o sistema e as empresas de alimentação. E mostra uma realidade que não gostamos de comentar que assusta e alerta para uma situação que já existe.

Nota do Crítico:

Okja está disponível na Netflix.