O Sol Também É Uma Estrela | Crítica

Num primeiro momento O Sol Também é uma Estrela (The Sun Is Also a Star, 2019), pode parecer um típico filme teen daqueles que vemos todos os anos invadirem os cinemas e levaram uma multidão de jovens enlouquecidas com seu casal, ou no jargão da internet, seu shipp favorito.

Mas, aqui, O Sol Também é uma Estrela tem uma coisa mais e acerta ao saber usar sua história, mesmo que lide com um romance impossível, para usar um tom político super atual e ainda debater alguns assuntos mais profundos como destino, coincidências e fé.

Yara Shahidi and Charles Melton in The Sun Is Also a Star (2019)
O Sol Também é uma Estrela – Crítica | Foto: Warner Bros Pictures

Mas acho que muito do que faz O Sol Também é uma Estrela dar certo é a química entre seus protagonistas. Yara Shahidi e Charles Melton juntos funcionam muito bem e mesmo quando separados em tela, se mostram atores jovens com bastante potencial. Claro, O Sol Também é uma Estrela, não inventa a roda dos romances, mas também não entrega uma produção totalmente genérica e plastificada. O Sol pode ser também uma estrela, mas também, pode ter um certo charme ao contar uma história calorosa sobre amores jovens e novas chances. 

O Sol Também é uma Estrela faz um daqueles filmes que a história se conecta, sabe? O roteiro do filme, assinado por Tracy Oliver é baseado no livro de mesmo nome escrito por Nicola Yoon, usa das conveniências para mostrar os dois lados que cada personagem apresenta, a jovem estudiosa Natasha (Shahidi) que é totalmente o cérebro, lida com os fatos, medições e quer ser uma cientista de dados, e Daniel (Melton) um descendente de coreanos que tem uma pressão gigantesca de sua família para ser um médico, mas ele se vê com uma alma de artista, e quer ser um poeta. 

Assim, o longa em alguns momentos, exige bastante boa vontade do espectador, principalmente no jeito que o roteiro trabalha para unir os dois, de uma forma quase esotérica, numa Nova York gigantesca e cheia de possibilidades. O romance acaba por incluir a cidade na sua lista de personagens, e faz O Sol Também é uma Estrela ser uma carta de amor para a grande metropole, onde passagens em diversas locações fora do roteiro tradicional que ajudam a contar a história do casal.

O Sol Também é uma Estrela – Crítica | Foto: Warner Bros Pictures

E talvez, o maior mérito de O Sol Também é uma Estrela seja contar essa história de garoto-conhece-garota da forma mais multi-cultural e diversificada possível, onde o texto do longa gasta um tempo importante mostrando as diferenças das culturas tanto da moça quanto do rapaz. E, ao fazer, o longa, entrega um sentimento de urgência do texto em quer nos mostrar tudo isso, afinal, Natasha corre o risco de ser deportada junto com sua família, já no próximo dia.

Esse detalhe no roteiro faz com que o longa, por mais maluco e um pouco difícil de aceitar certas situações, entregue uma história completamente ágil, onde a trama de O Sol Também é uma Estrela não fica parada, mesmo que também não escape muito de tudo que já vimos em outros romances, onde as adversidades sempre existem para separarem os mocinhos. Apenas que aqui, O Sol Também é uma Estrela acabe por lidar com as questões imigratórias que cada vez mais estão no ciclo de notícias lá nos EUA.

No final, O Sol Também é uma Estrela faz um romance um pouco mais reflexivo, mas sem perder aquela uma pegada teen e um jeito meio cafona, onde que mesmo que não seja um filme-evento sensacional, a produção cumpre seu papel de entregar uma história doce e amável sobre dois jovens que lutam contra o destino para viverem momentos juntos, nem que seja apenas por um dia. 

Nota do Crítico:

O Sol Também é uma Estrela chega em 16 de maio nos cinemas.

Miguel Morales

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