O Rei do Show | Crítica

Se tem uma coisa que podemos concordar é com a habilidade de Hugh Jackman em entregar bons musicais, números de dança e sua paixão por musicais é amplamente reconhecida. Já vimos o ator mostrar seu talento, principalmente quando assumiu a cerimônia do Oscar e entregou um número de abertura com bastante empolgação na edição de 2009 e claro em sua participação no filme Os Miseráveis (2013), onde inclusive foi indicado na categoria de Melhor Ator na premiação da Academia e tendo ganhado na categoria por sua atuação desse mesmo filme no Globo de Ouro.

Então depois de anos preso no papel de Wolverine tanto na franquia X-Men quanto nos filmes solos do personagem chegou a hora da Fox Film dar de presente para o ator o musical O Rei do Show (The Greatest Showman, 2017), oportunidade onde Jackman agarra com todas as forças. Para nós, os espectadores, o estúdio entrega o filme embrulhado como um presente de despedida de 2017, O Rei do Show é um agrado sonoro, uma explosão de cores com uma produção visualmente impecável e ainda conta com uma trilha sonora deliciosa.

Foto: Fox Film

E assim no filme temos sua estrela principal, um Jackman contagiante, super confortável com sua atuação e que em cada cena demostra estar solto de qualquer arrama ao liderar um elenco bastante impressionante. As músicas são marcantes, empolgantes e os números de dança magnéticos e com movimentos super coreografados e que acertam em hipnotizar quem assiste. No fundo, O Rei do Show é um bom musical mas todo o show pirotécnico também serve para esconder algumas falhas bastante óbvias que o filme possui e a sensação que fica que a direção de Michael Grace sabe disso, não se importa muito e deixa o espetáculo ficar nas mãos de seu grande nome. O fica de impressão é que uma das regras do show business foi seguida à risca: o show deve continuar.

É isso que o filme faz, abre com uma excelente performance da ótima The Greatest Showman e já nos seus primeiros minutos avisa o espectador para se preparar para o que será uma grande e excelente experiência musical. A trama é simples e passa aquele sentimento de filme de superação onde conhecemos e vemos P.T Barnum (Jackman) batalhar contra as adversidades de uma infância pobre para se tornar um bom partido para Charity (a contida Michele WIliams) sua paixão de infância que logo no início vemos se tornar sua esposa.

Com uma positividade bastante marcante O Rei do Show acaba focando mais no lado feliz das coisas, dando uma romanceada bastante forte em vários momentos e apenas passa rápido pelos conflitos que poderiam deixar o longa com uma dramaticidade maior e garantir um desenvolvimento tanto de história quanto de personagens. As relações entre muitos personagens são apenas exploradas rapidamente e servem somente para pontuar algumas coisa como as diferenças de Barnum com o sogro (Fredric Lehne) ou de Barnum com a sociedade que ele tenta desesperadamente impressionar.

No final o roteiro de Jenny Bicks e do veterano Bill Condon (dos musicais Chicago e Dreamgirls) deixa parecer não ter um foco 100%, seja o desejo do personagem de Jackman em criar o seu circo com pessoas diferentes ou se vingar da familia da esposa ou da alta sociedade da cidade de Nova York que o julga. O Rei do Show tem poucas partes não cantadas e acaba ganhando força com as cenas envolvendo complexos números de dança e as músicas acabam sendo mais importantes para o desenrolar da trama do serem uma ponte entre cenas. Mesmo que maravilhosamente bem feitas e executadas a trilha sonora acaba por deixar quem assiste confuso, afinal ou você presta atenção na performance do ator/atriz ou na história que determinada música quer contar para se encaixar na trama.

Mesmo com um elenco diverso cheio de bons atores quem acaba se destacando com suas personagens são as atrizes Keala Settle como Lettie Lutz (A Mulher-Barbada) e Zendaya como a trapezista Anne Wheller. As duas tem papeis importantes para o desenrolar da trama mas no fundo também passam pelo filme sem serem muito desenvolvidas e o mesmo acontece com o resto da trupe que acabam ficando escondidos e apenas sendo vistos nas grandes cenas como é o caso do trapezista W.D wheeler (Yahya Abdul-Mateen II) e o anão Tom (Sam Humphrey). Já o restante dos personagens do Museu/Circo acabam sendo identificados no filme apenas pela característica marcante sem que conhecemos muito de suas histórias e seus dramas.

Foto: Fox Film

Quem acaba tendo um bom destaque em vários momentos, mesmo que não sendo tão trabalhado é o personagem de Zac Efron o bon vivant Phillip Carlyle. Talvez não seja por culpa do ator que até se esforçou e entregou alguma coisa diferente do seus outros papeis (e manteve sua camisa o filme todo) mas nada parecia empolgar o personagem seja na busca relacionamento com Anne ou entrar em pareceria com Barnum e tentar sair da sombra de sua família abastada. Não é nada que não temos visto em qualquer produção de época na Rede Globo, faltou um trabalho um pouco mais, faltou um pouco de determinação e emoção e aquele sentimento de “é isso que quero”.

Efron e Zendaya até esbanjam uma certa simpatia durante o espetacular número Rewrite the Stars mas logo após voltam a ser dois completamente estranhos, com uma química bem duvidosa. Outro grande nome do elenco Rebecca Ferguson, chega na trama como a cantora de ópera que Barnum usa para ganhar prestigio entre a sociedade de Nova York mas também acaba passando pelo filme apenas por estar presente com um número musical muito bem executado (Never Enough). Sua trama com o personagem de Jackman seja bastante previsível e até digamos desnecessária para a trama.

O Rei Do Show tem atos musicais modernos para a época que se passa e conta com músicas com estilos diversos, umas mais românticas outras com uma batida mais forte como se fosse um rap (claramente uma inspiração ao musical Hamilton). Sendo grande destaque de O Rei do Show, a trilha é escrita pela dupla Benj Pasek e Justin Paul do outro musical La La Land  – Cantando Estações e elas seguram o filme. A direção acerta também em deixar o longa com um ritmo ágil em que as cenas são filmadas com ângulos bastante diferentes e deixa quem assiste também participar do filme como se todos estivéssemos dentro de um grande flash mob. Como falamos a super produção envolvida, dos figurinos, a maquiagem e os cabelos fazem com que esses problemas citados acabam ficando mais em segundo plano. Falando ainda sobre os números musicais não podemos deixar de destacar as belíssimas sequências de “This Is Me” e “A Million Dreams”, músicas te transportam para dentro do filme e conseguem passar o sentimento empolgação e que tudo está certo no filme e no mundo.

Com um visual encantador, é impossível não sair cantarolando a trilha sonora do filme o que faz de O Rei do Show um musical charmoso, cheio de energia e completamente fantástico. É finalmente Hugh Jackman no centro do palco impondo sua presença marcante mesmo que às vezes a cortina atrapalhe o show em alguns momentos.

Nota do Crítico:

O Rei do Show  chega nos cinemas em pré-estreias pagas em 21 de dezembro com abertura no circuito em 25 de dezembro.

Miguel Morales

Sempre posso ser visto lá no Twitter falando sobre o que acontece na TV aberta, nas séries, no cinema e claro outras besteiras. Uso chapéu branco e grito It's Handled! Me segue lá: twitter.com/mpmorales