O Quebra-Cabeça | Crítica

O Quebra-Cabeça (Puzzle, 2018) encaixa suas peças de uma forma encantadora num filme sobre auto-aceitação da grande e difícil jornada de crescimento e amadurecimento de uma dona-de-casa;

Com boas atuações de seus protagonistas, o drama tem Kelly Macdonald como destaque, num filme que pode parecer simples – como um jogo infantil de montar peças – mas que entrega camadas e situações um pouco mais complexas do que se possa imaginar. Mesmo com toque um pouco estranho e situações um pouco difíceis de se imaginar em pleno 2018, O Quebra-Cabeça mostra relações familiares e humanas tão complexas quanto montar um jogo de encaixe com 1.000 peças.

Na história, conhecemos Agnes (Macdonald, sensacional), uma dona de casa pacata que vive com o marido e seus dois filhos adolescentes no subúrbio dos EUA. Ela, que parece viver dentro do espectro autista, é super reclusa e acaba por ser a personificação de uma dona de casa dos anos 50, vê sua vida mudar quando recebe de presente um quebra-cabeças.

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Foto: Sony Pictures/ Sony Classics

O mais interessante do filme fica com a figura de Agnes que é mostrada para o espectador como uma pessoa super inteligente mas que nunca soube se impôr ficando as sombras do pai e depois de seu casamento, do marido Louie (David Denman) e dos filhos. O Quebra Cabeças consegue muito bem e de uma forma bastante leve, mostrar que não existe vilões ou pessoas más na história de Agnes, e sim, a própria falta de tato da jovem que mesmo com uma inteligência acima da média, ficou fechada para novas coisas e não foi conhecer o mundo.

Macdonald, tem poucas falas ao longo do filme, mas faz uma personagem bastante expressiva e na medida que vai descobrindo sua liberdade – através da busca de novos jogos de quebra-cabeça – vemos Agnes se libertar das amarras que a seguram: desde do marido controlador, os filhos com seus problemas de idade e até mesmo as cobranças de sua igreja e do que os membros do bairro esperam dela. Como, falamos, por mais que no final das contas, Agnes também não seja uma pessoa totalmente boa, ela tem nesse jogo simples uma saída para descobrir novas questões sobre si mesma e refletir sobre como levou sua vida até então.

O Quebra-Cabeça, do título, funciona também muito mais como uma forma de mostrar como a vida de Agnes estava bagunçada e a única pessoa que poderia resolver e colocar as peças em ordem era ela mesmo. A figura de Robert (Irrfan Khan) como um parceiro de jogos em uma competição de jogadores de quebra-cabeça, apenas abre o horizonte para a personagem descobrir um novo admirável mundo novo.

Como é falado no filme “quando você completa um quebra-cabeça você sabe que tomou todas as decisões corretas”, O Quebra Cabeças mostra que tentações, novas experiências e decisões são tomadas por Agnes ao longo da história, mesmo que levem à conflitos com seus familiares fazem a personagem se libertar de seu casulo.

Nota do Crítico:

O Quebra-Cabeça chega no Brasil em 15 Novembro!

Miguel Morales

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