O Que Te Faz Mais Forte | Crítica

Sendo um dos destaques do Festival do Rio de 2017O Que Te Faz Mais Forte (Stronger, 2017) acaba contando uma história de superação sobre o olhar mais íntimo e pessoal de um dos eventos mais trágicos dos últimos anos lá nos EUA, o atentado terrorista na Maratona de Boston, em 2013. Mesmo o foco sendo no personagem de Jake Gyllenhaal que sem dúvida entrega uma atuação bastante impactante, quem acaba por roubar a cena são as personagens femininas interpretadas pelas ótimas Tatiana MaslanyMiranda Richardson.

Foto: Paris Filmes/Lionsgate

Na trama do filme acompanhamos a história de Jeff Bauman, um típico americano que torce para seu time de beisebol favorito, toma sua cerveja depois do trabalho e tem uma família barulhenta que todos cuidam um da vida do outro. Jake Gyllenhaal se entrega de uma forma bastante impressionante para viver Bauman, e literalmente arrebenta ao dar vida nas telas para a trajetória de recuperação do trabalhador que estava do lado da bomba que explodiu na linha de chegada da Maratona. Mesmo não sendo a melhor performance do ator, o filme acerta em ter momentos dramáticos mesclados com momentos mais leves que acaba por quebrar os dramalhão que envolve toda a recuperação de Bauman.

Assim, O Que Te Faz Mais Forte não tem aquela aura carregada e densa mesmo que o filme tenha total ciência da seriedade da situação. Parece que o roteiro tentou honrar o espirito do verdadeiro Jeff Bauman e coloca pequenos momentos como quebra gelo, como na cena onde após recuperar os sentidos o personagem diz para a ex-namorada “Ei, Erin você está sentada na minha perna…” e Gyllenhaal consegue ir de uma situação como essa para uma que precisa se rastejar na sarjeta para conseguir abrir a porta do prédio onde ele morava.

O ator e o filme nessa parte entregam uma grande autenticidade que deixam o longa bastante real ao mostrar os desafios pós-cirurgia. Os destaques ficam para os movimentos de câmera que tentam sempre captar o incomodo do personagem e com uns ângulos diferentes a direção tenta mostrar que no final todos foram impactados com o acidente e tiveram suas vidas alteradas.

Foto: Paris Filmes/Lionsgate

O Que Te Faz Mais Forte consegue mostrar um arco narrativo que retrata os meses pós atentado onde Bauman acaba por sofrer de estresse pós-traumático, passando pela reabilitação física para conseguir se adaptar as pernas mecânicas e claro em ser tratado como um herói nacional por ajudar o FBI com informações sobre um dos terroristas. O filme apenas falha em não se aprofundar muito em nenhum desses temas e foca mais nos relacionamentos familiares e tenta mostrar como era a dinâmica família dos Bauman e claro da relação entre o rapaz e a sua namorada Erin. E nessa hora que chega o momento tanto de Maslany quanto de Richardson para se destacarem. 

As duas personagens são completamente o oposto uma da outra mas conseguem se completar ao longo da produção num grande jogo de gato e rato. Maslany consegue entregar uma atuação bastante impressionante onde ela consegue mostrar dor, alegria e frustração e claro nos fazer se sentir empatia com toda a situação envolvida. Miranda Richardson como a sempre de pileque mãe, Patty mostra uma personagem cheia de falhas e bastante humana e que mostra conflitos que ficam muitas vezes escondidos e em segundo plano.

O Que Te Faz Mais Forte consegue unir uma trama emocionante, com boas atuações, mesmo com um roteiro um pouco irregular, afinal o foco é contar a trajetória de Bauman e não sobre o atentado em si, e o filme acerta em fazer isso de uma forma que mesmo um pouco piegas e devagar de um jeito que conhecemos mais sobre as pessoas envolvidas fazendo como que nos importamos com todos os personagens que aqui no final acabam sendo pessoais reais e que existem de verdade.

Nota do Crítico:

 

O Que te Faz Mais Forte estreia em 08 de fevereiro nos cinemas brasileiros.

Miguel Morales

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