O Nome da Morte | Crítica

O Nome da Morte acaba por ser um filme sobre escolhas. Escolhas, consequências e o peso que certas decisões podem afetar nos mesmos e aqueles ao nosso redor.

E antes de ser um filme de ação daqueles com tiros para todo lado e sequências de corrida de carro, o longa que tem direção Henrique Goldman chega a ser muito mais um estudo psicológico de seu personagem principal do que qualquer outra coisa.

Foto: Imagem Filmes

Com uma trama pesada em várias partes O Nome da Morte tem em sua fantástica cinematografia cenas filmadas no interior do Brasil onde o clima árido e o calor ajudam a criar uma atmosfera bem densa.

O ator Marco Pigossi conseguiu fazer bem a transição de novelas para o cinema onde conseguimos ver toda as angustias que seu personagem Júlio enfrenta. É como se a cada cena, a cada trabalho de pistoleiro que Júlio aceita conseguimos ver uma máquina rodar no cérebro do personagem que acaba por analisar friamente os prós e contras das situações que ele se encontra e a atuação de Pigossi ajuda e muito para isso.

Vemos seu personagem desabrochar em ser um menino do interior que vai para a cidade grande junto com o tio Cícero (André Mattos canastrão e excelente) e tenta ganhar a vida como pistoleiro. As regras são claras, nunca ser pego. Mesmo que o roteiro acabe criando situações bem previsíveis e percorra uma série de vítimas que acabam por não agregar para a trama em O Nome da Morte temos um que de história de amadurecimento e serve para contar as complexas decisões que Julio enfrenta entre a linha entre o certo e o errado.

O filme não se aprofunda necessariamente em questões religiosas (mesmo que sejam tratadas e mostradas) e não tem aquele ritmo alucinante visto em filmes como Jason Bourne ou Missão: Impossível o que combina com a proposta do longa.

Foto: Imagem FIlmes

A trama baseada no livro de mesmo nome de Klester Cavalcanti apenas pincela na superfície as questões que personagem tem que lidar como o conflito moral em tirar a vida de uma pessoa e passa rapidamente entre as mais de 400 mortes que Julio foi responsável. Em O Nome da Morte não temos glamourização da profissão ou uma explosão de sangue a cada 15 minutos e sim uma lenta construção de personagem.

O que o longa faz é mostrar as diferentes faces do personagem que mesmo sendo um assassino de aluguel consegue mostrar uma outra visão para quem assiste de um Julio bom pai, bom marido mesmo com um trabalho completamente controverso.

Junto a ele temos também a figura camaleoa de sua esposa Maria (Fabiula Nascimento) onde você espera até espera um desenvolvimento maior da personagem mas que acaba por ficar raso e em segundo plano. A atriz consiga transmitir bem o jeito submisso e passivo da moça e no final das contas compreender que no fundo ela seja inteligente o suficiente para entender toda a situação que vive

No final, O Nome da Morte entrega uma interessante história de um assassino de aluguel no meio do interior do Brasil onde o destaque é boa atuação de Pigossi que faz um personagem complexo que transita entre o ar de um inocente garoto do interior e o olhar fulminante de um pistoleiro.

Nota do Crítico:

O Nome da Morte tem previsão de chegada nos cinemas em 2 de agosto.

Miguel Morales

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