O Menino Que Queria Ser Rei | Crítica

O Menino Que Queria Ser Rei (The Kid Who Would Be King, 2018) tem uma premissa simples, o longa pega a grande a história da lenda do Rei Arthur e a tábula redonda e coloca um ar moderno, contemporâneo e oras divertido, oras com um tom mais dramático, para tentar captar a atenção de um público infanto-juvenil cada dia mais interessado em outras coisas e em outras plataformas.

Louis Ashbourne Serkis in The Kid Who Would Be King (2019)
O Menino Que Queria Ser Rei – Crítica | Foto: 20th Century FOX

Assim, O Menino Que Queria Ser Rei faz um filme espirituoso e carismático, mesmo com alguns tropeços aqui e ali. A produção peca em tentar ter uma trama mais robusta do que precisava, onde o roteiro de Joe Cornish, que também dirige, abraça as reviravoltas de uma forma um pouco desnecessária, onde fica clara a intenção do diretor em querer agradar um tipo de público, aquele tipicamente fã de franquias medievais, como O Senhor do Anéis, O Hobbit e da mega-série de TV, Game Of Thrones (HBO).

A trama, até empolga em determinadas partes, logo no começo, O Menino Que Queria Ser Rei pode ser descrita como uma clássica e típica história de origem que acompanha a jornada de um herói em formação. Com um forte ar britânico, que lembra, outras franquias inglesas, como por exemplo, Harry Potter e Kingsman, aqui, o longa nos apresenta para o jovem Alex (Louis Ashbourne Serkis, que segue os passos do pai, Andy Serkis), um estudante que não sabe seu lugar no mundo após a morte de seu pai.

Assim, o garoto lida com problemas de relacionamentos tanto em casa, quanto na escola, e o filme nos apresenta Alex, aos poucos, na medida que o garoto se agarra na possibilidade do impossível, após encontrar (e conseguir retirar!) uma espada na pedra num canteiro de obra, ao fugir, junto com seu amigo, o divertido, Bedders (Dean Chaumoo), dos valentões do colégio.

Angus Imrie, Louis Ashbourne Serkis, Tom Taylor, Rhianna Dorris, and Dean Chaumoo in The Kid Who Would Be King (2019)
O Menino Que Queria Ser Rei – Crítica | Foto: 20th Century FOX

O Menino Que Queria Ser Reientão, cria toda uma mitologia própria, baseada na lenda do rei britânico que uniu os povos da Grã-Bretanha lá no final do século V. Assim, o roteiro, de uma forma super interessante, começa a espelhar os estudantes do colégio (e quase todos os personagens do filme!) com os clássicos nomes que vimos nas lendas arturianas.

Temos, o garoto que se acha o corajoso da turma e melhor que os outros, o problemático, Lance (Tom Taylor), sua colega no bullying diário, a inteligente Kaye (Rhianna Dorris), e claro, o mago Merlin, um jovem excêntrico e novo estudante (Angus Imrie, hilário) que tem uma queda por frango frito, refrigerante e outros condimentos e que faz um dos melhores personagens e dono das melhores cenas do filme, sem dúvidas.

No longa, vemos que Merlin adulto (Patrick Stewart, sempre sensacional, mesmo que ai com poucas cenas) resurge numa versão jovem para se infiltrar no colégio, achar o rapaz que tirou a espada da pedra e precisa impedir que a bruxa Morgana (Rebecca Ferguson, claramente aqui pelo cachê), volte, depois de se banida pelo Rei Arthur, e domine o mundo com a escuridão com seu exército sombrio.

Assim, O Menino Que Queria Ser Rei mistura tudo isso, o antigo com o novo, e tenta seguir com sua história e é aqui que a produção se embola. Claro, o roteiro acerta em passar uma mensagem de esperança, amizade e companheirismo (os pilares de um filme infantil!), mas para isso, exige que o espectador embarque numa longa trama e precisa lidar com momentos que se esticam em fiapos de situações que não ajudam o filme a se desenvolver propriamente dito. Sem dúvidas, O Menino Que Queria Ser Rei, tem boas cenas de ação, com lutas de espada e feitiços complicados, o famoso embate bem vs mal, e agradáveis interações entre o quinteto principal, mas são passagens que apenas prolongam a história, que certamente deveria ter sido editadas para dar mais ritmo e fluidez para o filme que tenta abraçar o gênero.

No final, O Menino Que Queria Ser Rei, faz sim, um bom drama que mistura o moderno com o antigo. A produção conta com bons personagens e se apoia no carisma de seus atores mirins para fazer um bom filme, no melhor estilo Sessão da Tarde.

Nota do Crítico:

Nota do Público:
| Total: 2 | Média: 2.5

O Menino Que Queria Ser Rei chega nos cinemas nacionais em 31 de janeiro.

Miguel Morales

Sempre posso ser visto lá no Twitter falando sobre o que acontece na TV aberta, nas séries, no cinema e claro outras besteiras. Uso chapéu branco e grito It's Handled! Me segue lá: twitter.com/mpmorales