O Mago das Mentiras | Crítica

Não tanto tempo atrás, apenas em 2008 vimos o mundo ficar chocado com a prisão de Bernie Madoff um dos maiores investidores de Wall Street. Madoff era Presidente de diversas comissões reguladoras dos EUA, criou inúmeras regras de como o mercado devia operar, chegou a ser cogitado para ser Presidente da SEC (uma espécie de Comissão de Valores Mobiliários americana que regula o mercado de câmbio e de ações) mas no final foi preso por desviar mais de 60 bilhões de dólares do fundo de investimento que ele gerenciava. Em 2009 ele foi sentenciado a mais de 150 anos de prisão.

Assim no telefilme da HBOO Mago das Mentiras (The Wizard of Lies, 2017) vamos acompanhar a trajetória que revela como funcionavam os investimentos da firma de Madoff que operava um esquema de pirâmide financeira que numa explicação bem simplista é quando acontece quando alguém paga a mais dentro do grupo para um ou uns indivíduos ganharam em cima dos outros. Cheio de mentiras e trapaças o investidor conseguiu por mais de 20 anos enganar os clientes, seus amigos e criar uma respeitável firma em que todos queriam participar afinal os retornos eram altos mesmo em época que os EUA vivam em recessão econômica.

Na trama do filme vemos como ele, sua mulher e seus filhos foram arrastados para o foco desse escândalo a media que o FBI e a SEC foram investigando os relatórios falsos que a firma apresentava. Em sua primeira parceria com o canal a cabo, Robert De Niro interpreta o Madoff numa ótima atuação, bem trabalhada, minuciosa e bem estudada das aflições que o investidor parece ter tido e o que se passou na cabeça desse homem que prejudicou a vida de milhares de pessoas. O ator consegue mostrar em cena as preocupações, pelo menos nos primeiros minutos, onde só ele sabe da bomba que irá explodir, de seu personagem. De Niro te convence sobre as intenções e sabe não criar uma simpatia com espectador afinal sabemos como a história termina mas a trajetória parece ser mais importante em ser apresentada nesse filme.

Foto: HBO

O que é realmente a grande falha que ele tem, o de querer mostrar tudo e não ter um foco completamente único ou até mesmo mais trabalhado. O roteiro de O Mago das Mentiras (escrito por Sam Levinson, John Burnham Schwartz e Samuel Baum) não sabe qual o seu tipo de filme é: não é um filme sobre investimentos do mercado financeiro, afinal ele não explica muito com as questões de compra e venda de ações apenas afirma aqui e ali alguns pontos de forma superficial. Ele também foca e muito na dinâmica familiar mas não é um filme unicamente sobre as relações entre a família que descobre sobre as fraudes dos patriarca. O conflito um pouco excessivo dos filhos com os pais, das esposas dos filhos sobre entrar na família, o conflito com a esposa que ficou anos apenas sendo dona de casa e aproveitando o dinheiro do marido. E ele também não é um filme policial e acaba não mostrando as etapas da investigação do FBI. A produção apenas junta tudo isso e eleva a carga dramática 10 vezes e fica navegando entre o passado e o presente de forma cansativa e confusa.

O filme claro utiliza seus atores com um grande triunfo para esse roteiro costurado, Michelle Pfeiffer rouba toda a cena em que aparece e nos faz ficar vidrado em sua atuação como Ruth Madoff que sempre afirmou não saber sobre o dinheiro e sobre as contas da empresa do marido. Os filhos só aparecem para dar aquela movimentada dramática na trama quando o filme fica financeiro demais e os atores Alessandro Nivola (Mark Madoff) e Nathan Darrow (Andrew Madoff) entregam o esperado mesmo com os desfechos tragicos que os filhos levaram, um se matou e o outro morreu de câncer. O grande destaque fica com a história em sabermos a trajetória de Madoff pelos olho de De Niro mesmo que o filme acabe por apelar para algumas cenas fantasiosas quando por exemplo o milionário dorme dopado de remédio ao som de “Have Yourself A Merry Little Christmas”.

O Mago das Mentiras
Foto: HBO

Mas com uma caracterização apurada, com cenários bem reais e contando a história do ponto de vista de Madoff e da jornalista Diana B. Henriques que escreveu o livro The Wizard of Lies: Bernie Madoff and the Death of Trust lançado em 2011 e que a HBO resolveu adaptar, o telefilme conta uma história interessante de como uma pessoa confiante, com bastante lábia soube enganar muita gente e realizar a maior fraude que o sistema financeiro do mundo já viu. Sendo bem melhor do que o primeiro telefilme sobre esse tema exibido pelo canal aberto ABC e com Richard Dreyfuss no elenco, O Mago das Mentiras é um filme que vale a pena ser acompanhado em virtude ao elenco atrelado a ele, mesmo se você acompanhou os acontecimentos na época.

Nota do Crítico:

O Mago das Mentiras estreia na HBO no dia 20 de maio, às 22h.