O Homem Perfeito | Crítica

O Homem Perfeito (2018) é uma daquelas comédias românticas que não acrescentam em nada e apenas+ se salva por poucas mas poucas passagens. O filme também é desses que você luta para comprar a história sabe? Onde a trama tem aquele famoso problema onde as situações e as confusões apresentadas não geram uma conexão com o espectador comum e que fazem mais momentos de pura vergonha-alheia do que qualquer outra coisa.

Foto: Downtown Filmes

Mesmo o elenco com nomes nacionais até que conhecidos da TV como Sérgio Guizé e Luana Piovanni, O Homem Perfeito tenta ser um Sierra Burgess Is a Loser (2018) tupiniquim mas que não entrega o mesmo nível de dramaticidade do filme da Netflix e também não faz esboçar uma risada honesta. É como se fosse uma grande produção sobre uma crise de meia idade onde o espectador sofre com os delírios da personagem principal em ser abandonada por uma moça mais jovem que ela.

Na trama, a escritora Diana (Piovanni, esforçada) não está satisfeita com os rumos de sua vida e mesmo não tendo um grande problema aparente ela sente a necessidade de uma mudança. É o mesmo caso da personagem de Paolla Oliveira em outro nacional lançado esse ano, Alguém Como Eu (2018), onde ambas são bem-sucedidas, bonitas e inteligentes mas não conseguem se ver uma relação estável, se cobram demais e colocam a régua lá em cima. E isso, é o que prejudica as duas obras, um fator não verosímil do roteiro, onde mesmo numa obra de ficção os problemas que as personagens vivem não parecem ser realmente problemas de fato, e sim, caprichos e indecisões.

Claro que O Homem Perfeito tenta não crucificar a personagem de Piovanni e não coloca Diana no papel da vilã que elabora um master plano para sabotar o ex-marido, mas também não a pinta de mocinha que foi traída e trocada por outra. No filme, Diana é independente e bastante dona de si mas a trama acaba por criar a situação em que ela usa suas táticas de escritora ghost-writer e cria um perfil falso para tentar acabar com o novo relacionamento do ex-marido (Marco Luque ainda engatinhando em papéis ficcionais).

Foto: Downtown FIlmes

O filme poderia apostar numa trama mais descompromissada para a história mas acaba por querer criar camadas para os personagens onde o roteiro não sabe o que fazer com eles depois. Ainda mais quando, logo de cara, vemos os caminhos que a trama irá tomar como, por exemplo, o caso do envolvimento de Diana com seu cliente, o roqueiro Caíque (Sérgio Guizé, fora da zona de conforto) que a ajuda a criar o “homem perfeito” e dar o golpe na jovem Mel (Juliana Paiva), a bailarina que se relaciona com o personagem virtual e começa a notar os defeitos do ex da moça.

O Homem Perfeito se apoia em personagens quase caricatos ao tentar contar uma história atual sobre relacionamentos na era digital mas falha ao não trabalhar as diversas oportunidades que tem em mãos. Quando a trama do jogo de gato e rato entre Diana e Mel tenta sair do lugar comum, a comédia acaba por abraçar um lado mais sério que zero combina com o que foi apresentado até então.

Longe de ser perfeito, O Homem Perfeito acaba por ser uma comédia com momentos desconfortáveis, sem nenhum grande destaque e que no final chega a ser até bem esquecível.

Nota do Crítico:

O Homem Perfeito em cartaz nos cinemas.

Miguel Morales

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