O Filme da Minha Vida | Crítica

Uma produção com um ótimo roteiro, boas atuações e direção esse é o sonho de todos os envolvidos nas produções cinematográficas e claro de todos os diretores que sempre um projeto que eles fazem os filmes de suas vidas. Aqui nesse longa nacional todos os boxes estão ticados. O Filme da Minha Vida (2017) é um ótimo exemplo de como unindo todas essas variáveis conseguimos ter um filme belíssimo e que principalmente conta com uma boa história.

Uma das melhores coisas da produção é seu ar meio vintage, com um visual que é muito bem trabalhado e faz da história que se passa no Brasil conseguir deixar quem assiste com a impressão que a trama não tem um local específico para acontecer. A vila onde os personagens moram poderia estar em qualquer cidade da Europa, nos EUA, ou até mesmo em algum país vizinho aqui da América Latina. O filme é uma história de amadurecimento, mostra aqui tanto a jornada de Tony (Johnny Massaro) quanto do cinema nacional e do seu próprio produtor Selton Mello, que além de dirigir também assina o roteiro.

Foto: Vitrine Filmes

Baseado na obra de Antônio Skarmeta, o longo conta a história Tony Terranova (Massaro) e suas relações na cidade onde ele mora. Depois de ir estudar na cidade grande e retornar para casa ele vê seu pai (Vincent Cassel) ir embora deixando ele sozinho com a mãe (Ondina Clais). Já adulto e sem muito entender os motivos ele segue sua vida como professor de francês na escola local. O longa também aproveita, desenvolve e mostra bastante a relação que acaba se formando entre o rapaz e o vizinho Paco (Selton Mello) que o ajuda em questões da vida e serve como um pai para ele mesmo sendo o completo oposto do rapaz. Com ares de inocência e também tendo que lidar com a vida adulta Tony sempre vive se indagando sobre a partida de seu pai e em muitas cenas vemos o personagem pensando, ou até mesmo se recordando dos momentos alegres que teve com ele. Ele é puxado pela realidade quando se encontra com Luna (Bruna Linzmeyer) mas volta a fantasia sempre que encontra com a irmã dela, Petra (Bia Arantes).

Com uma trilha que empolga e serve muito para situar o espectador nos sentimentos que os personagens querem passar o filme tem diversas passagens interessantes. Tony como professor de Francês serve como uma figura paternal para os alunos, um dos alívios cômicos do filme é formada por um trio de estudantes que rouba a cena, mas também mostra que o personagem também está em fase de amadurecimento ele mesmo. O filme usa seu visual para levar o espectador pela trama de forma bem fácil, lúdica e tranquila e usa isso sem soar pedante ou chato.

E a medida que descobrimos mais informações sobre o motivo da partida da figura do pai vemos como a trama está intercalada e consegue no final contar uma história envolvente, melancólica mas sem ser triste ao extremo, de uma forma muito bonita e interessante. Massaro consegue impor uma boa presença de tela numa mistura de um Freddie Highmore (da série Bates Motel) com Jim Parsons (da série The Big Bang Theory), o ator faz aqui um personagem bem humano e cheio de falhas que apenas cresce a medida que o filme passa, mesmo com a narração um pouco fora de tom em algumas partes que vem uma forma meio cantarolada o ator quando em cena faz um ótimo trabalho.

A dupla formada por Linzmeyer e Arantes são mega atrativas para criarem suas personagens, uma diferente da outra em termos de personalidades, mas que assombram pelas belezas principalmente quando a câmera fica bastante focada nas caras das atrizes. A edição do filme consegue mostrar, explicar e deixar bem claro a diferença das irmãs nesse sentido. Mello se desprende de toda vaidade ao fazer o fazendeiro que cria os porcos e consegue no final meio que movimentar a trama de um jeito interessante mesmo que no final seu personagem deixe a gente com algumas dúvidas no ar. O filme acaba ser mais subjetivo e contemplativo e poderia ter alguns bons 20 minutos a menos e a medida que ele chega em seus momentos finais, ele planta dúvidas sobre algumas questões importantes que ficam em aberto quando os créditos finais sobem.

O Filme da Minha Vida, marca um avanço na produção cinematográfica brasileira e passa o sentimento de uma produção estrangeira por ser ricos em detalhes, desde da caracterização de suas tomadas, dos figurinos e claro nas viradas do roteiro. Ele não se acomoda e a medida que a trama avança, o filme acaba por sempre ir melhorando. Como um tabuleiro de quebra-cabeças ao sair você contempla a obra completa mesmo que algumas peças demoram para se encaixar logo de cara, é assim com a vida e é assim com o filme.

Nota do Crítico:

O Filme da Minha Vida chega aos cinemas no dia 3 de agosto.