43ª Mostra SP | O Farol – Resenha

Com direção de Robert Eggers, O Farol foi o vencedor do Prêmio da Crítica da Quinzena dos Realizadores no Festival de Cannes.

Sinopse:

No início do século XX, Thomas Wake (Willem Dafoe) trabalha como guardião de um farol. Ele contrata o jovem Ephraim (Robert Pattinson) como seu ajudante, mas o rapaz fica curioso em relação a segredos e a lugares privados no local —o que provoca estranhos fenômenos ao redor dos dois.

O que achamos:

Uma experiência surreal e completamente maluca em sua proposta. Um jogo de luz e sombras, num conto marítimo de obsessão, onde uma trama de mistério e loucuras se mescla com as excelentes atuações de Willem Dafoe e Robert Pattinson. 

O Farol estreou em Cannes e já foi cercado de diversos burburinhos: por ser o novo filme do diretor Robert Eggers, depois do grande sucesso que foi A Bruxa, por ser todo filmado em preto e branco, e claro, pegar carona nos rumores que Pattinson poderia ser o novo Batman (coisa que tivemos a confirmação alguns meses depois).

E após estrear bem avaliado, O Farol segurou seu hype até passar em outros festivais ao redor do mundo, até ser anunciado na Mostra Sp 2019. E não é por nada, mais todo esse sentimento de excitação ao redor do filme não é por menos, O Farol faz uma daquelas experiências para serem vistas no cinema, numa produção que deve gerar debates sobre os significados de sua história por meses, e claro, deve e merece ser indicado, em diversas categorias (tanto técnicas quanto de atuação) na próxima temporada de premiações que nunca pareceu tanto competitiva como tem sido este ano.

Cercado de simbolismos e metáforas que parecem impossível, numa primeira assistida, de serem captados, O Farol nos entrega uma trama com diversas interpretações de sua história com seus possíveis significados e mensagens. Seriam aqueles dois homens, apenas homens normais que cuidam de um farol numa ilha deserta? Seriam as figuras de Pattinson e Dafoe representações de figuras bíblicas, como Deus, Adão e o Paraíso, ou de outras lendas gregas ou romanas por conta das sereias, do mar e outras figuras marinhas? Estariam os personagens no Purgatório? O quão de realidade temos nas visões do personagem de Pattinson ao longo do filme são reais e o quanto são apenas perturbações de uma mente cansada?

Assim, O Farol brinca, em diversos momentos, com inúmeras possibilidades sobre o que acontece ao longo da trama, onde Pattinson e seu personagem, o jovem Ephraim, começa a trama lúcido e pronto para o trabalho pesado até que ele e o autoritário Thomas embarcam numa espiral de pirações envolvendo bonecos de sereias, bebidas, e claro a própria busca pela pergunta O que é o próprio farol em si? .

Thomas sabe a resposta, mas parece sentir prazer em não responder para o colega e ainda o provocar sobre o que tem por lá. Assim, Pattinson começa contido, enquanto Dafoe já emerge como uma figura repulsiva, asquerosa e bastante firme em suas decisões.

E ao longo do filme, quando esses personagens começam a sentir o peso do isolamento, Pattinson se mostra na altura de Dafoe, e os dois inundam a tela com suas presenças magnéticas e atuações completamente animalescas e intensas na medida que seus personagens abrem detalhes do passado um por outro, e que eles jurariam que ficariam enterrados do outro lado do oceano.

Cercado de diversas interpretações, e com detalhes para serem descobertos em novas assistidas, O Farol parece que será um dos filmes mais polêmicas e divisórios desta safra, o que não tira o mérito de entregar um deslumbre visual em preto e branco. Um daqueles que não podem ser perdidos.

Nota do Crítico:

O Farol chega nos cinemas nacionais em 2 de janeiro.

Filme visto na 43ª Mostra Internacional de São Paulo

Miguel Morales

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