O Espaço Entre Nós | Crítica

Com a volta de filmes focados no espaço, entre eles Interestelar (2014) e Gravidade (2013), Hollywood aposta em tramas assim onde o impossível pode ser tornar possível. E no meio tempo vemos umas bombas e outras por ai como Passageiros (2016) e outros acertos como A Chegada (2016), mas e para o público jovem? Como podemos aproximar eles desse gênero e criar uma história que ao mesmo seja contável e tenha um apelo com eles? Fácil, misture uma trilha sonora empolgante, atores conhecidos e queridinhos pelo público e um ou dois nomes de peso na indústria.

Assim temos o drama adolescente O Espaço Entre Nós (The Space Between Us, 2017) que conta a história Gardner Elliot, o queridinho das redes sociais, o ator Asa Butterfield, um rapaz que foi nascido e criado em Marte, mas que por ventura é louco para conhecer a Terra e os humanos. Ele se comunica pela internet com uma amiga virtual Tulsa, papel Britt Robertson mais conhecida por seus papeis em séries de TV adolescente, que se esforça ao mostrar uma adolescente rebelde com um bom coração. Assim Gardner quer conhecer mais sobre sua família e parte junto com a colega numa viagem em busca de respostas sobre seus pais.

O roteiro de Stewart Schill e Allan Loeb é bem criativo na medida que conta e explica os motivos que levaram o personagem a ser criado em Marte. Sua mãe, uma astronauta da NASA, acaba por descobrir que está grávida em plena missão espacial e a empresa responsável e seus acionistas (Gary Oldman e BD Wong) decide por acobertar o fato que a criança não tem chances de voltar para a Terra e que vai ter que ser criada no espaço mesmo. O lado bom que o filme não se perde muito no drama e nem no apelo ético e moral nessa parte, o ruim é o didatismo em que as cenas são apresentadas, deixando claro que o foco é o personagem de Gardner e sua história de descoberta.

O Espaço Entre Nós
Foto: Diamond Films

Assim, ao morar no centro espacial em Marte durante 16 anos, o protagonista vê uma figura materna nas mãos de outra astronauta Kendra (Carla Gugino em um papel decente e com uma atuação dentro do esperado devido ao tempo de tela e a função da personagem na história), mas sente cada vez mais o peso de querer conhecer a Terra e claro encontrar seu pai. Os efeitos especiais nas cenas dentro do centro espacial são bem interessantes, bem feitos e a maioria das explicações cientificas são tratadas de forma simples e com explicações de fácil acesso para o grande público de forma geral.

O Espaço Entre Nós então junta a trama do espaço com a trama mais dia-a-dia com os conflitos que a protagonista feminina passa com os dramas da escola, a própria questão dela ser adotada e não morar com uma família e sim alguém que quer receber a pensão do governo com o fato que os dois não se sentem confortáveis onde moram e com suas vidas. A sensação que o filme passa é que ele será mais um filme a lá Nicolas Sparks com um momentos previsíveis e já condensados, mas ele acaba por ter uma leveza um pouco menos carregado no drama devido a boa atuação de seus casais principais, que por ventura quase não sustentam a química. O destaque de atuação fica para o veterano Gary Oldman que faz o Diretor e engenheiro Nathaniel da empresa responsável pelo nave tripulada e que tenta tirar o melhor, mesmo a profundidade de seu personagem aparecendo pouco e não sendo muito desenvolvida.

O Espaço Entre Nós
Foto: Diamond Films

Assim O Espaço Entre Nós é um filme bem trabalhado com clichês que se apoia numa história com uma idéia até que inovadora em um momento que vivemos de reboots e readaptações de antigas histórias, mas que nem com sua reviravolta da trama no final consegue dar uma sacudida em quem assiste pelo seu tom previsível. O mérito do filme fica em aproveitar a leve jornada entre dois jovens andando de carro pelos EUA, aproveitar as imagens e a fotografia bem trabalhada da produção sem se preocupar com os motivos e por que de muitas coisas, pois a maioria delas são abandonadas ao longo do filme.

Nota do Crítico:

O Espaço entre Nós entra em cartaz em 30 de Março nos cinemas.