O Doutrinador | Crítica

O Doutrinador (2018) vem em um momento complicado e turbulento no país no meio de uma das eleições mais difíceis que o país já viveu. Inspirado em um personagem de HQ criado por Luciano Cunha, o filme estreia com ares de super-produção americana, conta com um protagonista muito bem interpretado e se destaca por suas cenas de lutas e sequências de ação.

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Foto: DT Filmes

Kiko Pissolato, que interpreta o agente federal Miguel transformado em justiceiro, está, na melhor definição, possuído em cena e entrega um personagem complexo, bem desenvolvido, e claro, bastante furioso. Com um ar bem sombrio e com algumas cenas bem pesadas, O Doutrinador mostra para que veio e nos entrega uma história de origem para um vigilante mascarado que faz uma mistura de todos os outros personagens do gênero já vistos em diversas produções, como o Arqueiro Verde (da série Arrow), o clássico Batman e o próprio Justiceiro (Marvel – O Justiceiro).

A fotografia escura e com um clima quase depressivo faz com que O Doutrinador possa se passar em qualquer lugar do mundo, seja a cidade de Gotham, Nova York, São Paulo ou Brasília, afinal, temos políticos corruptos, truculência policial e claro, armas e lutas corporais.

Como falamos, O Doutrinador é uma daquelas histórias de origem onde, em vez de perder os pais num assalto após uma sessão cinema, ou num iate que naufraga perto de ilha na China, Miguel vê a morte de um membro de sua família desencadear um sentimento de fúria contra um sistema corrupto e contra pessoas que só visam o lucro acima de tudo.

A criação da figura do Doutrinador por mais impactante e bem feita tem seus deslizes em termos de roteiro, onde algumas questões parecem serem deixadas de lado e em prol da ação. Por ser um filme curto, o texto não dá muito tempo para as coisas se desenvolverem muito bem, claro, somos apresentados as figuras chaves que o vigilante precisa enfrentar (o famoso quadro com as fotos e o canetão vermelho também aparece) que se personificam nas figuras de politicos na qual a divisão anti-corrupção da Policia Federal (chamada no filme de DAE – Divisão Armada Especial) quer prender mas sempre se vê de mãos atadas por conta de disputas no poder.

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Foto: DT Filmes

O Doutrinador tem todas as fórmulas que deram certo em outras produções, o amigo policial que não sabe do envolvimento do colega nas atividades extra-oficiais interpretado pelo ator Samuel Assis, a hacker no melhor estilo Felicity Smoak, da série Arrow que ajuda o personagem a sempre achar a melhor entrada em um prédio abandonado ou invadir o sistema de câmeras, interpretada pela ótima Tainá Medina e claro a ex-esposa que ajuda a dar um ar mais humanizado no personagem, a atriz Natalia Lage.

Assim, O Doutrinador, não entrega nada novo, apenas, segue o caminho de todas outras produções vistas na TV, nos quadrinhos e no cinema. O diferencial aqui é que o filme coloca um pouco de brasilidade em sua história para desenvolver questões sobre um anti-herói que faz justiça com as próprias mãos. Por mais desenvolvida que sejam as sequências de ação, o filme ainda bate em algumas teclas que incomodam no cinema nacional, com diálogos travados e situações pouco condizentes com o nosso dia-a-dia que não soam natural quando mostradas em tela mas em termos que já tivemos O Doutrinador cumpre seu papel como uma produção adulta e que fala sobre assuntos que estão presentes no dia-a-dia do brasileiro.

No final, é o cinema nacional tentando embarcar nessa onda de super-herói politizado e complexo que não tem suas atitudes definidas no preto e no branco, como uma boa representação da realidade.

Nota do Crítico:

Ps: O filme tem uma rápida cena pós-crédito

O Doutrinador chega nos cinemas nacionais em 1 de novembro

Miguel Morales

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