O Dia do Atentado | Crítica

Com uma das maiores ameaças terroristas dentro dos EUA, depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, acontecendo em um dos eventos mais tradicionais do país, a Corrida de Boston vemos como o país esteve preparado desde então para lidar com o eventos desse porte. Assim em O Dia do Atentado (Patriots Day, 2016) vamos acompanhar a história de pessoas que estiveram ali perto do caos vivido durante o ataque e claro toda as consequências que esse trágico evento gerou tanto para a policia local, para o FBI e principalmente para os seus sobreviventes e suas família que jamais irão esquecer aquele dia de Abril de 2013.

O filme começa já nos apresentando Tommy Saunders o clássico detetive durão e que é punido por não saber trabalhar com as regras mas que faz o serviço como em uma boa velha série policial – procedural americana. Mark Wahlberg, que carrega o filme nas costas está ligado no 220v e mostra um envolvimento real e camadas para o personagem onde acho que poucos atores poderiam entregar consegue dar o tom para o personagem e ainda para o filme como um todo. Assim, vemos ele reclamando junto com a esposa Carol (Michelle Monaghanque terá que colocar o uniforme de policial e ir ajudar a patrulhar a corrida. Então nesses primeiros minutos de filme parece que estamos dentro do piloto de uma dessas séries americanas onde vemos o personagem mostrando como conhece a cidade e sabe se virar nela.

Foto: Paris Filmes

Vemos também vários os cidadãos, como pais e filhos, amigos e casais se movimentando pela cidade para acompanhar o evento. Um dos casais que acompanhamos até chega a comentar que em Boston você tem três opções para esse dia: correr a maratona, assistir a maratona ou ir beber assistindo a maratona. O filme mantém essa tensão no ar e cria lentamente o suspense que é auxiliado com o relógio que fica no canto da tela avisando o horário, no melhor estilo da série 24 horas de quanto tempo falta para a explosão acontecer. Você sabe que as bombas vão explodir, você sabe quando vai ocorrer a explosão mas o filme acerta em mesclar as cenas entre os personagens que já foram apresentados justamente com esse intuito de gerar um apego com cenas lentas de como isso aconteceu e mostrando como afetou a vida de todos. O bacana do filme é também colocar a cidade de Boston como um personagem e ver como a dinâmica dos moradores com a cidade acabou sendo prejudicada.

Junto com tudo esse clima pesado, o filme ainda mostra a preparação dos jovens terroristas Tamerlan Tsarnaev (Themo Melikidze) e Dzokhar Tsarnaev (Alex Wolff) em montar as bombas caseiras. A produção ainda faz o acertado trabalho de mostrar um pouco mais da vida dos dois  jovens eram também eram estudantes, tinham uma vida acadêmica e claro e Tamerlan tinha uma esposa Katherine Russell (Melissa Benoist) tudo para mostrar um pouco de profundidade aos personagens mas sem tentar justificar o motivo deles terem feito aquilo. Claro, somos apresentados as motivações mas o filme não tenta falar que elas foram aceitáveis. 

Logo que as explosões ocorrem o sentimento de angustia toma conta e invade a tela de um jeito tocante e emocionante. O filme então muda. Começa a ficar ágil, rápido pois para a polícia e claro para o FBI não se há tempo a perder. Isso fica claro quando vemos a chegada dos personagens reais de John Goodman (o chefe de policia Ed Davis) e de Kevin Bacon como o Agente Especial do FBI, Richard DesLauriers. Os dois mostram atuações bem fortes e mesmo que as pessoas reais inspiradas sejam diferentes Davis é explosivo e DesLauriers é mais centrado e focado no resultado isso acaba por somente agregar ao filme.

Foto: Paris Filmes

Com a perseguição aos terroristas aliados com a pistas o filme ganha ares de investigação criminal e ganha sequências de ações bem interessantes que te deixam apreensivo para o que vai acontecer na próxima cena. O longa ainda tem tempo para incluir a atuação de J.K. Simons como um sargento de Policia da cidade vizinha que ajuda na perseguição aos terroristas. A atriz Melissa Benoist, também ganha seu momento ao interpretar uma personagem fria e que calcula bem seus atos em um papel bem diferente do que está acostumada e que surpreende em um dos momentos finais.

Um ponto negativo para a produção fica pelo fato de que o filme ficou mais focado nas investigações e nos atores envolvidos na trama policial e acabou por esquecer das vitimas do começo. Junto a isso, alguns desenvolvimentos de história acabaram por ser ignorados quando a trama começa a seguir os fatos cronológicos para tentar mostrar tudo desde das explosões até a captura.

O Dia do Atentado é um filme tocante e tenso com uma forte narrativa baseada em uma história real e que conta com ótimas atuações, com destaque para Mark Wahlberg, sobre um dos momentos mais tristes da história americana que deve ser lembrado em homenagens as vitimas e claro que ajudou a cidade a se recuperar do choque.

Nota do Crítico:

O Dia do Atentado estreia nos cinemas em 11 de maio.